Famílias de alunos surdos denunciam falta de intérpretes de libras em escolas da rede estadual de Campinas
Famílias de estudantes surdos denunciam escassez de intérpretes de Libras em escolas da rede estadual de Campinas
Famílias de alunos surdos estão denunciando a falta de intérpretes de Libras nas escolas da rede estadual de Campinas, em São Paulo. Em um dos casos, um adolescente de 13 anos, que se comunica exclusivamente por meio da linguagem de sinais, desistiu de frequentar as aulas devido à ausência do profissional de apoio.
A presença de um intérprete em sala de aula é assegurada pela Lei 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. A legislação determina a disponibilização de apoio educacional bilíngue para estudantes surdos desde a educação infantil ao longo de suas vidas.
Segundo dados do Censo Escolar de 2025, divulgados, das 681 escolas de Campinas, apenas 28 têm intérpretes de Libras. Contudo, a EPTV, afiliada da TV Globo, ouviu famílias que não são atendidas por esses números.
É o caso de Laura, que descobriu sua surdez aos 7 anos. Atualmente, a menina utiliza aparelhos auditivos e conta com o suporte da Libras para se comunicar. No entanto, a falta de um intérprete na sala de aula da E.E. Professor Luis Galhardo tem dificultado seu aprendizado.
“O que mais me incomoda é que os professores explicam muito rapidamente e o barulho ao fundo me incomoda bastante. Além disso, quando a bateria do meu aparelho acaba, tenho dificuldade em compreender”, comenta a estudante.
“Quando ela não entende, ela me avisa. Nós buscamos na internet, algo que eu sei. Eu tento transmitir para ela na esperança de facilitar. Seria maravilhoso se tivéssemos um intérprete”, relata a mãe, Carla Renata de Oliveira.
Gabriel também é surdo, porém, o uso de aparelho auditivo não é uma opção para ele. Ele depende da comunicação por Libras para se expressar. Sem intérprete de Libras no ensino médio, ele deixou de frequentar a E.E. Professor Moacyr Santos de Campos. Sua mãe está angustiada.
“Ele não consegue acompanhar na sala de aula sem um professor intérprete. Ele precisa e me diz todos os dias: ‘mãe, eu quero ir para a escola’. É muito triste”, desabafa a faxineira Daniela Oliveira. Com a ajuda de um intérprete, ele expressou o desejo de retornar às aulas.
Adriane Natali, presidente da Associação dos Surdos de Campinas, destaca que as dificuldades de aprendizado nessa fase podem acarretar consequências graves no futuro. “Muitos desistem. É um prejuízo enorme. Isso não afeta apenas o aprendizado e o conteúdo educacional”, comenta.
“Temos relatos de adultos surdos que ficaram deprimidos, que nunca mais voltaram a estudar, que tiveram problemas para se relacionar com outras pessoas. É um momento crucial na vida”, acrescenta.
O que diz a Seduc?
Em comunicado, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informa que está adotando medidas para garantir o atendimento a estudantes com deficiência, incluindo a disponibilização de intérpretes de Libras.
Na E.E. Prof. Moacyr Santos de Campos, um processo emergencial está em andamento, com 12 inscritos e entrevistas agendadas para a próxima semana.
Já na E.E. Prof. Luis Galhardo, será realizada uma contratação emergencial para suprir a demanda por intérpretes, com previsão de atuação na semana seguinte.



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