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Leilão de prédios históricos no Centro de SP: Hotel Esplanada, Cine Marrocos e mais

Leilão de prédios históricos no Centro de SP: Hotel Esplanada, Cine Marrocos e mais

Leilão de prédios históricos no Centro de SP: Hotel Esplanada, Cine Marrocos e mais

O governo de São Paulo planeja levar a leilão um conjunto de edifícios históricos no Centro da capital paulista, incluindo ícones arquitetônicos como o Hotel Esplanada, o Cine Marrocos e o antigo Banco de São Paulo. A proposta, ainda em elaboração, prevê que os imóveis sejam vendidos com destinações pré-definidas em contrato para garantir a preservação do patrimônio tombado.

Leilão de prédios históricos no Centro de SP: Hotel Esplanada, Cine Marrocos e mais

Atualmente ocupados por secretarias estaduais, os prédios serão esvaziados com a transferência da estrutura administrativa do estado para o novo Centro Administrativo nos Campos Elíseos, que tem custo estimado em R$ 6,1 bilhões e previsão de entrega para 2030. Os primeiros leilões devem acontecer no próximo ano.

Hotel Esplanada: o “Copacabana Palace” paulistano

Localizado nos fundos do Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, o Hotel Esplanada foi inaugurado em 1923. Projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, o mesmo do Copacabana Palace, o edifício funcionou como hotel de alto padrão por mais de três décadas. Nos anos 1960, tornou-se a sede do grupo Votorantim.

Em 2012, o imóvel foi adquirido pelo governo paulista e passou a abrigar as secretarias de Agricultura e de Turismo, que mantêm 621 funcionários no local. Com o leilão, a expectativa é que o prédio retome sua vocação original e volte a ser explorado como empreendimento hoteleiro pela iniciativa privada.

Cine Marrocos: do luxo ao abandono

A poucos metros do Hotel Esplanada, na Rua Conselheiro Crispiniano, está o antigo Cine Marrocos. Inaugurado em 1951, foi anunciado como o “mais luxuoso cinema da América do Sul”. O glamour contrasta com o cenário atual: sem uso desde os anos 1990, o prédio passou por longo período de abandono e até chegou a ser invadido por um movimento de moradia, desocupado em 2016 após reintegração de posse.

A proposta do governo estadual é transformar a sala de cinema, com capacidade para cerca de 2 mil pessoas, em um espaço para espetáculos, além de converter a torre de 12 andares em moradias. O Cine Marrocos foi incorporado ao acervo do estado após permuta com a prefeitura.

Banco de São Paulo e outros edifícios

O edifício do antigo Banco de São Paulo, na Praça Antônio Prado, é um dos mais importantes exemplares da arquitetura art déco da capital. Inaugurado em 1938, abriga atualmente 185 servidores da Secretaria de Esportes. O salão da antiga agência bancária, decorado com pisos de mosaico, mármores, vitrais e esculturas, chegou a ser aberto para visitas, mas permanece fechado ao público desde a pandemia.

Em uma segunda etapa, o governo pretende leiloar também o edifício Saldanha Marinho, atual sede da Secretaria da Segurança Pública, no Largo de São Francisco, perto da Faculdade de Direito da USP. A localização aumenta o potencial para usos ligados à habitação estudantil.

Já a Casa Caetano de Campos, na Praça da República, que há quase cinco décadas abriga a Secretaria de Educação, teve a inclusão no pacote de leilões descartada. O plano atual é transformá-la em uma escola modelo.

Leilão com propósito ou venda de ativos públicos?

Guilherme Afif Domingos, secretário especial de Projetos Estratégicos do governo paulista, afirmou que a venda será “um leilão com propósito, não é simplesmente vender para qualquer um”. Segundo ele, os recursos podem ajudar a custear parte das desapropriações necessárias para a implantação do novo centro administrativo, estimadas em R$ 600 milhões.

Por outro lado, especialistas questionam a decisão. O arquiteto e urbanista Marcelo Ignatios, diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP), avalia que o estado dispõe de instrumentos já consolidados, como concessões de longo prazo, que permitiriam transferir a gestão dos prédios à iniciativa privada sem abrir mão da propriedade.

Para Ignatios, se a estratégia resultar em valorização imobiliária nos próximos anos, o ganho ficará integralmente com os futuros proprietários privados. “Por que o poder público vai vender na baixa e transferir para o privado 100% da valorização imobiliária? Não dá para entender”, questionou.

O urbanista defende que, caso a venda se confirme, os recursos sejam reinvestidos em políticas públicas, como habitação social e educação básica, em vez de serem usados para acelerar as desapropriações do Centro Administrativo.

O governo de São Paulo afirmou, em nota, que promove avaliações sobre seu patrimônio imobiliário e que a decisão de leiloar os prédios históricos levará em conta destinações que atendam ao interesse público e tragam benefícios para a sociedade.

Com informações do G1

RedeBrasil

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