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Decisão de Trump sobre facções ataca a soberania do Brasil, mas não combate crime organizado

Decisão de Trump sobre facções ataca a soberania do Brasil, mas não combate crime organizado

Decisão de Trump sobre facções ataca a soberania do Brasil, mas não combate crime organizado

A partir do dia 5 de junho, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passam a ser considerados organizações terroristas pelos Estados Unidos. O anúncio feito pelo presidente Donald Trump chama a atenção por representar um risco à soberania do Brasil. O tema passou a povoar o debate das eleições presidenciais brasileiras, já que o senador Flávio Bolsonaro (PL) se colocou como grande responsável pela articulação que culminou nessa decisão.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Luís Eduardo Fernandes, professor da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), rebate a narrativa de que a decisão de Trump se deu por influência de Flávio Bolsonaro.

“Ela [a decisão] está dentro desse pacote, mas ela é parte de uma estratégia do trumpismo com relação à América Latina. É uma reatualização da chamada Doutrina Monroe, o que até eu chamo de uma reatualização de uma teoria de um espaço vital da América Latina para os Estados Unidos. E até eles dizem que a estratégia da grande América do Norte, ela está atuando em duas grandes esferas, se a gente for observar. Uma primeira grande esfera é obviamente a força. A força que eu estou falando vai desde a pressão militar até a pressão econômica. E essa é uma esfera dessa ofensiva. A outra esfera é por meio do direito, por meio de um remodelamento desse direito que na prática faz com que os Estados Unidos tenham cada vez mais poder de intervenção contínua na América Latina. Isso a gente viu na Venezuela. O projeto do Trump é transformar a Venezuela num grande protetorado estadunidense”, explica.

Fernandes também analisa a influência estadunidense em Cuba, a recente escalada de ameaças e como isso se conecta com o atual momento da relação Brasil-EUA. “Tem o bloqueio, tem ameaça de invadir e, ao mesmo tempo, você tem o indiciamento do comandante Raul Castro. E também para muita gente que achava que o Brasil estava fora desse radar, o Brasil é latino-americano. Não vamos esquecer disso. Isso faz parte desse pacote. Eu acho que isso é um dos grandes impactos, de aumentar os mecanismos de pressão, intervenção dos Estados Unidos na América Latina, incluindo o Brasil nesse sentido. É óbvio que, nesses mecanismos contínuos de intervenção, nós temos possibilidades de os Estados Unidos aumentarem sua jurisdição extraterritorial do ponto de vista de intervenções militares no Brasil, até intervenções secretas, com a desculpa, com o discurso de combate ao crime organizado”, explica.

Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), destaca que o crime organizado no Brasil não tem como objetivo derrubar o Estado ou o sistema de governo e, portanto, conceitualmente, a justificativa de Trump para enquadrar facções como terroristas não procede. “O objetivo é puramente o controle territorial em busca do lucro, do controle de mercados legais e ilegais dentro desse território dominado, ou como o PCC, que tem focado muito mais nos últimos anos no atacado internacional de tráfico de cocaína, mas também no mercado legal, tem atuado também em garimpa, ou seja, eh são diversos setores nos quais essas organizações buscam puramente o lucro das suas ações”, explica.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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