Marcha fúnebre no Irã mobiliza milhares e mira vingança contra Trump
Nesta segunda-feira, milhares de iranianos realizam uma massiva marcha fúnebre pelas ruas de Teerã, capital do Irã, em homenagem ao aiatolá Ali Khamenei, líder assassinado. A mobilização popular marca o ápice de uma semana de cerimônias fúnebres, evidenciando o profundo domínio dos líderes clericais no país.
O que aconteceu
- A marcha fúnebre no Irã, em homenagem ao aiatolá Ali Khamenei, reuniu dezenas de milhares em Teerã, sendo o maior ato público até o momento.
- Durante o cortejo, enlutados expressaram intensa raiva contra os Estados Unidos e Israel, queimando bandeiras e exibindo cartazes com ameaças a líderes estrangeiros.
- Mojtaba Khamenei, filho e sucessor do aiatolá Ali Khamenei, não compareceu às cerimônias, levantando questões sobre sua condição física após o ataque que vitimou seu pai.
Imagens captadas por drones, e exibidas pela televisão estatal, mostraram dezenas de milhares de pessoas aglomeradas em uma avenida no centro de Teerã, com uma participação popular esmagadora. Os caixões do líder assassinado e de quatro membros de sua família eram transportados em um grande caminhão pelas ruas. Mangueiras jogavam água de cima para refrescar os participantes da marcha, dada a dimensão e o fervor da multidão.
A dor e a fúria nas ruas
Ao passarem por baixo de uma ponte, os enlutados atiraram pedras contra um outdoor pendurado acima, que exibia o presidente dos EUA, Donald Trump, com uma bala apontada para a cabeça. O cartaz trazia a mensagem clara: “Os EUA mataram nosso pai. Não vamos deixar vocês escaparem!”.
Em um claro sinal de protesto e fúria, manifestantes atearam fogo em bandeiras dos EUA e do Reino Unido. Mulheres vestidas de preto erguiam cartazes vermelhos com as palavras “Morte a Trump” em letras pretas. Outros, por sua vez, exibiam cartazes com os rostos de Donald Trump, do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Cada um era retratado na mira de uma arma, acompanhados da ameaçadora frase “Haverá sangue”.
A maior parte da multidão agitava bandeiras iranianas e faixas vermelhas com um slogan convocando os “vingadores de Khamenei”. Esta frase adapta uma expressão que está no cerne do islamismo xiita desde que o neto do profeta Maomé foi morto em batalha no século 7, ressaltando a profundidade histórica e religiosa da mobilização.
Qual o futuro da sucessão no Irã?
No domingo, os três filhos do aiatolá Ali Khamenei rezaram ao lado de seu caixão em um enorme salão de oração em Teerã. Contudo, Mojtaba Khamenei, o filho que o sucedeu como líder supremo do Irã, não compareceu à cerimônia. Acredita-se que Mojtaba tenha ficado desfigurado devido aos ferimentos sofridos no ataque que vitimou seu pai.
Mojtaba Khamenei ainda não foi visto em público desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques aéreos de Israel e dos EUA contra o Irã. Sua ausência levanta sérias dúvidas sobre seu estado de saúde e sua capacidade de assumir plenamente o papel de liderança em um momento tão crítico para o país.
As cerimônias fúnebres começaram na sexta-feira, quando os caixões do aiatolá Ali Khamenei, de uma de suas filhas e do filho dela de 14 meses, de um de seus genros e da esposa de Mojtaba foram expostos para autoridades iranianas e dignitários estrangeiros. Outras grandes cerimônias ao ar livre foram realizadas no sábado e no domingo, precedendo o enorme cortejo fúnebre de segunda-feira.
Ainda nesta semana, segundo autoridades, o corpo do aiatolá Ali Khamenei será levado para novas procissões na cidade de Qom, sede de um importante seminário xiita no Irã, e em duas cidades-santuário xiitas no vizinho Iraque. Posteriormente, retornará ao Irã para ser sepultado em um complexo de santuários medievais em Mashhad.
*Com Reuters



