Lula quer regras específicas de jornada de trabalho para alguns setores
O presidente Lula defende uma diretriz geral com regulamentação adaptada às características de cada categoria no que diz respeito à jornada de trabalho, especialmente em relação ao fim da escala 6 X 1.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que é necessário estabelecer regras específicas para determinadas categorias profissionais em relação ao fim da escala 6 X 1. Ele fez essa declaração durante a sessão solene de abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada nesta terça-feira (3 de março de 2026).
Lula ressaltou que diferentes categorias profissionais têm necessidades distintas em relação à organização da jornada de trabalho, o que requer tratamento diferenciado na elaboração de normas trabalhistas. Ele indicou a possibilidade de criar uma diretriz geral sobre a jornada de trabalho, adaptando a regulamentação conforme as características específicas de cada setor.
“Qual seria a jornada ideal? Para muitas categorias, há uma jornada diferenciada. Para muitas categorias. E nós vamos determinar o que é ideal para cada uma delas. Podemos estabelecer uma regra geral, mas ao regulamentá-la, será necessário considerar as especificidades de cada categoria de acordo com sua realidade”, afirmou o presidente Lula.
Lula criticou a reforma proposta pelo presidente argentino Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), recentemente aprovada no país, que amplia a jornada de trabalho para até 12 horas, reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços e restringe o direito de greve, entre outras medidas.
“É inimaginável a aprovação, na Argentina, da jornada de trabalho de 12 horas”, destacou.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6 X 1, em trâmite no Congresso, é a prioridade do governo Lula, que visa aprová-la ainda neste primeiro semestre de 2026.
2ª Conferência Nacional do Trabalho
A abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho ocorreu no Teatro Celso Furtado, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil Simone Tebet (MDB) e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).
A fase nacional da conferência está sendo realizada nos dias 3, 4 e 5 de março, em São Paulo, com o intuito de estabelecer diretrizes para a promoção de um trabalho digno no país, por meio do diálogo entre diferentes setores e da elaboração conjunta de políticas públicas.
No evento são debatidos temas cruciais, como capacitação profissional, proteção social, inclusão produtiva, fortalecimento da negociação coletiva e a preparação do Brasil para as transformações tecnológicas, digitais, ambientais e demográficas que impactam o mundo do trabalho.



