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Candidatos ao Senado por SP ignoram regulação de redes no combate à violência contra a mulher

Candidatos ao Senado por SP ignoram regulação de redes no combate à violência contra a mulher

Candidatos ao Senado por SP ignoram regulação de redes no combate à violência contra a mulher

Nove dos candidatos ao Senado por São Paulo mais bem colocados nas pesquisas foram questionados sobre propostas para enfrentar a violência contra a mulher. Nenhum deles mencionou a regulação de redes sociais como ferramenta de combate. O levantamento foi feito pelo SP1, da Globo, que entrevistou os concorrentes com maior intenção de voto segundo o Datafolha.

O que dizem os candidatos

Os candidatos de diferentes espectros politicos apresentaram propostas como endurecimento de penas, delegacias da mulher 24 horas e uso de tornozeleiras eletronicas para agressores. Ricardo Salles (Novo), Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Marcio Alves (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e Andre do Prado (PL) responderam a pergunta, cada um com 40 segundos. Nenhum deles citou a regulacao das plataformas digitais como medida para conter a disseminacao de conteudo misogino.

Por que a regulacao importa

Medidas punitivas, como aumento de penas e delegacias especializadas, atuam depois que o crime ja aconteceu. A pesquisadora Bruna, autora do livro Machosfera, argumenta que a regulacao das redes atacaria a raiz do problema: algoritmos que lucram com a propagacao de discurso de odio contra mulheres.

So punir nao resolve, afirma a pesquisadora. A gente tem que pensar em outras formas de politicas publicas para pensar de maneira mais incisiva na prevencao e tambem numa desradicalizacao dessa misoginia.

Segundo Bruna, as plataformas continuam construindo algoritmos que entregam misoginia. No primeiro semestre deste ano, videos que simulavam o esfaqueamento de garotas caso elas recusassem encontros romanticos circularam livremente em redes como TikTok e Instagram. Canais de coach de masculinidade hospedados nas plataformas alimentam diariamente milhares de jovens com conteudo radicalizador.

Consentimento e prevencao

Alem da regulacao, a pesquisadora defende o que chama de letramento sobre consentimento. Os meninos entenderem o que e consentimento, e as meninas entenderem o que e consentimento, porque muitas meninas aceitam a violencia. Porque elas acham que elas tem que se submeter aquilo mesmo, explica.

A difusao de conteudos misoginos tem consequencias reais. Mensagens trocadas pelo tenente-coronel da PM que matou a esposa, tambem policial, no caso Gisele, revelam consumo frequente de canais de redpill e discurso de odio contra mulheres. O crime chocou o estado e reacendeu o debate sobre o impacto das redes na radicalizacao de agressores.

Omissao que preocupa

A ausencia do tema regulacao nas propostas dos candidatos ao Senado por Sao Paulo preocupa especialistas. Enquanto outros pais avançam na discussao sobre responsabilizacao de plataformas digitais, o Brasil segue sem legislacao especifica. O PL 2630, conhecido como PL das Fake News, que trata da regulacao das redes, segue travado no Congresso.

Para Bruna, enquanto nao houver uma politica seria de regulacao, a violencia vai continuar acontecendo. Os homens vao continuar se alimentando desse odio.

A discussao ganha ainda mais relevancia em ano eleitoral. Os candidatos ao Senado por SP terao a chance de apresentar propostas concretas sobre o tema nos debates e no horario eleitoral que comeca nesta sexta-feira (28). Ate agora, o silencio sobre a regulacao das redes preocupa quem acompanha o avanço da violencia politica e de genero no pais.

O estado de Sao Paulo concentra o maior numero de feminicidios do pais. Em 2025, foram 230 casos. Especialistas apontam correlacao direta entre o crescimento do discurso de odio online e o aumento da violencia letal contra mulheres.

Foto: Reproducao/G1

Links: G1 | Horario eleitoral comeca com vantagem de Tarcisio em SP

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