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Com cargo de líder incerto, Jaques enfrenta crise desde rejeição de Messias

Com cargo de líder incerto, Jaques enfrenta crise desde rejeição de Messias

Com cargo de líder incerto, Jaques enfrenta crise desde rejeição de Messias

Com imagem prejudicada após ser alvo de operação da PF (Polícia Federal), o senador Jaques Wagner (PT-BA) tem a permanência incerta no cargo de líder do governo do Senado. O desgaste, no entanto, se arrasta desde a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Há dois meses, o líder do governo no Senado já havia ficado na berlinda durante a votação do nome do advogado-geral da União. O Palácio do Planalto calculava uma aprovação com 45 votos, mas o que se viu foi uma reprovação histórica, com 42 contrários e apenas 34 favoráveis. Um dos principais responsabilizados pelo cálculo errado, pela deficiência na articulação e por não ter alertado o Planalto foi justamente o senador.

Na ocasião, o próprio líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), colocou em questão a permanência de lideranças no Congresso. Mesmo dizendo que uma “caça às bruxas” não resolve os problemas, o deputado afirmou que alguns líderes estavam passando por uma espécie de “desgaste”.

“Mapear traições não resolve nada, aprofunda os conflitos. Podia ser uma tática, mas o caminho é recompor a base do governo no Senado, recolocar o papel das lideranças, se coloca outras lideranças ou não. Tem que dialogar. Certamente alguns já se desgastam”, disse na época.

Em dezembro do ano passado, a atuação de Jaques já havia sido questionada e alvo de críticas do Planalto após a votação do PL da Dosimetria de penas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Enquanto o governo se posicionou contrário à proposta, Jaques deu aval para a votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) com o objetivo de garantir a análise de medidas da pauta econômica.

Na ocasião, o senador afirmou não se envergonhar pelo acordo costurado, mesmo sem aval do Planalto, e disse estar “tranquilo” na condução da sua liderança.

Após o descompasso, o então líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), admitiu que “faltou diálogo” sobre a análise do PL da Dosimetria entre a então ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, e Jaques Wagner.

Troca incerta

O cenário eleitoral pesa para uma reavaliação do Planalto sobre a manutenção de Jaques no cargo. O Planalto quer descolar a imagem do senador para evitar efeitos negativos na pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.

Em posicionamentos oficiais, o PT saiu em defesa de Jaques e deu voto de confiança ao parlamentar, que é um quadro histórico da sigla. Aliados do governo, no entanto, já admitem nos bastidores a necessidade de troca na liderança para evitar contaminar a campanha de Lula.

Nas redes sociais, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), expôs pensamento nessa linha. “Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência”, afirmou Correia em publicação no X.

No Planalto, a avaliação é de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com Jaques e outros aliados. Como a CNN mostrou, o chefe do Executivo conversou por telefone com o senador e com ministros sobre o caso. Uma conversa entre o senador e o presidente é esperada nos próximos dias em Brasília.

Em entrevista, Jaques indicou que não está disposto a entregar o cargo. Na visão de aliados, a renúncia da função partindo do próprio senador seria o melhor cenário para a campanha do Lula, evitando riscos de prejudicar o seu palanque na Bahia.

O nome mais cotado atualmente para substituir Jaques é o do senador Camilo Santana (PT-CE). Ex-ministro da Educação e aliado próximo de Lula, o senador não será candidato no pleito deste ano e, portanto, permaneceria na capital federal durante o processo eleitoral.

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