Cury financia própria campanha e busca doações após alta
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) é o maior doador da própria campanha eleitoral. Dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o escritor doou R$ 150 mil dos R$ 217 mil arrecadados até agora pela candidatura, o equivalente a quase 70% do total de recursos declarados. Com o crescimento nas pesquisas, a campanha corre contra o tempo para atrair novos doadores.

Pelo acordo entre o presidenciável e a cúpula do Avante, todo o Fundo Eleitoral da legenda foi reservado para as campanhas de deputado federal. O foco do partido neste ano é superar a cláusula de barreira e ampliar sua bancada no Congresso. Com essa decisão, a campanha de Cury depende quase exclusivamente de doações de pessoas físicas.
O candidato a vice-presidente na chapa, Júlio Delgado, explicou à CNN Brasil que o partido destinou apenas R$ 50 mil do Fundo Partidário para a campanha presidencial. “As pessoas não viam perspectiva, mas agora veem. O combinado com o partido será mantido e vamos buscar doações”, afirmou Delgado.
Pesquisas mudam o jogo da campanha
A situação financeira da candidatura ganhou novos contornos depois que Cury se consolidou na terceira posição das pesquisas eleitorais. Levantamentos da Datafolha, Quaest, BTG/Nexus e Real Time Big Data colocam o candidato do Avante com índices entre 8% e 11% das intenções de voto, isolado atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O crescimento mais expressivo foi registrado pela BTG/Nexus, onde Cury saltou de 2% para 11% em apenas uma semana. No Datafolha, divulgado no dia 3 de setembro, o escritor passou de 2% (21 de agosto) para 8%. O movimento surpreendeu a própria legenda e chamou a atenção de potenciais doadores.
Diante desse cenário, a avaliação interna é que a campanha entrou em um novo patamar. Delgado afirmou acreditar que Cury pode chegar a 25% das intenções de voto em outubro e disputar o segundo turno contra Lula. O teto de gastos permitido para campanhas presidenciais é de R$ 88,9 milhões, um valor muito distante dos R$ 217 mil arrecadados até agora.
Discurso de pacificação como bandeira
A estratégia de Cury tem sido evitar confrontos diretos com adversários. O candidato aposta em um discurso de pacificação nacional e renovação política para atrair eleitores cansados da polarização entre PT e PL. Ele tenta se posicionar como uma terceira via, com propostas que mesclam liberalismo econômico e políticas sociais.
Recentemente, o candidato defendeu a proposta de mandato fixo de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal e a necessidade de responsabilidade fiscal para reduzir a taxa básica de juros. Em agenda eleitoral em Araçatuba, interior de São Paulo, Cury sugeriu que a Selic, atualmente em 14%, poderia cair para 6% ou 7% em um ano com disciplina fiscal. “Nós temos que ter responsabilidade fiscal urgente, gastar muito menos do que arrecadamos”, afirmou, conforme reportagem da CNN Brasil.
O escritor também defendeu ajustes no Bolsa Família para permitir que beneficiários mantenham o auxílio por um período após conseguirem emprego formal. “Quem assina a carteira não perde o benefício, pelo menos por um certo tempo, até se adaptar”, disse, durante evento no interior paulista.
Apelo para furar a bolha
No sábado (5), Cury pediu aos apoiadores que produzam conteúdo em apoio à candidatura. Segundo ele, enquanto adversários gastam milhões de reais por mês em impulsionamento nas redes sociais, a campanha do Avante gastou pouco mais de R$ 50 mil. “Se vocês acham que alguém como eu pode representar vocês na política nacional, como presidente, então façam vídeo de apoio”, disse o candidato.
Cury fez uma comparação bíblica para descrever sua situação: “Não é uma luta de um Davi contra um Golias. É um Davi contra um exército de Golias.” A fala reflete a percepção da equipe de que a candidatura enfrenta um desafio desproporcional de recursos diante das máquinas partidárias de PT e PL.
Ato no Rio para medir forças
O candidato do Avante tinha programado inicialmente um ato político na Avenida Paulista para o feriado da Independência. Mas mudou os planos e foi para o Rio de Janeiro, onde Flávio Bolsonaro também realiza um evento na mesma data. “Não faremos um ato contra o STF, mas pela pacificação do país”, afirmou Cury.
O movimento de Cury para o Rio tem um objetivo estratégico: medir forças com o adversário em seu próprio reduto. A aposta da campanha, nas palavras de Júlio Delgado, é que a “bolha pode ser furada”.
O que esperar daqui para frente
A campanha de Augusto Cury enfrenta dois desafios simultâneos na reta final do primeiro turno. O primeiro é financeiro: conseguir doações para sustentar o crescimento e ampliar a estrutura de campanha. O segundo é político: consolidar a terceira posição e transformar o apoio das pesquisas em votos reais nas urnas de outubro. Com um discurso de renovação e uma operação enxuta, o candidato do Avante aposta no potencial de crescimento orgânico.
Com informações da CNN Brasil
RedeBrasil




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