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Fim das bets: 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição

Fim das bets: 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição

Fim das bets: 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição

A maioria dos donos de micro e pequenas empresas brasileiras quer o fim das apostas online. Pesquisa inédita do Sebrae revela que 66% dos pequenos negócios apoiam a proibição das bets, enquanto 23,5% se dizem contrários. O levantamento ouviu 1.028 empreendedores nas 27 unidades da federação no início de outubro.

O estudo mede o efeito das apostas sobre o caixa do comércio de vizinhança. Além disso, mostra como os apostadores mudaram o comportamento de consumo nos últimos 12 meses. O resultado alimenta o debate sobre a proibição em vigor no país desde o começo do mês.

Batizado de “Percepção dos pequenos negócios sobre o fim das Bets”, o levantamento ouviu microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. A coleta ocorreu no início de outubro, logo depois de o governo federal anunciar o bloqueio das plataformas.

Apoio ao fim das bets chega a dois terços dos negócios

O apoio à medida é amplo e atravessa todo o país. Do total de entrevistados, 57% são totalmente favoráveis ao fim das bets e 8,8% apoiam a proibição em parte. Do outro lado, 17% são totalmente contra e 6% se dizem parcialmente contrários.

O sentimento no setor produtivo é de otimismo. Perguntados sobre a expectativa para as vendas com o fim das apostas, 38% esperam aumento no faturamento e 42% acreditam que as vendas vão continuar iguais. Apenas 0,6% preveem queda, o que dá mais de 60 otimistas para cada pessimista.

Ao avaliarem o impacto do fim das bets na economia local, os empresários deram nota média 6, em uma escala de zero a dez. Quase um quarto deles, 24%, atribuiu nota máxima ao efeito positivo na cidade ou região.

“As bets trouxeram uma lesão profunda na vida de milhões de famílias brasileiras. Os dados mostram com clareza que o recurso antes destinado ao consumo de bens, produtos e serviços no comércio local acabou migrando para os jogos online, afetando diretamente o caixa dos pequenos negócios”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima.

Queda no faturamento atinge 26% dos pequenos negócios

O impacto financeiro já aparece nos números. Cerca de 26% dos respondentes relataram redução no faturamento associada ao avanço das apostas virtuais nos últimos 12 meses. Outros 23% não souberam avaliar a extensão da perda, enquanto 51% não identificaram efeito direto e 0,2% registraram ganho com o segmento.

A perda do poder de compra dos clientes é o principal problema percebido no comércio de vizinhança. Do total, 48% identificaram ao menos uma mudança no comportamento do consumidor. A diminuição de dinheiro disponível para consumo foi citada por 33% dos empresários.

Como resultado, 18% relataram aumento na inadimplência ou no atraso de pagamentos. Outros 11,5% notaram maior procura por parcelamento e fiado, e 10% observaram a troca por produtos mais baratos. Soma-se a isso a pressão sobre o orçamento das famílias, que reduziu o giro do comércio em bairros de renda mais baixa.

O dinheiro que saiu do consumo local, portanto, migrou para as plataformas de aposta. Esse desvio de recursos é o ponto central da queixa dos empreendedores ouvidos pelo Sebrae.

Apostas afetam também as equipes de trabalho

O efeito das bets ultrapassou o caixa e chegou à gestão de pessoas. Entre os empreendimentos que têm funcionários, 40% afirmaram identificar impactos das apostas online sobre suas equipes.

Os comentários reunidos pelo Sebrae citam endividamento de colaboradores e pedidos frequentes de adiantamento salarial. Também aparecem relatos de apostas durante o expediente, noites mal dormidas, queda de produtividade e até desfalques financeiros nas empresas.

Além das respostas objetivas, quase metade dos empreendedores deixou comentários livres sobre o tema. Isso reforça que o assunto ocupou o dia a dia de quem toca o pequeno negócio, muito além da questão financeira.

O que esperar daqui para frente

A proibição das bets no Brasil foi instituída pela Medida Provisória 1.394/2026, assinada em 25 de setembro. A norma proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no território nacional.

Os sites e aplicativos de apostas começaram a sair do ar em 6 de outubro. O calendário da MP prevê ainda a extinção das concessões, permissões e autorizações do setor em 25 de outubro.

Ainda assim, parte dos empresários teme que os apostadores migrem para plataformas clandestinas. Esse receio apareceu na pesquisa e deve acompanhar a fiscalização nos próximos meses, com o bloqueio de sites e de transações financeiras.

Enquanto isso, o dinheiro devolvido aos apostadores já passa de R$ 1 bilhão. A tendência é que o comércio local sinta o efeito da medida ao longo do último trimestre do ano, quando as vendas de fim de ano costumam sustentar o caixa dos pequenos negócios.

Para o Sebrae, o dado reforça a necessidade de políticas de educação financeira voltadas ao empreendedor. A entidade defende acompanhamento do crédito e do endividamento das famílias nos próximos meses, para medir o efeito real da proibição no consumo.

Com informações de MundoCoop e Sebrae.

RedeBrasil

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