×

Defesa de Bolsonaro pede ao STM rejeição de ação sobre perda de patente

Defesa de Bolsonaro pede ao STM rejeição de ação sobre perda de patente

Defesa de Bolsonaro pede ao STM rejeição de ação sobre perda de patente

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) submeteu ao STM (Superior Tribunal Militar) uma petição solicitando o arquivamento da ação que poderia resultar na remoção de seu posto e patente no Exército.

O STM está examinando se Bolsonaro e outros militares das Forças Armadas agiram com indignidade em relação ao oficialato depois de serem condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no caso da tentativa golpista.

Em 3 de fevereiro, o MPM (Ministério Público Militar) solicitou a perda da patente do ex-presidente e mais quatro oficiais generais envolvidos no plano de golpe.

O requerimento foi entregue ao tribunal na quinta-feira (5) e foi assinado pelo advogado Paulo da Cunha Bueno e outros quatro defensores do ex-presidente. O intuito é evitar que Bolsonaro seja considerado indigno para o oficialato e tenha sua posição de capitão reformado do Exército revogada.

Na manifestação, os advogados alegam que os eventos que resultaram na condenação do ex-presidente pelo STF não estão relacionados ao desempenho de funções militares, mas sim a atos praticados durante seu mandato presidencial.

Conforme a defesa, os incidentes mencionados pelo Ministério Público Militar — como discursos públicos sobre o sistema eleitoral, reuniões ministeriais e a atuação de órgãos de inteligência — ocorreram no âmbito das responsabilidades políticas e administrativas do chefe do Executivo.

Os advogados argumentam que não houve interferência na hierarquia das Forças Armadas nem emissão de ordens militares ilegais que justificassem a declaração de indignidade.





“A transposição de atos presidenciais para o plano ético-militar requer a demonstração de que houve efetiva utilização da estrutura castrense para propósitos de ruptura hierárquica, emissão de ordens ilegais ou incentivo direto à indisciplina interna”, afirmam os advogados do ex-presidente.

A defesa também alega que Bolsonaro já se encontrava na condição de militar reformado quando os eventos ocorreram. Segundo os advogados, isso eliminaria a possibilidade de impacto direto sobre a hierarquia ou disciplina das Forças Armadas.

Outra alegação apresentada é que a eventual perda da patente constituiria uma dupla punição pelos mesmos eventos. Os advogados defendem que a conduta já foi examinada pelo STF no âmbito penal e resultou em uma sentença de 27 anos e 3 meses de prisão. Atualmente, ele está cumprindo pena em uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, em Brasília.

A defesa solicita que o STM reconheça a incompetência do tribunal para julgar o caso e arquive a representação.

Caso o processo prossiga, os advogados pedem que seja revogada a declaração de indignidade e que a posição de capitão reformado seja mantida para o ex-presidente.

“Se a conduta imputada, embora reprovável penalmente, ocorreu no âmbito institucional civil ou político — sem afetar a hierarquia, disciplina ou capacidade de comando — a exclusão se mostra uma medida desproporcional e sem propósito administrativo”, concluem.

Créditos