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'A Voz de Hind Rajab’, sobre assassinato de menina palestina de 5 anos por Israel, chega na Netflix

'A Voz de Hind Rajab’, sobre assassinato de menina palestina de 5 anos por Israel, chega na Netflix

'A Voz de Hind Rajab’, sobre assassinato de menina palestina de 5 anos por Israel, chega na Netflix

Um dos filmes mais emocionantes do ano, “A Voz de Hind Rajab” entrou no catálogo da Netflix no último domingo (12). Em janeiro de 2024, Hind Rajab, de apenas 5 anos, e a família — um casal de tios e quatro primos — tentavam deixar a cidade de Gaza, na Palestina, após ordens das forças de ocupação de Israel para evacuação do local. O longa-metragem tunisiano é uma dramatização de eventos reais, com uso de recursos do que foi documentado do crime.
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Sob ataques por horas realizados por uma tropa de Israel, foram disparados 335 tiros de um tanque em direção ao carro de passeio da família, um Kia preto, segundo investigação da Forensic Architecture. Todos os sete ocupantes foram assassinados. Desde o início do genocídio no país, o exército e a polícia israelenses ampliam os ataques à Gaza, incluindo locais que servem como abrigo para civis, como escolas, hospitais e tempos religiosos.
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Sobre “A Voz de Hind Rajab”
Diretora tunisiana Kaouther Ben Hania segura um retrato da menina palestina Hind Rajab, durante o tapete vermelho do filme ‘A voz de Hind Rajab’, apresentado em competição no 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza
Tiziana Fabi / AFP
O carro da família foi alvejado por soldados de Israel que estavam em um tanque de guerra. Primeiro foram assassinados os tios e três primos da menina. Hind e Layan Hamadeh, prima de 15 anos, sobreviveram. Elas conseguiram ligar para um tio que vive na Alemanha para pedir socorro. Foi ele quem colocou as duas meninas em contato com o braço palestino do Crescente Vermelho, organização humanitária e de resgate que atua nos países muçulmanos.
Os registros telefônicos ouvidos no filme são as gravações reais do dia dos assassinatos. Nele é retratada a mobilização das equipes do Crescente Vermelho para resgatar as duas meninas. Uma vez que o veículo segue sendo alvo de disparos por militares de Israel, Layan também é assassinada, e Hind fica sozinha por mais de três horas ao telefone, pedindo que o grupo de resgate a encontre e a leve em segurança.
O longa apresenta toda a burocracia para se ter acesso às áreas que são controladas e devastadas por Israel em Gaza, inclusive com serviços médico e de resgate como alvos dos agentes de ocupação, o que também é mostrado. Especialistas independentes nomeados em julho de 2024 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas declararam que o assassinato de Hind Rajab poderia ser considerado um crime de guerra.
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O filme também utiliza imagens reais do crime. Até o momento, ninguém foi oficialmente punido ou responsabilizado criminalmente pelos assassinatos.
O longa-metragem representou a Tunísia na disputa do Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, em que tinha entre os concorrentes o brasileiro “O agente secreto”. A obra da diretora Kaouther Ben Hania venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.
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Divulgação
O ator Motaz Malhees, que interpreta o voluntário do Crescente Vermelho Omar A. Alqam, o primeiro a atender as ligações de Hind Rajab, não pôde comparecer à cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos, em 15 de março. O artista usou seu perfil no Instagram para explicar que tentou estar presente, mas foi impedido de entrar no país devido à sua nacionalidade: ele nasceu na Palestina.
“Faltam três dias para o Oscar. Nosso filme A Voz de Hind Rajab está indicado ao Oscar. Tive a honra de interpretar um dos papéis principais em uma história que o mundo precisava ouvir. Mas eu não estarei lá”, escreveu Malhees. “Não tenho permissão para entrar nos Estados Unidos por causa da minha cidadania palestina. Dói. Mas aqui está a verdade: Você pode bloquear um passaporte. Não pode bloquear uma voz. Sou palestino e permaneço com orgulho e dignidade. Meu espírito estará com A Voz de Hind Rajab naquela noite. Boa sorte a todos vocês. Nossa história é maior do que qualquer barreira, e será ouvida”, escreveu Motaz Malhees.
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