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Cães farejadores contra o câncer: Pesquisa inovadora da Ufes abre espaço para participação de cientistas e estudantes

Cães farejadores contra o câncer: Pesquisa inovadora da Ufes abre espaço para participação de cientistas e estudantes

Cães farejadores contra o câncer: Pesquisa inovadora da Ufes abre espaço para participação de cientistas e estudantes

Imagine identificar doenças graves como câncer, tuberculose e esquistossomose ainda em estágios iniciais por meio do olfato altamente sensível de cães treinados. Essa proposta revolucionária de inovação em saúde é o motor de uma pesquisa científica desenvolvida no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O projeto busca criar novos métodos de rastreamento populacional baseados na detecção de padrões moleculares e acaba de ganhar um canal aberto para a participação ativa de estudantes e pesquisadores que queiram atuar na linha de frente da ciência capixaba.

Coordenado pelo professor Carlos Graeff, o estudo foi aprovado no Edital Fapes nº 22/2025 – Apoio a Núcleos Capixabas de Excelência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e conta com um investimento de cerca de R$ 559 mil. A iniciativa, intitulada “Desenvolvimento e avaliação de métodos de rastreamento de esquistossomose, tuberculose e do câncer, empregando detecção de padrões moleculares”, gera uma grande rede de cooperação de alta tecnologia. O ecossistema reúne mentes brilhantes da Ufes, de instituições nacionais como as universidades federais de Sergipe (UFS) e Minas Gerais (UFMG), além de colaboradores internacionais da Austrália e Nova Zelândia.

Inteligência artificial e faro animal

A pesquisa combina duas abordagens disruptivas: o treinamento especializado de cães farejadores para reconhecer padrões químicos associados a enfermidades e o uso da espectrometria de infravermelho próximo (NIRS), uma tecnologia de ponta capaz de identificar alterações moleculares em materiais biológicos. Segundo Carlos Graeff, a ideia representa uma quebra de paradigma no setor de diagnósticos.

“Historicamente, os métodos diagnósticos procuram um alvo específico, como uma célula cancerosa ou determinada molécula. O diagnóstico por detecção de padrões segue outra lógica: ele observa conjuntos de sinais e comportamentos químicos. Consideramos que esse pode ser um caminho muito promissor para o futuro da medicina”, explica o coordenador.

Os cães possuem uma capacidade olfativa extraordinária e conseguem detectar quantidades mínimas de substâncias químicas. O princípio do estudo parte do fato de que determinadas doenças deixam rastros moleculares no organismo — inclusive em amostras simples de coletar, como a urina. A proposta inicial prevê o treinamento de cinco a dez cães, além da coleta de centenas de amostras biológicas.

Como a comunidade pode participar e fortalecer a saúde pública

Caso os resultados sejam positivos, o método funcionará como uma ferramenta de triagem em larga escala, barata e altamente sensível, capaz de encaminhar pacientes rapidamente para exames confirmatórios. “A primeira grande aplicação é na saúde pública, fazendo uma varredura populacional para o diagnóstico precoce. É uma estratégia com grande potencial de prevenção”, destaca Graeff.

Para os interessados em construir essa história, o projeto terá forte participação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado, além de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, ampliando a capacidade científica local. O financiamento da Fapes permitirá a aquisição de equipamentos especializados e a estruturação de ambientes inéditos no Brasil para o manejo e treinamento dos animais.

A cooperação internacional com a University of Waikato, da Nova Zelândia — referência global em cães farejadores no diagnóstico de câncer de pulmão —, chancela a nova fase do projeto, que agora inicia a coleta de amostras biológicas e a organização da área de trabalho. É a ciência do Espírito Santo abrindo as portas para novos talentos revolucionarem a medicina global.

Saiba como participar

Para pessoas interessadas em participar da iniciativa ou obter mais informações sobre o projeto, a equipe de pesquisa está recebendo manifestações de interesse. A proposta busca selecionar cães e tutores para integrar as próximas etapas do estudo e ampliar a rede de colaboradores da pesquisa. Quem se interessar pode fazer contato pelo telefone (51) 99981-8599 e o e-mail caes.cancer@gmail.com

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