Espírito Santo lidera desigualdade salarial entre homens e mulheres no país
Apesar do avanço da participação feminina no mercado de trabalho, o Espírito Santo aparece como o estado com a maior desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil. Os dados constam no 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o levantamento, as mulheres no estado recebem, em média, o equivalente a 70,7% do salário dos homens — o pior índice do país. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%). Em contraste, estados como Acre, Piauí e Distrito Federal registram as menores disparidades.
O cenário capixaba acompanha uma tendência nacional de crescimento da presença feminina no mercado de trabalho, mas sem avanço significativo na redução da desigualdade salarial. Em todo o país, as mulheres ainda ganham, em média, 21,3% a menos que os homens — índice praticamente estável em relação ao ano anterior.
O relatório aponta que o número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Entre mulheres negras (pretas e pardas), o avanço foi ainda maior: alta de 29%, saindo de 3,2 milhões para 4,2 milhões de trabalhadoras.
Avanço no emprego, desigualdade persistente
Apesar do aumento na ocupação, a diferença salarial pouco mudou. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% a menos que os homens; agora, a diferença chegou a 21,3%. No salário mediano de admissão, a desigualdade também subiu levemente, de 13,7% para 14,3%.
Os dados consideram cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). O salário médio no país é de R$ 4.594,89, enquanto o salário mediano — que representa o valor central das remunerações — é de R$ 2.295,36.
Impacto na renda e resistência das empresas
A participação feminina na massa total de rendimentos subiu de 33,7% para 35,2%, mas ainda está abaixo da presença das mulheres no mercado de trabalho, que é de 41,4%. Para que houvesse equiparação, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.
Segundo a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE, o aumento da renda feminina teria impacto direto no consumo das famílias, mas enfrenta resistência por parte das empresas devido ao custo.
O relatório também aponta avanços em políticas internas, como ampliação de jornada flexível, auxílio-creche, licenças parentais e planos de cargos e salários. Ainda assim, as diferenças regionais seguem marcantes.
A divulgação do estudo integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a obrigatoriedade da transparência salarial em empresas com 100 ou mais empregados como forma de combater a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres.



