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Habib’s: recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Habib’s: recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Habib’s: recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

O Grupo Gennius, dono da rede Habib’s, conseguiu na Justiça de São Paulo a aprovação do pedido de recuperação judicial. A dívida total soma R$ 265,2 milhões. A medida foi aceita pelo juiz Jomas Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no último dia 24 de agosto.

A decisão suspende execuções de contratos e permite que a empresa mantenha o fornecimento de insumos e serviços essenciais para continuar operando. A consultoria KPMG foi nomeada administradora judicial e terá 15 dias para apresentar um parecer sobre a situação do grupo.

Habib’s: recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

O que motivou a recuperação judicial do Habib’s

O grupo atribui a crise financeira a três fatores principais. O primeiro é a mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros, que passaram a buscar opções mais saudáveis e delivery por aplicativos. O segundo é o aumento expressivo dos custos operacionais, com destaque para alimentos e aluguel. O terceiro envolve a estrutura de dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos.

A dívida de R$ 265,2 milhões está dividida em três classes: trabalhista (com créditos de funcionários e ex-funcionários), quirografária (bancos e fornecedores sem garantia) e microempresa (fornecedores de pequeno porte). O plano de recuperação deve ser apresentado em até 60 dias, sob risco de falência caso o prazo não seja cumprido.

A rede segue funcionando normalmente. As lojas continuam abertas e o atendimento ao cliente não foi interrompido. A recuperação judicial, segundo especialistas, é um mecanismo previsto em lei para preservar empresas viáveis que enfrentam dificuldades financeiras temporárias.

Em outros casos recentes, o instituto da recuperação judicial também foi usado por clubes de futebol e outras empresas — como no caso do Vitória, que enfrentou um transfer ban da Fifa após declarações polêmicas sobre o tema.

Da padaria de bairro ao império das esfihas

A história do Habib’s começou muito antes de se tornar uma das maiores redes de fast-food do Brasil. Em 1973, o estudante de medicina Alberto Saraiva, então com 19 anos, assumiu a padaria da família. O negócio era simples, mas Saraiva enxergava potencial para crescer.

Anos depois, ele adquiriu uma pequena lanchonete e conheceu o chef Paulo Abud, especialista em culinária árabe. Foi aí que a virada aconteceu. As esfihas, os kibes e o homus preparados por Abud conquistaram os clientes e definiram o cardápio que se tornaria a marca registrada do Habib’s.

A primeira loja foi inaugurada em 1988, na Rua Cerro Corá, zona sul de São Paulo. O cardápio incluía pratos árabes, pizzas e pastéis. O sistema de franquias, adotado em 1992, acelerou o crescimento. A partir daí, a rede se espalhou por todo o Brasil.

Estrutura do grupo sob recuperação

O Grupo Gennius opera por meio de 178 CNPJs, todos incluídos no pedido de recuperação judicial. A estrutura engloba 397 lojas próprias, 40 units operacionais de franqueados e 26 lojas em centro de distribuição. Além disso, o grupo tem duas propriedades rurais que produzem insumos para as operações.

O grupo emprega milhares de funcionários diretos e indiretos. A recuperação judicial, na prática, funciona como um escudo contra execuções de dívidas, dando à empresa fôlego para negociar com credores e reestruturar o negócio.

O advogado Fernando Canutto, especialista em Direito Empresarial, explicou que a recuperação judicial suspende as execuções e cria um ambiente de proteção para a empresa reorganizar as dívidas. “A empresa passa a ser fiscalizada por um administrador judicial e terá de apresentar seu plano de recuperação”, afirmou.

O que esperar daqui para frente

O prazo de 60 dias para apresentação do plano é improrrogável. Se o Grupo Gennius não cumprir, corre o risco de ter a recuperação judicial convertida em falência. Por enquanto, a expectativa é que a empresa apresente um plano viável, com alongamento de dívidas e renegociação com credores.

A rede tem 35 anos de mercado e uma marca consolidada. A recuperação judicial, embora seja um sinal de alerta, não significa necessariamente o fim do negócio. Diversas empresas brasileiras passaram por processos semelhantes e conseguiram se reerguer.

A receita gerada pelas franquias em funcionamento ajudará a financiar a operação corrente. Cabe agora ao Grupo Gennius demonstrar aos credores e à Justiça que tem condições de superar a crise e manter a marca viva no mercado brasileiro.

Com informações de CNN Brasil

RedeBrasil

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