Flávio Bolsonaro busca marqueteiros que evitem radicalização na campanha
(FOLHAPRESS) – Depois de estabelecer apoios em pelo menos 20 estados, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) está focada em formar uma equipe política e de comunicação para explorar as críticas ao governo Lula (PT) e apresentar o senador a eleitores não alinhados aos bolsonaristas.
O objetivo é evitar extremismos, considerados um equívoco em campanhas anteriores do bolsonarismo. Por isso, políticos e profissionais de marketing próximos a Flávio afirmam que o senador deve mostrar seu perfil, visto como conciliador em comparação com o do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
Nas últimas semanas, Flávio contratou marqueteiros para a campanha e ainda pretende expandir a equipe. O senador exonerou seu assessor Fernando Nascimento Pessoa, responsável pela estratégia de suas redes sociais, para se dedicar exclusivamente à eleição.
Conforme reportado pelo Painel, o especialista em estratégia Marcos Carvalho, da AM4, juntou-se à equipe e ficará responsável pelo planejamento, gestão e produção de materiais, com uso de inteligência de dados.
Carvalho trabalhou nas campanhas de Bolsonaro em 2018 e de Lula em 2022, durante o segundo turno.
Os aliados de Flávio ainda buscam um marqueteiro experiente para coordenar a comunicação e as peças veiculadas na TV, já que o PL possui o maior tempo no horário eleitoral entre todos os partidos. Contudo, segundo políticos próximos ao senador, não há pressa para preencher essa posição, que talvez permaneça vaga.
As negociações estavam avançadas com Paulo Vasconcelos, considerado favorito entre os aliados de Flávio. No entanto, Vasconcelos trabalha com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), escolhido como candidato à Presidência pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab. Assim, o marqueteiro deve assumir a estratégia da campanha de Caiado.
Outra opção considerada foi o estrategista Jorge Gerez, que prestou serviços ao governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), por 14 anos. Após Ratinho desistir de concorrer à Presidência, Gerez se reuniu com os coordenadores da campanha de Flávio.
Participantes da reunião afirmam que Gerez é um profissional competente, mas provavelmente não será escolhido para essa função, embora possa contribuir de outras maneiras para a campanha.
O marqueteiro ressalta que o eleitor brasileiro busca mudanças e, por isso, defende que Flávio apresente um projeto de futuro. Gerez mencionou à equipe que o senador tem potencial para vencer no primeiro turno se evitar erros, como se envolver em conflitos e focar em atacar Lula em vez de defender propostas sólidas.
De janeiro até o mês passado, a estratégia da pré-campanha de Flávio também contou com a colaboração do publicitário Sergio Lima, marqueteiro de Bolsonaro na campanha de 2022, que deixou o grupo. Na ocasião, ele emitiu uma nota expressando respeito pela decisão e defendendo a harmonia entre os profissionais de comunicação.
“Respeito a decisão, desejo muito sucesso a todos. Isso não significa que eu vou sair por aí dizendo que voto no candidato adversário”, afirmou.
Lima também apoia a ideia de que Flávio deve dialogar com eleitores além de sua base e evitar confrontos como os travados por seu pai.
Outro possível integrante formal da campanha de Flávio é o publicitário Marcello Lopes, amigo do senador e frequentador da mesma igreja, ligada à Comunidade das Nações, do bispo JB Carvalho.
Até o momento, Marcellão, como é conhecido, tem oferecido conselhos informais ao senador, mas está cogitando ingressar oficialmente na equipe de campanha. O publicitário faz parte do grupo de aliados de Flávio que acreditam na diminuição da rejeição ao senador, argumentando que seu estilo ponderado é autêntico e não uma persona.
A equipe do primogênito de Bolsonaro também teve conversas com o marqueteiro Pablo Nobel, porém há incertezas sobre a viabilidade de ele conciliar a campanha presidencial do senador e a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a qual já se comprometeu.
O coordenador da campanha de Flávio será o senador Rogério Marinho (PL-RN), encarregado de elaborar o plano de governo e de lançar candidatos do PL ou da direita alinhada ao bolsonarismo para as disputas estaduais e para o Senado.
Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, o PL conta com pré-candidatos a governador em 12 estados, incluindo importantes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Também estão em andamento alianças com outros partidos em seis estados e no Distrito Federal. Cinco dessas alianças são com o União Brasil e PP, legendas que Flávio busca trazer para sua coalizão.
No Senado, a estratégia é consolidar uma maioria de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e conquistar o controle da Casa em 2027. Entre membros do PL e aliados, existem mais de 50 possíveis candidatos da direita bolsonarista.
Conforme cálculos do ex-presidente, até 35 candidatos desse grupo podem ser eleitos, ampliando a oposição a Lula para mais de 41 das 81 cadeiras do Senado.



