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Idosa de 79 anos denuncia agravamento de feridas durante internação na Santa Casa de Iúna; MP obtém decisão para transferência | Jornal Espírito Santo Notícias

Idosa de 79 anos denuncia agravamento de feridas durante internação na Santa Casa de Iúna; MP obtém decisão para transferência | Jornal Espírito Santo Notícias

Idosa de 79 anos denuncia agravamento de feridas durante internação na Santa Casa de Iúna; MP obtém decisão para transferência | Jornal Espírito Santo Notícias

Família afirma que paciente desenvolveu graves lesões durante internação e denuncia falta de medicamentos, dificuldades para obter prontuário e demora na transferência. Prefeitura diz que acompanha o caso e cumpre decisão judicial

A internação da aposentada Lucia Maria Gonçalves de Oliveira, de 79 anos, na Santa Casa de Iúna, no Caparaó capixaba, tornou-se alvo de uma denúncia formal apresentada ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). A família acusa o hospital de uma série de supostas falhas na assistência prestada à paciente, que permanece internada enquanto aguarda transferência para uma unidade de maior complexidade.

Segundo documentos obtidos pelo Espírito Santo Notícias, o neto da paciente registrou um Termo de Informação na 1ª Promotoria de Justiça Cumulativa de Iúna relatando que a idosa foi internada inicialmente com quadro de infecção urinária e anemia, mas teria desenvolvido uma extensa lesão durante o período em que permaneceu acamada.

De acordo com a neta da paciente, Débora, a família só foi informada sobre a existência da ferida no nono dia de internação.

“Ela ficou nove dias deitada no leito, tomando banho no leito porque não conseguia levantar por causa da anemia. Foi quando informaram que a ferida estava piorando”, afirmou.

Imagens cedidas pela família mostram uma extensa lesão na região glútea, além de outro ferimento no calcanhar da paciente. Segundo os familiares, o quadro evoluiu rapidamente durante a internação.

Família relata série de problemas durante atendimento

Além do agravamento da lesão, a família afirma que precisou adquirir medicamentos por conta própria para continuidade do tratamento.

Segundo Débora, uma das medicações prescritas, o Noripurum, não estaria disponível na unidade hospitalar e precisou ser comprada pelos familiares para administração na paciente.

Ela também afirma que ofereceu adquirir um curativo de prata, utilizado em alguns tratamentos de feridas, mas que a proposta não teria sido aceita pela equipe.

Outra reclamação diz respeito à tentativa de transferência da paciente. Segundo a família, apesar de Lucia ser paciente oncológica em acompanhamento por outro hospital, o pedido para encaminhamento a uma unidade de maior complexidade teria sido negado inicialmente.

“A resposta foi que eles resolveriam a lesão e que outro hospital não aceitaria minha avó com o machucado”, afirmou.

Ainda conforme os familiares, uma enfermeira teria orientado a contratação de uma cuidadora particular para permanecer com a paciente durante a internação e chegou a indicar nomes de profissionais.

A família também relata dificuldades para acessar o prontuário médico. Segundo Débora, somente após procurar o Ministério Público e cobrar formalmente os documentos é que o hospital disponibilizou o chamado “espelho” do prontuário eletrônico.

Ela afirma ainda que, durante o período de internação, a paciente passou a apresentar intenso sofrimento.

“Toda vez que faziam a limpeza da ferida ela sentia tanta dor que pedia para Deus levá-la se fosse para continuar daquele jeito”, disse.

Nos últimos dias, segundo a família, Lucia também passou a apresentar sangramento na urina.

Ministério Público acionou a Justiça

O caso foi levado ao Ministério Público do Espírito Santo, que instaurou procedimento para acompanhar a situação.

Segundo a família, após a denúncia, a Promotoria ingressou com medida judicial e obteve decisão determinando que o Estado providencie uma vaga para internação da paciente em hospital de maior complexidade.

Prefeitura afirma que acompanha o caso

Em nota encaminhada ao Espírito Santo Notícias, a Prefeitura de Iúna informou que tem conhecimento da situação clínica da paciente e confirmou ter sido oficialmente comunicada sobre a decisão judicial.

Segundo a administração municipal, desde a intimação da decisão, “o Município está adotando todas as providências que lhe competem, em estrita observância às determinações legais”.

A Prefeitura ressaltou que a Santa Casa de Iúna é responsável pela execução dos serviços hospitalares conveniados ao SUS e que o município acompanha a prestação desses serviços por meio de instrumentos de gestão, contratualização, monitoramento e fiscalização, preservando a autonomia técnica da equipe responsável pelos atendimentos.

Sobre as denúncias, a administração informou que “não há, até o presente momento, conclusão de qualquer apuração administrativa que permita atribuir responsabilidades quanto aos fatos narrados”, acrescentando que eventuais procedimentos serão conduzidos pelos órgãos competentes, respeitando o devido processo legal.

Em relação à transferência da paciente, a Prefeitura informou que a solicitação de vaga foi inserida na Central Estadual de Regulação e que caberá ao município realizar o transporte sanitário assim que o Estado disponibilizar o leito especializado.

Santa Casa não respondeu

O Espírito Santo Notícias procurou a Santa Casa de Iúna para comentar as denúncias.

A reportagem realizou diversas ligações para os telefones da instituição, mas as chamadas não foram atendidas. Também buscou contato por mensagem nas redes sociais oficiais e encaminhou pedidos de posicionamento por e-mail aos setores Jurídico, Assistência Social e Pronto-Socorro, com prazo para resposta até as 10h deste sábado (11).

Até a publicação desta reportagem, não houve manifestação da instituição.

O espaço permanece aberto para que a Santa Casa apresente sua versão dos fatos, e esta matéria será atualizada caso haja retorno oficial.

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