mobilidade sem regra vira risco
Bicicletas motorizadas tornaram-se populares no cotidiano dos moradores do Espírito Santo. Silenciosas, econômicas e ecologicamente corretas, representam uma opção viável diante do tráfego cada vez mais congestionado nas cidades.
O problema não está na evolução da tecnologia, mas sim na ausência de uma cultura de utilização responsável. Afinal, os brasileiros, em geral, não costumavam utilizar a bicicleta – mesmo a convencional – como meio de locomoção.
É necessário um período de adaptação a essa novidade. Entretanto, isso não significa, de forma alguma, que regras claras não devam ser estabelecidas. Pelo contrário: são essas regras que orientam a convivência entre usuários, pedestres e motoristas.
São evidentes inúmeras situações preocupantes. Por exemplo, é comum ver bicicletas motorizadas circulando nas calçadas, disputando espaço com pedestres; também é frequente observar ciclistas pedalando na contramão.
No ano passado, na Região Metropolitana, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu a mais de 150 ocorrências. Já nos três primeiros meses deste ano, o número ultrapassa 60. O aumento da gravidade dos acidentes é ainda mais alarmante.
A legislação atual não deixa claro quem é responsável pela fiscalização, quais limites devem ser respeitados ou quais são as responsabilidades do condutor. Assim, surge um sentimento coletivo de desorganização – e, em muitos casos, de abandono.
Em março, a Câmara de Vereadores de Vitória aprovou um projeto que, entre outros aspectos, estabelece limites de velocidade de acordo com o tipo de via e torna obrigatório o uso de capacete. Agora, aguarda-se a sanção do Executivo municipal.
É essencial que as cidades capixabas ampliem as discussões sobre o tema e invistam em ações educativas. Afinal, o que surge como solução de mobilidade não pode se tornar um novo problema urbano.
Cabe ao poder público organizar o uso das bicicletas motorizadas e garantir que a mobilidade seja segura para todos.



