BNDES registra investimento recorde de R$ 6,4 bilhões em 2025 em biocombustíveis | BNDES
Pressionado para garantir a segurança no fornecimento e ao mesmo tempo promover a transição para um modelo mais sustentável, o setor energético global encontra nos biocombustíveis um caminho já testado com sucesso. A demanda por esses produtos pode crescer até quatro vezes ao longo dos próximos 25 anos. Contudo, sem avançar em escala, tecnologia e regulação, a perspectiva é de um possível déficit de até 45% na oferta já em 2040.
As constatações estão presentes em um estudo realizado pela consultoria Bain & Company, que indica que o Brasil tem condições de liderar o fornecimento de soluções de baixa emissão e disponibilidade para os consumidores. Além de se beneficiar do parque de biocombustíveis construído ao longo das últimas décadas, o país também se propõe a avançar, com base na Lei do Combustível do Futuro, que fixa metas para o crescimento da utilização não só dos combustíveis tradicionais, como etanol e biodiesel, mas também dos novos biocombustíveis, caso do biometano e do combustível sustentável de aviação e marítimo.
Para atingir essa meta, será necessário realizar investimentos – uma missão para a qual o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem contribuindo de forma consistente. Em 2025, a instituição aprovou R$ 6,4 bilhões em créditos para a produção de biocombustíveis – valor que superou o recorde histórico, de R$ 4,8 bilhões, registrado em 2010. A partir de 2023, o banco intensificou o apoio ao setor, dando suporte a projetos diversificados de geração de energia a partir de etanol de milho e trigo, além do biometano. Nos últimos três anos, já foram aprovados R$ 13,3 bilhões, cifra 204% maior que a alcançada entre 2019 e 2022.
Ao financiar energia limpa e renovável, o BNDES fortalece a indústria nacional, contribui com a redução das emissões e consolida o país como protagonista da transição energética justa e sustentável, como afirma o presidente da instituição, Aloizio Mercadante. “O mundo vive uma transição energética decisiva, e o Brasil, com uma das matrizes mais limpas do G20 e enorme disponibilidade de recursos naturais, tem uma oportunidade histórica de liderar a economia verde e gerar crescimento com sustentabilidade”, diz ele.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES — Foto: Divulgação/Marcos André Pinto
O mundo vive uma transição energética decisiva, e o Brasil, com uma das matrizes mais limpas do G20 e enorme disponibilidade de recursos naturais, tem uma oportunidade histórica de liderar a economia verde e gerar crescimento com sustentabilidade”
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
“Há pouco mais de 50 anos o Brasil possui uma política pública dedicada ao uso do etanol em nossos veículos leves, e há mais de 20 anos ao uso do biodiesel nos veículos pesados. O BNDES, por ter uma visão de longo prazo, se posiciona mantendo seu apoio ao setor de biocombustíveis. Isso se deve à Nova indústria Brasil (NIB), que tem estimulado investimentos por todo o Brasil”, reforça José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior.
De acordo com a divisão de pesquisa estratégica da Bloomberg, o BNDES é o maior financiador de energias renováveis do mundo, com US$ 36 bilhões desembolsados para projetos do tipo entre 2004 e 2023, à frente de outros bancos de desenvolvimento e comerciais internacionais.
Ao financiar projetos de energia limpa, o BNDES ajuda a estruturar uma base sólida para a transição energética e para a descarbonização da economia. Diante dos desafios característicos de um setor intensivo em tecnologia de ponta, o banco contribui para reduzir o custo do capital, atrair investimento privado e fortalecer cadeias produtivas nacionais ligadas à inovação tecnológica, como biocombustíveis, hidrogênio verde e energias solar e eólica.
Entre as iniciativas impulsionadas está a pesquisa e o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de substituir em média 35% o consumo de óleo diesel por etanol em veículos pesados, sem perda de desempenho, e a implantação de um corredor verde no estado de São Paulo, compreendendo a construção de três postos de abastecimento de biometano em Sumaré, Cubatão e Ribeirão Preto. Além disso, recentemente foi aprovado um financiamento no valor de R$ 950 milhões para a construção de uma usina de etanol de milho em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, com a capacidade de processar, anualmente, até 1 milhão de toneladas de milho, 498 milhões de litros de etanol, 24,9 mil toneladas de óleo vegetal e 185 GWh de energia elétrica.
José Luis Pinho Leite Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES — Foto: Marco Sobral/G.Lab
Há pouco mais de 50 anos o Brasil possui uma política pública dedicada ao uso do etanol em nossos veículos leves, e há mais de 20 anos ao uso do biodiesel nos veículos pesados. O BNDES, por ter uma visão de longo prazo, se posiciona mantendo seu apoio ao setor de biocombustíveis”
— José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES
O banco dispõe de várias linhas de financiamento para apoiar os investimentos de transição energética do país via biocombustíveis, como Fundo Clima, BNDES Mais Inovação, BNDES Finem, Debêntures e BNDES Finame Baixo Carbono.
“De todas as linhas que podem ser usadas pelo setor, a principal é o Fundo Clima, que é a mais acessível, e um dos principais instrumentos de financiamento no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB)”, informa Gordon. “Também podemos utilizar o BNDES Mais Inovação para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e para implantação de plantas pioneiras, como na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e de diesel renovável”, completa.
As linhas de financiamento podem sustentar a expansão da carteira de novos projetos de biometano a partir de resíduos sólidos e de biomassa vegetal e animal, além de iniciativas com biocombustíveis avançados.
“O BNDES atua para transformar as vantagens do país em escala industrial, apoiando pesquisa, inovação e a construção de cadeias produtivas completas e sustentáveis”, diz Mercadante. “Mais do que financiar projetos isolados, busca consolidar um novo setor, capaz de gerar empregos, agregar valor e posicionar o país na liderança da transição energética global. Investir em energia renovável é investir no futuro do Brasil: mais sustentável, competitivo e soberano.”
Brasil amplia protagonismo em energia limpa
BNDES acelera a transição energética com investimentos recordes em etanol, biometano e SAF
- R$ 6,4 bilhões em créditos aprovados pelo BNDES para biocombustíveis em 2025 — recorde histórico
- US$ 36 bilhões desembolsados pelo BNDES em energias renováveis entre 2004 e 2023
- 4x maior – aumento estimado da demanda global por biocombustíveis nos próximos 25 anos*
- 498 milhões de litros de etanol por ano serão produzidos em nova usina financiada na Bahia
*segundo estudo da consultoria Bain & Company
— Foto: Divulgação
Créditos



