A maior janela quebrada do nosso bairro
Em 1982, os pesquisadores James Q. Wilson e George L. Kelling formularam o que ficou conhecido no âmbito da segurança pública como a “Teoria das Janelas Quebradas”.
O conceito é simples, mas profundamente revelador: imagine um edifício com uma janela quebrada. Se essa janela não for consertada rapidamente, as pessoas que passam pelo local começam a deduzir que ninguém se importa com o prédio e que não há fiscalização.
A mensagem silenciosa de abandono encoraja que outras janelas sejam vandalizadas, o lixo se acumule e, gradativamente, o espaço passe a atrair a criminalidade.
A desordem tolerada é o convite para a escalada do crime. Quando falamos sobre essa teoria, é comum pensarmos imediatamente em um muro pichado, em um terreno com lixo ou em uma praça depredada. No entanto, a “janela quebrada” mais perigosa e prejudicial de nossas ruas não é física. É a “falta de cidadania”. A pior forma de degradação de um bairro é a cultura da omissão. É o pensamento cômodo de que o problema está lá, mas que “alguém vai resolver”.
E, na prática, quando todos pensam assim, ninguém resolve. O verdadeiro abandono acontece quando terceirizamos a nossa responsabilidade como moradores e cruzamos os braços diante do que precisa ser feito. A desordem ganha força silenciosamente através de atitudes diárias e da nossa própria inércia: A escuridão tolerada: Passamos todos os dias por um poste com a lâmpada queimada, que deixa a rua vulnerável e insegura. Reclamamos da escuridão, mas não dedicamos cinco minutos para ligar no 0800 779 0156 e acionar o Ilumina São Paulo, órgão responsável por essa manutenção. A zeladoria ignorada: Observamos o buraco na via, a calçada quebrada ou o entulho descartado irregularmente, mas achamos que ligar para o 156 ou usar o aplicativo da Prefeitura dá muito trabalho.
O silêncio diante do delito: Pequenos crimes ou delitos ocorrem e as pessoas, muitas vezes por descrença ou preguiça, optam por não registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.), esquecendo que o registro pode ser feito rapidamente pela Delegacia Eletrônica, ou pelo 190 no momento da ocorrência. O que precisamos compreender urgentemente é que o poder público e as forças de segurança trabalham baseados em dados, estatísticas e demandas formalizadas. Se não há um chamado no 156, oficialmente, o problema de zeladoria não existe para a administração pública.
Se não há o registro do B.O., aquela rua é considerada estatisticamente pacífica e não receberá o policiamento preventivo adequado. A nossa omissão invisibiliza o nosso bairro. Ao não cobrar, não registrar e não participar, estamos, com as nossas próprias mãos, atirando pedras e quebrando as janelas da nossa comunidade. Ser cidadão exige mais do que apenas residir em um endereço; exige pertencimento e ação ativa. Para que a mudança seja real, o engajamento comunitário é indispensável.
É exatamente esse o papel do Conselho Comunitário de Segurança. Convido você a sair da passividade e se juntar a nós nas reuniões do CONSEG Vila Formosa, que acontecem toda primeira terça-feira do mês, no Teatro do Colégio Drummond – Alvorada, sito à Praça Nossa Senhora das Vitórias, 92, Vila Formosa, São Paulo, SP.
Venha debater os problemas da nossa região, trazer suas demandas e pensar em soluções conjuntas com as forças policiais e a subprefeitura. Se você mora em outro bairro, não deixe de exercer sua cidadania. Você pode encontrar o conselho mais próximo da sua casa acessando o site da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e clicando em “Localize seu CONSEG”:
O bairro é a extensão da nossa casa e a mudança começa quando paramos de esperar pelo outro e assumimos a nossa parte. Conserte a sua janela.
Para acompanhar o nosso trabalho diário e ficar por dentro das ações em prol da nossa região, siga as minhas redes sociais @wilsonrossi e as páginas oficiais do CONSEG Vila Formosa no Instagram e Facebook: @consegvilaformosa.
* Wilson de Paiva Rossi é advogado é presidente do CONSEG Vila Formosa.
Foto: Divulgação.
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