Agência Minas Gerais | Leia na íntegra o discurso do governador Mateus Simões na cerimônia de transmissão do cargo no Palácio da Liberdade
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Imagine o que significa para alguém do Pontal do Triângulo, descendente do Neco e da Painha, chegar até este prédio, onde JK viveu, onde Milton Campos trabalhou, e de onde Tancredo discursou pela democracia. Um caminho longo, não é mesmo, governador?
Governador, gostaria de começar expressando minha gratidão pessoal a você. Sete anos atrás, você me confiou a responsabilidade de coordenar as atividades dos secretários. E, novamente, há quatro anos, você me convidou para ser vice-governador, seu parceiro na transformação de Minas Gerais e seu sucessor. Muito obrigado, governador. Sinceramente, muito obrigado.
O estado que você me entrega é muito diferente daquele que você recebeu. Sou grato porque estamos falando de um estado que hoje tem as contas em dia, que tem condições de planejar seus investimentos e ir mais longe, pois você enfrentou o mais desafiador.
Como você gosta de dizer, não se preocupou em fazer o fácil ou o que é concluído rapidamente. Aliás, você menciona que somos bons plantadores de milho e soja, cultivos que são colhidos em poucos meses, mas aqui em Minas aprendemos a plantar eucalipto, mogno, oliveira, cultivos que serão cortados daqui a sete, quinze anos ou que produzirão por décadas. Estamos diante do maior conjunto de obras já planejado para Minas Gerais, mas você não verá a inauguração de várias delas como governador.
O metrô, um sonho de 30 anos, está sendo construído, mas você viu apenas duas estações sendo concluídas. Continuaremos inaugurando estações pelos próximos três anos. O Rodoanel está prestes a iniciar com financiamento garantido e mudará a realidade de Minas Gerais, reduzindo em 50 o número de mortes anuais no Anel Rodoviário, e você não verá a conclusão dessa obra como governador.
Dos cinco hospitais regionais, três serão inaugurados por mim. E o HoPE (Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio) será inaugurado pelo governador eleito este ano. Você nunca se preocupou em colher resultados imediatos, pois sempre soube que era mais importante fazer o que é certo do que o que é rápido. Obrigado, governador Romeu Zema, devo muito a você.
Galerias de fotos: Mateus Simões assume em cerimônia na ALMG
Governo de Minas realiza transmissão de cargo no Palácio da Liberdade
Meu pai era uma pessoa muito interessante. Seu Gutemberg, que você conheceu, mudou-se para Araxá para cuidar da fazenda. Quando nos mudamos para a chácara, havia uma lagoa coberta por taboa. Taboa são touceiras de capim com barro, que não permitiam ver a lagoa. Homens trabalhavam ali com barro até a altura da cintura, dois bois puxando touceiras durante toda a manhã.
Às vezes, eles retiravam dez, quinze touceiras em uma manhã. Ao final da tarefa, parecia que nada tinha sido feito, que a lagoa ainda estava coberta. Porém, meses depois, a lagoa estava limpa. Nadei muito naquela lagoa. É preciso ter consciência de que o trabalho bem feito leva tempo.
Minha mãe, Dona Elisa, de Pedro Leopoldo, de Perdões, cozinhou por muito tempo para fora. Com ela, aprendi que algo bem feito requer cuidado. O que ela vendia em dezembro para o Natal, começava a preparar em novembro. Mostrando que com persistência, técnica e experiência, é possível entregar o que é necessário.
Agora, assumo um novo desafio e, neste momento, quero aproveitar a presença de meus irmãos. Em nome de Lucas, Catarina, Taciana e meus sobrinhos, afirmo que minha obrigação e compromisso é honrar o legado de nossa família.
Trabalho, dedicação e cuidado com o próximo. Acredito que seguindo esses princípios, poderei conduzir o futuro do estado da melhor forma possível.
Também me emociono ao pensar nos desafios que enfrentaremos. Chris, amor da minha vida, minha esposa há 20 anos e comandante do Servas, com quem discuto frequentemente sobre os problemas sociais do nosso estado. Entender que cuidar dos mais necessitados é importante, mas eliminar a pobreza é o verdadeiro desafio.
Uma bolsa pode ter seu propósito, mas não podemos acreditar que resolveremos os problemas do Brasil apenas com assistencialismo. Precisamos de programas como Trilhas de Futuro, qualificar nossa mão de obra, criar oportunidades de emprego e renda. E é isso que temos feito. Dê o peixe, mas ensine a pescar.
Além disso, enfrentamos outros desafios. Não podemos esquecer do desafio da educação. Sou professor, neto de uma professora. Minha avó Marília é professora aposentada. Tenho muito orgulho disso. Estive com ela na quarta-feira, ela está acamada, com 90 anos, sem condições de sair de casa. Relembramos os tempos em que lecionava em Perdões.
Quantas mudanças ocorreram na educação em Minas Gerais. Cumprimos nossas obrigações com os reajustes anuais, mas fomos além. Reformamos escolas, aprimoramos a merenda escolar, construímos quadras. Avançamos em tecnologia nas escolas com wi-fi. Possibilitamos intercâmbios internacionais para os alunos mais destacados. Nosso futuro depende deles.
Cuidar das crianças. Distribuí mais de 1 milhão de litros de leite este ano para crianças de 2 a 6 anos que não têm condições de se alimentar adequadamente. Precisamos manter esses projetos e avançar na educação e no cuidado com a infância.
Quando falamos das crianças, é inevitável lembrar das mulheres, mães, meninas. Minas Gerais ainda deve às mulheres. É mais difícil para elas alcançarem o sucesso. Penso na tia Angelina, minha tia, figura feminina importante em minha vida após a morte dos meus pais. Venceu na vida, fez três cursos superiores, foi diretora de banco. Mas tudo foi mais difícil para ela. Nunca abriu mão de ser mãe, de ser mulher.
Por que é mais difícil sendo mulher? Como ainda naturalizamos a violência contra as mulheres? Como continuamos tratando isso como algo cultural? As mulheres serão protegidas em Minas Gerais e terão as políticas necessárias. Este é meu compromisso.
Antes de tudo, sou professor. Entendo a importância do cuidado. Cuidado com a educação, como mencionei, cuidando de nossas escolas, do Trilhas de Futuro. Mas também é cuidar da saúde dos mineiros.
Tenho grande preocupação pelo fato de as pessoas ainda não terem acesso à saúde que necessitam com tranquilidade, governador. Quero que todos saibam do meu compromisso em cuidar delas. Garantir cada posto de saúde em todas as nossas cidades, nossos hospitais funcionando plenamente. Assegurar que a universalização do Samu seja um legado, como o senhor já fez, governador.
Além de professor, sou agricultor. E sei que é fundamental plantar antes de colher. Preparar o solo é essencial. A infraestrutura continuará sendo uma prioridade em Minas Gerais, pois é assim que plantamos. Você deixa cinco anos de planejamento de investimentos em infraestrutura no estado. Com a venda da Copasa, realizaremos cada metro de asfalto planejado por você, governador.
Onze bilhões de reais para saneamento. Faremos macrodrenagens, como já fizemos em Contagem e Belo Horizonte. Reassentando famílias e evitando enchentes, como estamos fazendo no Rio Doce. E como faremos na Zona da Mata, recentemente afetada, e em todo o estado.
Hoje, assumo um novo papel em minha vida, além de professor e agricultor. Torno-me governador de Minas Gerais. E como governador, faço dois compromissos com os mineiros.
O primeiro é continuar trabalhando para que tenham mais dignidade. Apesar de termos a menor taxa de desemprego da história, graças ao trabalho do governador Romeu Zena, ainda precisamos melhorar a renda média dos mineiros. Trabalharei diariamente para qualificar os empregos gerados e garantir que todos possam não apenas trabalhar, mas também viver bem e sustentar suas famílias.
Juntamente com esse compromisso, assumo o compromisso com a segurança pública. Em Minas Gerais, não há espaço para a desordem. Não permitiremos a entrada do crime organizado. Serão perseguidos, expulsos e presos sempre que necessário.
Sou imensamente grato a Deus por este momento. Agradeço também a outras pessoas e deixo claro aos deputados, secretários, prefeitos e vereadores que estão em meu coração. Honrarei cada mineiro ao longo dessa jornada, governador. Posso afirmar que juntos, venceremos.
Por isso, conto com todos. Juntos por Minas.



