Fundo de “Dark Horse” surge em investigação sobre fintech suspeita de operar para o PCC
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Um mesmo fundo de investimento aparece no centro de transações envolvendo uma fintech suspeita de atuar como “banco paralelo” do PCC, a empresa usada em repasses ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e operações com debêntures privadas sigilosas ligadas ao Banco Master. O fundo é o Gold Style Fundo de Investimento em Direito Creditório, administrado pela Reag Trust.
Segundo a Folha de S.Paulo, o Gold Style fez movimentações com a BK Bank, uma das principais investigadas na Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC no mercado financeiro. Relatórios do Coaf apontam lançamentos de R$ 133,6 milhões da BK para o fundo em 2023 e outras transações, entre 2024 e 2025, de R$ 12,9 milhões.
A BK é suspeita de oferecer estrutura para empresas de fachada controladas por grupos criminosos movimentarem recursos com pouca transparência. A investigação aponta o uso de contas-bolsão em bancos, mecanismo que concentrava depósitos de diferentes clientes e dificultava o rastreamento das operações.
O mesmo Gold Style também aparece em transações de R$ 20 milhões com a Entre Investimentos e Participações. A Entre foi apontada como empresa usada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para repassar dinheiro ao “Dark Horse”, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro que tem participação direta de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
Poster do filme “Dark Horse”, baseado em Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram @therealjimcaviezel
O caso Dark Horse entrou no radar após a revelação de que Flávio Bolsonaro buscou Vorcaro para garantir repasses ao projeto. O acordo previa R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido transferidos, segundo reportagens anteriores. O grupo Entre afirma que suas operações seguem normas do setor financeiro e diz estar à disposição das autoridades.
O Gold Style também foi usado em transações de debêntures privadas e sigilosas nas quais a Reag atuou como emissora, escrituradora ou agente fiduciário. Segundo comunicação da B3 ao Coaf, foram identificadas 11 debêntures, com valor total de R$ 3,6 bilhões, envolvendo 12 fundos e três bancos: Master, Pleno e Digimais.
Criado em abril de 2020 com aporte inicial de R$ 480,1 milhões, o Gold Style chegou a patrimônio líquido de R$ 1,84 bilhão em maio de 2024, de acordo com dados da CVM. Comunicados analisados pelo Coaf apontam que operações ligadas ao fundo teriam servido para ocultar beneficiários, dificultar a identificação de envolvidos e criar camadas complexas de rastreamento.
A Reag disse que não comentaria o caso. A BK Bank não respondeu à Folha. A defesa de Vorcaro também informou que não se manifestaria. O Digimais afirmou que não comentaria por causa de processo de venda em curso, e o Pleno não respondeu.



