Lula reforça soberania de países latino-americanos e africanos: “Não somos mais colonizados”
Lula enfatiza autonomia de nações latino-americanas e africanas: “Não estamos mais sob colonização”
O ex-presidente Lula (PT) reiterou no domingo (22) a mensagem apresentada na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, em Bogotá, Colômbia, ao defender a soberania do Brasil sobre suas reservas de terras-raras diante do interesse de países desenvolvidos. Em postagem nas redes sociais, o líder destacou que o país não pode seguir um modelo histórico de exploração baseado apenas na exportação de matérias-primas.
“Já não somos nações colonizadas. Alcançamos autonomia com a nossa independência. Não podemos permitir interferências que prejudiquem a integridade territorial de cada país”, declarou Lula durante o evento, mencionando exemplos de países da América Latina.
No mesmo evento, o ex-presidente reforçou o posicionamento: “Minerais críticos representam uma nova oportunidade para o crescimento de nossas nações. Aqueles interessados em explorá-los devem se estabelecer e produzir aqui, promovendo o desenvolvimento local. Não estamos mais sujeitos à colonização. Não abriremos mão de nossa soberania”.
“Estão tentando nos colonizar novamente. Devemos manter a cabeça erguida. Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia detém minerais críticos, é a chance dela, é a chance da África. É a oportunidade para a América Latina não se contentar em ser apenas exportadora de minerais. Aqueles interessados devem se estabelecer e produzir em nosso país”, afirmou Lula.
As terras-raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria moderna, utilizados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, semicondutores, dispositivos eletrônicos e tecnologias militares. Apesar do nome, não são necessariamente escassos, porém sua exploração demanda alto investimento, tecnologia avançada e práticas ambientais responsáveis.
O potencial econômico dessas reservas no Brasil é significativo. De acordo com estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o valor das terras-raras conhecidas no país equivale a aproximadamente 186% do Produto Interno Bruto (PIB), com base em dados de 2024 e preços internacionais. Esses números ressaltam a importância estratégica desses recursos no contexto global.
Durante seu discurso na cúpula, Lula também alertou para o risco de uma nova forma de dependência econômica. “Estão tentando nos colonizar novamente. Devemos manter a cabeça erguida. Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia detém minerais críticos, é a oportunidade dela, é a chance da África. É a oportunidade para a América Latina não se contentar em ser apenas exportadora de minerais. Aqueles interessados devem se estabelecer e produzir em nosso país”, disse.
O posicionamento ocorre em um contexto geopolítico mais amplo, marcado pela disputa internacional por minerais críticos. Em fevereiro, os Estados Unidos convidaram o Brasil a participar de uma coalizão voltada para a mineração, refino e fornecimento desses recursos, incluindo mecanismos como preços mínimos para garantir estabilidade no mercado.
A decisão oficial do governo brasileiro sobre a adesão à iniciativa ainda não foi tomada. Segundo fontes próximas, o governo avalia aspectos técnicos e estratégicos antes de se posicionar. A proposta faz parte dos esforços dos Estados Unidos para reduzir a dependência global da China, que atualmente lidera o refino desses minerais.



