Construtora Riformato acumula atrasos
Título: Construtora Riformato acumula atrasos
Inúmeras reclamações têm chegado à redação nas últimas semanas. E-mails relatando o mesmo problema: a falta de profissionalismo de uma construtora localizada no bairro do Carrão, chamada Riformato.
As reclamações apontam uma série de questões. De acordo com relatos de clientes, a empresa tem descumprido os prazos de entrega de imóveis adquiridos ainda na planta, acumulando atrasos que, em alguns casos, já ultrapassam dois anos – com obras que nem sequer foram iniciadas ou que estão atualmente paralisadas.
Os compradores afirmam que, após assinarem os contratos e efetuarem pagamentos expressivos, têm enfrentado dificuldades para obter qualquer tipo de retorno da empresa.
A equipe de reportagem tentou contato com o telefone fixo divulgado no site, porém sem sucesso. Por outro lado, o número de celular fornecido foi atendido prontamente e, para surpresa da reportagem, estava vinculado a uma operadora de TV a Cabo e Internet, não tendo conexão direta com a construtora.
O responsável pelo empreendimento, Marcelo Riformato, conforme os relatos, não tem respondido às tentativas de comunicação e tampouco apresentado previsões concretas para a entrega das unidades.
Cliente prejudicada
Carolina Silva, de 29 anos, foi uma das clientes lesadas. Ela relatou que, entre 2023 e 2024, começou a procurar construtoras para adquirir a casa própria e encontrou, por meio do Instagram, um anúncio de um corretor da Construtora Riformato.
“O que era um sonho se transformou em pesadelo! Entrei em contato e o corretor Marcelo me forneceu todas as informações, garantindo que o imóvel estaria pronto em dezembro de 2025. Visitei o estande, localizado próximo ao imóvel, e fiquei encantada com a decoração dos ambientes. Acertamos os detalhes, documentação e, em 30/04/2024, adquiri o imóvel. Contudo, em 2025, comecei a ver várias reclamações no Reclame Aqui e no Instagram da Construtora Riformato, o que me deixou extremamente preocupada: atrasos nas entregas, obras paradas em diversos empreendimentos e rescisões de contratos não honradas”.
Ao procurar a empresa, Carolina foi informada de que as obras haviam sido temporariamente interrompidas, com a promessa de retomada, o que ainda não aconteceu. Mesmo diante da incerteza, ela afirmou ter mantido os pagamentos em dia. Trocou mensagens com Marcelo Riformato, que se mostrou evasivo em suas respostas, não fornecendo informações claras sobre a retomada das obras ou a devolução do valor investido.
Em uma das respostas, quando a cliente questionou a alteração do prazo de entrega no site, Marcelo respondeu que o prazo do contrato assinado era o que valia.“O que importa é o prazo do seu contrato. Retomaremos as obras com rapidez nas próximas semanas e, tão logo possível, chamaremos todos os clientes para reajustar os prazos, sempre tentando não prejudicar nossos clientes”.
Posteriormente, sem mais nenhum contato por parte da Construtora, Carolina foi incluída em um grupo de WhatsApp com mais de 60 pessoas, todas relatando problemas semelhantes relacionados aos empreendimentos da empresa.
Reportagem tentou “comprar unidade”
Pesquisando no CREA, a reportagem verificou que o registro de engenheiro civil de Marcelo Riformato está ativo, assim como o CNPJ da Riformato & Estruturalle Construtora e Incorporadora LTDA. Tentamos demonstrar interesse em um dos empreendimentos, tanto por e-mail quanto por cadastro, porém nenhum corretor de imóveis nos respondeu.
No entanto, os anúncios das unidades continuam ativos nas redes sociais da empresa.
No site oficial da empresa, são apresentados diversos empreendimentos com forte apelo visual e promessas de valorização imobiliária. As páginas destacam apartamentos modernos, com acabamentos de alto padrão, localização estratégica e condições facilitadas de pagamento – características atrativas para investidores e famílias em busca do primeiro imóvel. Imagens ilustrativas, plantas bem elaboradas e descrições que realçam conforto e praticidade compõem o material de divulgação, criando a expectativa de um investimento seguro.
No entanto, a realidade descrita pelos clientes contrasta com o marketing apresentado.
No perfil oficial da construtora no Instagram, são feitas publicações promovendo novos empreendimentos e oportunidades de compra. Nos comentários, entretanto, acumulam-se críticas e denúncias de consumidores insatisfeitos. Há relatos de compradores cobrando posicionamento da empresa, mencionando atrasos nas obras, falta de transparência e até mesmo alegando terem sido “abandonados” após a assinatura dos contratos. Em alguns casos, usuários alertam outros interessados para que evitem fechar negócio com a construtora.
Luana Silva de Oliveira é outra compradora que denunciou o empreendimento na Rua Criúva, na Vila Progresso, em São Miguel Paulista. Segundo ela, a Riformato vendeu um apartamento em julho de 2023, por mais de R$ 160 mil, com a promessa de entrega até o final de dezembro de 2025. Contudo, as obras estão paradas há dois anos e, mesmo após várias tentativas, ela afirma não conseguir informações sobre o motivo da paralisação. Luana solicitou a rescisão do contrato em maio do ano passado, mas relata que não obteve retorno e segue sem resposta.
“Já registrei reclamações no Consumidor.Gov, Procon-SP, Reclame Aqui e aguardo respostas que não chegam. O escritório da empresa está fechado, alguns stands também. E, pelo visto, somos muitos que continuaremos, Deus sabe até quando, sem resposta”.
Obras atrasadas
Destacam-se entre as obras paralisadas, o Residencial Itaquá, Residencial São Marinho, Mix Tower Tatuapé, Residencial Antonina II, Residencial Guaraqueçaba II, Sete de Setembro II, Vila Antonieta II, PASSIONE IV.
O que determina a Lei?
Do ponto de vista legal, especialistas ressaltam que os consumidores têm direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Entre eles, o cumprimento da oferta – ou seja, tudo prometido em contrato e publicidade deve ser respeitado.
Em caso de atraso na entrega do imóvel, o comprador pode exigir indenização, solicitar a rescisão do contrato com reembolso total dos valores pagos (corrigidos) ou até mesmo pleitear danos morais, conforme a situação.
Além disso, a legislação brasileira impõe deveres claros ao responsável pela construtora, como a obrigação de transparência, fornecimento de informações adequadas e cumprimento dos prazos estabelecidos.
O descumprimento dessas obrigações pode resultar em ações judiciais individuais ou coletivas, além de investigações por órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
Diante do aumento das reclamações, cresce a mobilização entre os clientes prejudicados, que buscam orientação jurídica e avaliam medidas coletivas para responsabilizar a empresa e garantir seus direitos.
Enquanto isso, permanecem à espera de respostas – e, principalmente, da realização de um sonho que, até o momento, está apenas no papel.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Reprodução.
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