Moraes prorroga o prazo para governo do Rio enviar imagens de megaoperação contra o CV na Penha
O juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu por mais 20 dias o prazo para o governo do Rio de Janeiro enviar à Polícia Federal as imagens da grande operação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 122 mortes, incluindo 5 policiais. A determinação também vale para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Moraes estabeleceu que o governo do Rio e o MP entreguem as imagens e os registros dos exames cadavéricos das vítimas até o dia 11 de março.
No início deste mês, Moraes solicitou que o MP do Rio, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o governo do Estado do Rio de Janeiro prestem esclarecimentos sobre a atuação na grande operação, conhecida como Operação Contenção.
No despacho, o juiz afirmou que as manifestações presentes nos autos contêm informações “por vezes contraditórias” e que ainda são necessários esclarecimentos adicionais para avaliar tanto a Operação Contenção quanto o cumprimento das decisões do STF sobre segurança pública no Rio.
Ao CNJ, Moraes determinou que informe o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo estadual em dezembro, após a operação.
Já ao governo do Rio, o magistrado ordenou que todas as câmeras e imagens capturadas durante a Operação Contenção sejam enviadas à Direção-Geral da Polícia Federal para perícia, com transcrição e laudo técnico, no prazo de 15 dias após o envio.
Em novembro do ano passado, Moraes também determinou que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mantivesse todas as imagens das câmeras corporais dos policiais civis e militares que participaram da Operação Contenção. Em resposta, Castro informou ao juiz que 32 câmeras corporais ficaram inoperantes durante a grande operação.
Grande operação contra o CV
A grande operação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha foi a mais mortífera da história do País. Realizada em 28 de outubro de 2025, a ação mobilizou as polícias civil e militar para cumprir 180 mandados de prisão e busca e apreensão. Além das 122 mortes, também houve bloqueio de vias e suspensão de serviços em diversas regiões da cidade.
De acordo com o governo do Rio, o objetivo era conter o avanço da facção e prender líderes criminosos. Na época, o governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como “um sucesso”. Por outro lado, a Defensoria Pública do Estado apontou indícios de irregularidades e violações de direitos durante a ação.



