Brasil se destaca no mundo por sua resiliência contra o colapso e pelo avanço da democracia
Apesar dos ataques contra a imprensa, a liberdade de expressão e as instituições, o Brasil reverte o autoritarismo e evita o desmantelo da democracia, aponta estudo Democracy Report 2026 do Instituto V-DEM
Riselda Morais – São Paulo – O Brasil é um dos raros casos de melhoras na democracia, enquanto o mundo enfrenta 15 anos de estagnação na democratização, segundo o estudo Democracy Report 2026 do Instituto V-DEM.
De acordo com o estudo, a democracia no mundo regrediu e retornou aos níveis de 1978 para o cidadão médio global, no entanto, em meio ao declínio global, o Brasil surge como um dos raros exemplos de sucesso na reversão do autoritarismo.
Apontado no relatório como ”autocratização do Brasil” após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, quando acentuaram-se os ataques a liberdade de imprensa, liberdade de expressão, a mídia como um todo e as instituições, que são consideradas primeiras peças do dominó a cair e puxar as demais, em um processo de autocratização, o estudo aponta a resiliência do Brasil ao reverter o autoritarismo. Por isso, o Brasil foi classificado pelo V-DEM como uma nação em ”U-TURN”, ou seja, uma nação em retomada democrática, que ocupa a 28ª posição entre 179 países no Índice de Democracia Liberal e tem pontuação de 0,70.
O estudo aponta que, os ganhos da “terceira onda de democratização”, iniciada em 1974 em Portugal, estão quase erradicados. Na Europa Ocidental e na América do Norte a democracia está em seu nível mais baixo em mais de 50 anos, principalmente devido a autocratização em curso nos EUA que, devido a deteriorização institucional, perderam o status de mais de 5 décadas como uma democracia liberal e foram rebaixados para democracia eleitoral, ocupando a 51ª posição entre 179 países.
O estudo diz ainda que, sob a presidência de Trump, a democracia nos EUA retrocedeu ao mesmo nível de 1965. Contudo, a situação é fundamentalmente diferente da época do Movimento pelos Direitos Civis. Diz também, que o segundo mandato do presidente Trump pode ser resumido como uma rápida e agressiva concentração de poderes na presidência e que, a velocidade com que a democracia americana está sendo desmantelada atualmente é sem precedentes na história moderna.
No final de 2025 haviam, segundo o V-DEM, 92 autocracias e 87 democracias no mundo. A maioria, 74% da população mundial, 6 bilhões de pessoas vivem autocracias e apenas 7% da população mundial, seiscentos milhões vivem em democracias liberais. Outras 3,4 bilhões de pessoas, que residem em 44 países vivem em processo de autocratização.
Ainda de acordo com o estudo, a censura a mídia continua sendo a tática mais comum entre governos de 32 países em processo de autocratização; a repressão a sociedade civil está aumentando e já afeta 30 países; a tortura está sendo cada vez mais usada para suprimir a oposição política.
O estudo aponta que existem dez países em Democratização de Reversão em curso. As reviravoltas são países que, após um período de autocratização, estão agora se redemocratizando e podem ser considerados casos de “autocratização interrompida e revertida”. Nove desses países iniciaram seus episódios como democracias: Polônia; Brasil; Bolívia; Tailândia; Benin; Zâmbia; Botsuana; Guatemala; Lesoto e Maurício.
Entre os países em processo de democratização o Brasil é de longe o maior em termos de população, seguido pela Tailândia e pela Polônia. Os três são países que passaram por uma reviravolta, o que significa que estão se recuperando da autocratização e restaurando seus níveis iniciais de democracia. Os direitos civis e a igualdade perante a lei, bem como a liberdade de expressão e de imprensa, estão agora em seus níveis mais baixos em 60 anos, diz o estudo e alerta que a sociedade brasileira continua profundamente polarizada.
O estudo aponta ainda que o assédio a jornalistas, a intimidação legal contra veículos de imprensa e a retórica agressiva que rotula jornalistas como ”inimigos do povo”, aumentou em mais de 30 países. O documento destaca que, em mais de 60% dos países que retomam a democracia, restauram os direitos da mídia e das liberdades acadêmicas, reduzem o assédio e a perseguição aos jornalistas, permitindo que a imprensa volte a exercer seu papel crítico.
Regimes do Mundo
A democratização acontece quando um país está se tornando mais democrático, pode começar em uma autocracia (liberalização) ou em uma democracia (aprofundamento). A liberalização não leva necessariamente a uma democracia, mas quando leva, acontece a transição democrática.
Já a autocratização pode começar em uma democracia, há o retrocesso ou em uma autocracia e há uma regressão.
O retrocesso nem sempre leva a uma autocracia, mas quando leva, entra-se em colapso democrático.
Existem no mundo, quatro tipos de regimes:
– Democracias Liberais
– Democracias Eleitorais
– Autocracias Eleitorais
– Autocracias Fechadas
Na Democracia Eleitoral tem eleições multipartidárias para o executivo, livres e justas; graus satisfatórios de sufrágio (votar e ser votado).
Na Democracia Liberal os requisitos da democracia eleitoral são atendidos; existem restrições judiciais e legislativas ao executivo, juntamente com a proteção das liberdades civis e a igualdade perante a lei.
A principal diferença é que a democracia eleitoral foca na eleição de representantes , no direito de votar e ser votado, enquanto a Democracia Liberal assegura freios e contrapesos como um judiciário forte e independente e liberdade de imprensa.
No regime de Autocracia Eleitoral existem eleições multipartidárias para o executivo mas não são livres e nem justas, são manipuladas, desiguais ou a oposição é perseguida; o poder é concentrado e as liberdades civis essenciais são restritas.
Na Autocracia Fechada não tem eleições multipartidárias para o executivo e não há componentes democráticos fundamentais. Não tem liberdade de expressão. Não tem liberdade de associação e nem eleições livres e justas.
A principal diferença entre as duas autocracias é a existência de eleições na autocracia eleitoral. Mas são eleições sem garantias democráticas, sem liberdade, justiça, competitividade, enquanto a autocracia fechada não realiza eleições multipartidárias significativas para o executivo.
As autocracias são regimes autoritários, que concentram o poder nas mãos de um líder, suprimem as liberdades civis, oposições e direitos políticos e caracterizam-se por censura e perseguição a opositores.
Muitos dos países que se tornaram autocratizados são países com grandes populações, como Índia, Indonésia, México, Paquistão, Reino Unido e Estados Unidos.

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