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As meninas dos olhos – Semanário ZN

As meninas dos olhos – Semanário ZN

As meninas dos olhos – Semanário ZN

Nossas parceiras são a base de sustentação. Juntas, compartilhamos alegrias e tristezas, a família, os filhos, o lar, as refeições, jornadas exaustivas acumuladas. É indignante como elas são alvos no Brasil – quatro assassinatos por dia, totalizando 1.470 no ano passado. Mortes simplesmente por serem mulheres.

O salmista (8.) mostra Davi suplicando a Deus para protegê-las “como a menina dos olhos”, abrigando-as “à sombra de Suas asas”. Em nossa sociedade, infelizmente, ocorre o oposto: as meninas são frequentemente vitimadas e as asas humanas não são suficientes para ampará-las.

As raízes desse problema estão no machismo cultural: o homem tende a se considerar dono da mulher, o senhor absoluto de seus desejos e vontades, com um ímpeto controlador, violento e letal. O cotidiano é repleto de estupros, agressões, ameaças e ataques fatais.

Esse assunto necessita ser abordado em uma perspectiva ampla, não restrita ao individual, mas sim à humanidade, evitando generalizações simplistas, populismo político e ideologias vazias. A perseguição às mulheres é uma prática antiga. Anteriormente, as leis dominantes toleravam até mesmo crimes em “defesa da honra”, uma abominável prática nos tribunais do júri. Os machos alfa eram transformados em vítimas, culpando as fêmeas beta por suas próprias mortes. Esse olhar enviesado foi finalmente abolido, mas demorou para que ficasse evidente quem deveria ser responsabilizado.

Com o tempo, uma lei foi implementada assegurando “medidas protetivas” para as mulheres, embora, na prática, essas medidas não protejam ninguém de fato. O procedimento é o seguinte: a mulher agredida ou ameaçada vai à delegacia, registra um boletim de ocorrência, a Polícia solicita as garantias necessárias e a Justiça decide: o juiz determina essas medidas, que são arquivadas, indicando que o acusado não pode se aproximar a menos de 300 metros e… nada mais. Não é raro que o agressor retorne, cometendo novos atos violentos. A realidade não evoca respostas legais e há quem considere essas medidas ineficazes como solução. Onde iremos parar? Mesmo assim, uma iniciativa intitulada “E agora, José?” foi criada por alienígenas: diante das agressões, propunha resolver o agressor, ao invés de proteger a mulher. Absurdos culturais exigem educação, mudanças de comportamento, fortalecimento dos laços familiares e repúdio a atitudes primitivas. Recentemente, uma escola de prestígio na zona oeste precisou punir estudantes que fizeram uma lista de “meninas estupráveis”. Uma situação alarmante.

*Jornalista e escritor

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