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Conflito no Irã: como a alta do petróleo pode impactar a economia capixaba

Conflito no Irã: como a alta do petróleo pode impactar a economia capixaba

Conflito no Irã: como a alta do petróleo pode impactar a economia capixaba

O estado do Espírito Santo pode ser impactado pela guerra no Irã através do aumento das receitas, de acordo com a pesquisa da Apex Partners “Conflito no Irã: Impactos para o Brasil e Onças Brasileiras”. Como o segundo maior produtor de petróleo do país e o segundo maior arrecadador de royalties do petróleo em relação à receita estadual, o Espírito Santo se destaca nesse cenário.

Enquanto estados voltados para a agroindústria, como Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, são mais afetados pela alta dos preços de derivados e combustíveis, o Espírito Santo se beneficia por extrair e exportar a commodity.

A elevação do preço do petróleo (brent) – saindo de menos de US$ 60 no final de 2025 para ultrapassar os US$ 130 – aumenta diretamente a receita dos royalties repassados ao estado e amplia o valor das exportações capixabas de petróleo. Esse efeito pode compensar, ao menos parcialmente, os incrementos nos custos logísticos e cambiais decorrentes do conflito.

O Brasil também pode se beneficiar de um choque prolongado nos preços do petróleo, de acordo com a pesquisa da Apex. Apesar de ainda importar parte de seu consumo e de derivados refinados, o país possui superávit no comércio exterior de petróleo bruto e uma das maiores reservas de pré-sal do mundo.

Analistas afirmam que, a curto prazo, o impacto sobre o PIB brasileiro tende a ser neutro, com os ganhos do setor de energia compensando parte das pressões inflacionárias.

Entretanto, a situação se complica quando se trata de derivados. Os preços dos combustíveis no mercado interno não sobem imediatamente, devido aos estoques existentes e à dinâmica de repasse da Petrobras, o que cria uma defasagem. Contudo, se os preços do barril permanecerem elevados por um período prolongado, o repasse se torna inevitável, afetando diretamente a inflação e a política monetária, especialmente a gasolina, que representa mais de 5% do IPCA.

Nesse cenário, o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes de juros, já que analistas têm revisado para baixo as expectativas de redução da Selic na reunião do Copom de março.

O diesel agrava a situação de forma indireta, pois, com o transporte rodoviário sendo responsável por cerca de 80% da movimentação de cargas no Brasil, qualquer aumento no preço do combustível se propaga por toda a cadeia produtiva, afetando desproporcionalmente os estados com maior densidade de exportação agrícola. A pressão sobre fertilizantes e resinas petroquímicas completa o ciclo de transmissão.

O Espírito Santo, além de ser um exportador de petróleo, também possui uma menor dependência relativa de importações do Golfo, o que lhe confere uma proteção única entre os estados brasileiros.

De acordo com o estudo da Apex, a longo prazo, o conflito pode acelerar a realocação de investimentos produtivos para países que ofereçam estabilidade, capacidade logística e oferta de energia, áreas em que os estados brasileiros, em especial o Espírito Santo, têm vantagens comparativas reais.