Lula aposta em reverter abstenção no 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a abstenção no centro da campanha do 2º turno das eleições de 2026. Na primeira reunião da nova etapa, nesta segunda-feira (5), o petista disse que devolver o interesse do eleitor pela votação é a tarefa mais urgente dos próximos 20 dias.
No 1º turno, 33.444.876 eleitores não compareceram às urnas. Isso equivale a 21,08% do total, a maior taxa de abstenção desde 1998. O dado foi citado por Lula durante o encontro, que avaliou o resultado do domingo (4) e definiu mudanças na estratégia eleitoral.
Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. A diferença, portanto, obriga a campanha a conquistar quem ficou em casa no dia da votação.
Abstenção no 2º turno vira prioridade da campanha
O presidente tratou o não comparecimento como o principal obstáculo da disputa. "Mas tem uma coisa em que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas?", questionou.
Para Lula, a causa principal é o desinteresse de parte do eleitorado. Segundo ele, essas pessoas perderam o sentido de responsabilidade ou não foram convencidas por nenhum candidato.
"E a responsabilidade é nossa, é devolver a eles o interesse de participar do processo eleitoral", completou o petista.
A leitura contraria o discurso mais comum em campanhas, que costuma atribuir a abstenção ao desencanto com a política. Lula, no entanto, preferiu mirar a própria campanha. Além disso, reforçou que o foco será corrigir falhas internas antes de atacar o adversário. Na véspera da votação, o TSE já havia divulgado orientações sobre quem ainda podia votar no 1º turno, tema que volta à cena em outubro.
Críticas ao adversário e revisão de erros
"Nós temos que procurar o que foi que nós não fizemos corretamente e que a gente agora tem que fazer. Em 20 dias, temos que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio", afirmou o presidente.
Lula também classificou Flávio Bolsonaro como um "herdeiro do fascismo". Segundo ele, os próximos dias devem servir para expor o que está em jogo na disputa.
"São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora o que deveríamos ter colocado o ano inteiro", disse.
O presidente ainda defendeu o caráter antissistema de sua candidatura. Ele comparou a própria trajetória com a do adversário e afirmou que Flávio representa justamente o sistema que diz combater.
Polarização e o fim da terceira via
Lula argumentou que a polarização eleitoral é um fenômeno global. Como resultado, a ausência de uma terceira via nas urnas confirmaria esse padrão.
"No mundo inteiro as eleições são polarizadas. Nunca surgiu 3ª via quando éramos nós e o PSDB, e não está surgindo agora a 3ª via", afirmou.
O 2º turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, a campanha promete intensificar a presença nas ruas e revisar a comunicação adotada no primeiro turno. Além disso, a equipe deve concentrar esforços nas regiões com maior índice de abstenção.
Voto obrigatório e o peso de 33 milhões de ausentes
No Brasil, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos. Mesmo assim, o número de ausentes cresce a cada eleição. Em 1998, a abstenção ficou perto de 18%. Em 2022, passou de 20% e chegou ao maior patamar em duas décadas.
Agora, em 2026, o índice de 21,08% supera todas as marcas recentes. Para a campanha, isso significa que o universo de votos disponíveis no 2º turno é maior do que a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em números absolutos, são quase 33,5 milhões de eleitores que não compareceram.
O petista citou o dado como sinal de alerta. Além disso, prometeu ir às ruas com mais força nos próximos dias. A ideia é retomar o contato direto com o eleitor e reduzir a distância entre o discurso da campanha e a vida cotidiana das pessoas.
Esse movimento ocorre em um cenário de disputa acirrada. Flávio Bolsonaro lidera com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente aparece com 45,16%. A vantagem, portanto, é pequena e pode mudar com a entrada ou a saída de votos da abstenção.
O que esperar daqui para frente
Com pouco mais de três semanas até a votação, a campanha de Lula aposta em duas frentes. A primeira é reengajar quem não votou. A segunda é apresentar o adversário como continuidade de um projeto que o presidente associa ao fascismo.
Para o eleitor, o recado é direto: cada voto ausente no 1º turno pesa na conta final. A disputa segue apertada, e a diferença entre os dois candidatos ficou em menos de dois pontos percentuais.
O desafio, contudo, vai além do palanque. Reverter 21% de abstenção em 20 dias exige uma máquina de mobilização que a campanha ainda precisa provar que tem. Enquanto isso, o país observa se a segunda etapa confirmará o favoritismo do adversário ou abrirá espaço para uma virada.
Com informações do Poder360.
RedeBrasil



Publicar comentário