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Arrecadação federal recorde: R$ 239,4 bi em setembro

Arrecadação federal recorde: R$ 239,4 bi em setembro

Arrecadação federal recorde: R$ 239,4 bi em setembro

A arrecadação federal alcançou R$ 239,4 bilhões em setembro de 2026 e bateu recorde para o mês. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal e representa alta real de 5,62% na comparação com setembro do ano passado, já descontada a inflação pelo IPCA. É o maior valor da série histórica para um mês de setembro.

Segundo o Fisco, o resultado teve ajuda de um ganho considerado não recorrente. O imposto sobre exportação de petróleo, criado temporariamente pelo governo para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio, rendeu R$ 2,943 bilhões extras no mês. Sem esse efeito atípico, as receitas administradas pela Receita teriam subido 3,69%.

O que puxou o recorde da arrecadação federal

As receitas administradas pelo Fisco somaram R$ 231,426 bilhões em setembro, alta real de 5,0% sobre o mesmo mês de 2025. Já as receitas administradas por outros órgãos públicos chegaram a R$ 7,958 bilhões, avanço real de 26,3%.

No recorte por setores, a exploração de petróleo e gás natural registrou R$ 12,010 bilhões em tributos administrados pela Receita, contra R$ 909 milhões em setembro do ano passado. A Receita pondera, no entanto, que a alta expressiva do setor reflete em parte uma mudança na classificação tributária de empresas.

O desempenho positivo também apareceu em serviços de escritório e apoio administrativo, com alta de 58,4%, no comércio atacadista, com 8,3%, e na fabricação de eletrônicos, com 38,7%.

Entre os tributos, as receitas previdenciárias cresceram 6,18% em termos reais. O Imposto de Importação e o IPI vinculado subiram 21,07%, enquanto o Imposto de Renda sobre rendimentos de capital avançou 9,68%.

O peso do petróleo no resultado

A participação do petróleo e do gás na arrecadação chamou atenção neste ano. O setor saiu de R$ 909 milhões em setembro de 2025 para R$ 12,010 bilhões em setembro de 2026. O salto reflete, segundo a Receita, também a reclassificação tributária de empresas do segmento, o que infla a comparação entre os dois períodos.

Além do petróleo, setores ligados a serviços corporativos e à indústria de eletrônicos ajudaram a sustentar o resultado. A indústria de transformação vem mostrando recuperação desigual, com segmentos em alta e outros ainda pressionados pelo custo do crédito.

Acumulado do ano também é recorde

De janeiro a setembro, a arrecadação total das receitas federais somou R$ 2,351 trilhões, crescimento real de 6,97% sobre o mesmo período de 2025. Também é o maior valor já registrado para o intervalo.

A receita previdenciária responde por R$ 575,93 bilhões do total, com crescimento real de 5,16%. De acordo com a Receita, o resultado foi influenciado pelo aumento da massa salarial, pelo avanço da arrecadação previdenciária do Simples Nacional e pela reoneração gradual da folha de pagamentos e dos municípios.

Quando o governo desconta pagamentos atípicos e efeitos de mudanças na legislação, a arrecadação administrada pela Receita cai para R$ 2,26 trilhões no ano, com alta real de 5,77%. Em setembro, a chamada arrecadação ajustada ficou em R$ 228,48 bilhões, alta de 3,69% na comparação anual. Essa é a leitura que a equipe econômica costuma usar para medir a tendência de fundo.

O que compõe a arrecadação federal

A arrecadação federal reúne os tributos administrados pela Receita Federal, como Imposto de Renda, IPI, PIS, Cofins, contribuições previdenciárias e Imposto de Importação, além das receitas recolhidas por outros órgãos. O número divulgado todo mês funciona como um retrato do aquecimento da economia e do emprego formal.

Em agosto, a arrecadação havia somado R$ 235,566 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto, as receitas federais chegaram a R$ 2,112 trilhões, contra R$ 1,888 trilhão no mesmo período de 2025.

O crescimento segue acima da inflação há meses, o que indica expansão real da base tributável. Ainda assim, economistas lembram que parte desse avanço vem de mudanças na legislação e de eventos pontuais, e não apenas do aumento da atividade.

Por que o dado importa para o Orçamento

Arrecadação maior reduz a pressão por cortes e ajuda o governo a perseguir a meta fiscal. O efeito, porém, tem limites. Parte do ganho de setembro vem de um tributo temporário, ligado ao petróleo, que não deve se repetir nos próximos meses.

Além disso, agências de risco seguem céticas quanto ao ajuste. Em relatório divulgado nesta semana, a Fitch projetou aperto fiscal no Brasil em 2027 independentemente de quem vencer a eleição presidencial. A agência citou déficit acima de 8% do PIB e dívida pública acima de 80% do PIB. O cenário fiscal descrito pela Fitch mostra que a arrecadação recorde, sozinha, não resolve o problema.

O que observar daqui para frente

O imposto de exportação de petróleo foi criado como medida emergencial e tem prazo para acabar. Por isso, a leitura ajustada, de 3,69% em setembro, tende a ser mais fiel ao ritmo real da arrecadação nos próximos meses.

O comportamento da receita previdenciária e do Imposto de Importação também merece atenção. Os dois refletem, respectivamente, o mercado de trabalho e o volume de compras do exterior, que são termômetros da atividade econômica.

Para o contribuinte, a arrecadação recorde é uma faca de dois gumes. Mais receita significa mais capacidade de gasto público. Significa também que a carga de tributos segue pesada em um ano de eleição e de discussão sobre o tamanho do Estado.

Com informações de Forbes Brasil, Poder360 e Receita Federal.

RedeBrasil

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