Governo Lula reage à tarifaço, promete reciprocidade e alfineta Flávio Bolsonaro após decisão dos Estados Unidos
Governo Lula promete corresponder ao tarifaço de Trump ameaçando superávit na relação comercial dos Estados Unidos com Brasil. Foto: Ricardo Stuckert / PR/ND
O governo brasileiro divulgou nota oficial de repúdio contra a decisão das autoridades dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos nacionais com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
No comunicado divulgado nesta quinta-feira (16), o Palácio do Planalto classificou a medida americana como unilateral e sem justificativa, anunciou que adotará medidas de retaliação comercial por meio da Lei de Reciprocidade e acusou a família Bolsonaro de colaborar ativamente com Washington para prejudicar o país por interesses eleitorais.
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Para contestar os argumentos de “práticas desleais” que fundamentaram o tarifaço norte-americano, o Executivo federal apresentou estatísticas sobre a relação comercial entre os dois países.
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De acordo com a nota, os EUA acumularam um superávit de bens e serviços de US$ 424,5 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos.
O governo brasileiro também destacou que, em 2025, 76% de todas as importações vindas dos EUA entraram no território brasileiro isentas de imposto de importação, sob uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%.
Para Lula, críticas ao Pix atenta à soberania brasileira
A manifestação oficial classificou como descabidas as contestações americanas ao funcionamento do Pix e à regulação de plataformas digitais.
O Palácio do Planalto defendeu o Pix como um “patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital” e afirmou que o país não abdicará de regulamentar o ambiente digital contra crimes.
Adicionalmente, o governo classificou as queixas sobre desmatamento como absurdas, sustentando que, desde 2023, o Brasil reduziu drasticamente o desmatamento em todos os seus biomas.
O texto cita ainda que, nas audiências do USTR, 63 das 78 entidades e pessoas inscritas se manifestaram contra as tarifas.
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Diante da oficialização das barreiras comerciais, o Planalto anunciou que dará início imediato aos trâmites jurídicos para acionar as medidas previstas na Lei de Reciprocidade, legislação que foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
O governo também confirmou que levará o caso de volta ao órgão de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na frente interna, o Executivo pretende mitigar os prejuízos aos exportadores por meio do chamado “Plano Brasil Soberano”, que prevê ações de blindagem e suporte aos setores afetados para preservar empregos e a capacidade fabril do país.
Como estratégia de longo prazo, a nota reforça a continuidade da política de diversificação de parcerias e abertura de novos mercados internacionais, citando como exemplos os acordos comerciais firmados pelo Mercosul com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura.
Planalto segue atribuindo tarifaço à articulação da família Bolsonaro
A nota da Secretaria de Comunicação Social adota tom de forte contestação política ao associar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares ao resultado das investigações em Washington.
Segundo o Planalto, o desfecho desfavorável ao Brasil “faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.
O texto oficial classifica os opositores como “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
A manifestação ainda pondera que “não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições” e que a proteção da soberania nacional constitui um dever institucional que deve se sobrepor a partidos políticos e disputas de tendências ideológicas.



