Lavagem da escadaria da Catedral: conheça a história da cerimônia que virou patrimônio de Campinas
Lavagem da escadaria da Catedral: conheça a história da cerimônia que se tornou patrimônio de Campinas
Cerimônia tradicional do sábado santo reforça a luta contra a intolerância religiosa. Há 41 anos, um incidente envolvendo uma gari de Campinas (SP) que expressava sua fé através de um fio de conta no pescoço deu origem a uma das cerimônias religiosas mais emblemáticas da cidade.
A lavagem da escadaria da Catedral Metropolitana, reconhecida como patrimônio imaterial da cidade em 2022, ocorreu no último sábado (4). A história da cerimônia remonta a um episódio anterior. Nengua Dya Nikisi, conhecida como Mãe Dango, sofreu uma agressão enquanto trabalhava na limpeza urbana em frente à Catedral Metropolitana de Campinas, um ano após iniciar no Candomblé.
“Eu estava com meu fio de conta e fui insultada com palavras como feiticeira e amaldiçoada. Fiquei muito chateada e machucada”, relatou Nikisi.
Mãe Dango teve um papel fundamental na origem da cerimônia de lavagem da escadaria da Catedral de Campinas. Após compartilhar sua experiência com suas companheiras, uma delas, Mameto Oya Corajacy, propôs a realização da lavagem como forma de combater a intolerância religiosa e celebrar a diversidade.
O ritual da lavagem da escadaria da Catedral Metropolitana de Campinas é uma tradição das comunidades do Candomblé e de outras religiões de matriz africana, honrando a memória do povo Bantus, etnia majoritária entre os escravizados trazidos ao Brasil. Durante a cerimônia, os religiosos derramam água de cheiro aos pés de Nossa Senhora da Conceição e limpam cada degrau com vassouras.
“Além do aspecto religioso, a lavagem representa um momento de profunda fé e ressalta a importância da cultura popular”, explicou Mãe Dango.
A cerimônia, que reúne diversas religiões e é realizada em um espaço tradicionalmente católico, também busca valorizar a resistência dos escravizados em Campinas. O trajeto parte da Estação Cultura e segue até a Rua 13 de Maio, chegando à praça da Catedral.
Em Campinas, conhecida por ter sido uma das últimas cidades a abolir a escravidão na prática, a lavagem da escadaria se tornou um símbolo de celebração e resistência.
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