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Eleições 2026: o que vai ficar de fora, mas deveria ser incluído?

Eleições 2026: o que vai ficar de fora, mas deveria ser incluído?

Eleições 2026: o que vai ficar de fora, mas deveria ser incluído?

A política em um sentido conjuntural, análises aprofundadas, regulação das mídias, questões econômicas e seus impactos sociais e a reforma agrária são temas que devem ser negligenciados nas eleições deste ano.

A partir da provocação proposta no episódio desta semana do programa Três Por Quatro, da Rádio Brasil de Fato, Nina Fideles, diretora-geral do Brasil de Fato, e João Pedro Stédile, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), debatem temas que deveriam estar na ordem do dia, mas devem ser esnobados no debate público.

“A questão da reforma agrária é um tema muito sério em uma sociedade como a brasileira, que é, junto com a África do Sul, uma das duas sociedades mais desiguais do mundo. E por que é tão desigual? A origem histórica está nos 400 anos de escravidão, que impuseram à nossa sociedade o modelo da escravidão e a exclusão dos trabalhadores escravizados, negros, do direito à terra. Depois, nós chegamos na República ‘meio fajuta’, que, em vez de garantir o direito à terra, excluiu de novo”, diz Stédile.

Fideles aborda como a mídia comercial favoreceu e continua favorecendo a construção desse discurso elitista. “A história que se conta sobre o campo é a mesma dessa concentração de grandes veículos que se mantêm no poder, pertencentes a nove famílias. Eu acho que a gente passa por um momento de uma falsa democratização com as redes sociais, que dão a falsa ideia de que está todo mundo falando, mas a concentração de narrativa está muito intrinsecamente ligada a essa concentração midiática, à concentração de terra, à concentração de renda”, avalia.

A jornalista também destaca a estigmatização de alguns temas na imprensa. “Eu acho que a questão é sobre como debater, porque eu acho que se tem um hábito de discutir pobreza, mas não se discute causa. Eu acho que vira até um pouco midiático também. Você vai discutir, por exemplo, quando se fala da China, se fala muito bem da tecnologia utilizada, dos grandes avanços, mas não se discute a reforma agrária. É o que eles tiveram que fazer, porque precisa existir uma base para que haja um desenvolvimento como se dá hoje por lá. Eu acho que tem essa coisa de olhar superficialmente os temas, e isso vai criando a falsa ilusão de que os temas estão sendo bem tratados”, aponta.

Stédile alerta para a necessidade de rever o modelo capitalista e o monopólio da propriedade da terra, “mesmo agora, nas últimas três décadas, tendo havido pelo menos quatro governos progressistas, digamos assim, que poderiam estar a favor da reforma agrária do ponto de vista político”. “No entanto, independentemente da voltagem de governo, a propriedade da terra seguiu se concentrando. E hoje nós, de novo, alcançamos mais uma glória do capital. O Brasil, ao lado do Paraguai, é o país de maior concentração da propriedade da terra, medido pelo índice de Gini”, afirma.

Confira o programa completo abaixo:

Para ver e ouvir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.

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