×

Morte de bebê palestino na Cisjordânia ocorre em meio a novos ataques israelenses em Gaza

Morte de bebê palestino na Cisjordânia ocorre em meio a novos ataques israelenses em Gaza

Morte de bebê palestino na Cisjordânia ocorre em meio a novos ataques israelenses em Gaza

Um bebê palestino de apenas sete meses morreu após tropas israelenses abrirem fogo contra o carro de sua família na região de Tel Rumeida, em Hebron, na Cisjordânia ocupada. A criança, identificada como Sam Fahd Abu Haikal, estava nos braços da mãe quando foi atingida pelos disparos na sexta-feira (5). Os pais também ficaram feridos. O episódio ocorre em meio à continuidade da ofensiva israelense contra os territórios palestinos nesse sábado (6).

De acordo com informações do site Opera Mundi, a família afirma que havia obedecido à ordem de parada emitida pelos soldados israelenses. Em entrevista ao jornal israelense Haaretz, o pai da criança, Fahd Abu Haikal, relatou que um disparo atravessou sua mão antes de atingir o filho, que estava no banco traseiro do veículo.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) alegaram que os militares identificaram um carro acelerando em sua direção e que um soldado respondeu com disparos isolados. Em nota, afirmaram que o caso está sendo analisado e manifestaram “profunda tristeza por qualquer dano causado a indivíduos não envolvidos”.

A explicação foi rejeitada pela família. “Parei conforme instruído, e então eles simplesmente atiraram no carro”, declarou o pai da criança. Ele também cobrou responsabilização pelo ocorrido. “Este caso não deve ser encerrado sem uma investigação e sem responsabilização.”

Ofensiva israelense

No sábado (6), equipes de resgate e fontes médicas informaram a morte de dez pessoas em novos ataques na Faixa de Gaza. Um ataque de drone atingiu o campo de deslocados de Jawazat, matando oito pessoas e ferindo outras 15, segundo a Defesa Civil do território palestino. O hospital Al Shifa confirmou ter recebido os corpos das vítimas.

Questionado pela agência AFP, o Exército israelense afirmou ter como alvo “terroristas” que estariam na área atingida, sem fornecer mais detalhes sobre a operação.

Mais ao sul da Faixa de Gaza, em Khan Yunis, Muhannad Othman Farwana, de 25 anos, morreu após um ataque contra uma tenda. Em comunicado, o Exército israelense afirmou que ele era “comandante de uma célula terrorista do braço armado” do Hamas e que a ação foi realizada com precisão.

Familiares relataram, porém, que Farwana havia se casado naquele mesmo dia. “Todos na família estavam preparados para celebrar a união dele. Hoje, fomos ao funeral em vez do casamento”, afirmou seu primo, Mohamed Farwana, à AFP.

Horas depois, a Defesa Civil anunciou a morte de outro homem, de 37 anos, em um ataque israelense no sudeste da Cidade de Gaza.

“Isso não é guerra convencional”

Durante debate realizado em março deste ano em Porto Alegre, após a exibição do documentário “Notas Sobre um Desterro“, do diretor Gustavo Castro, o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, apresentou dados sobre os impactos da guerra na população palestina.

Segundo ele, Gaza registra quase 11 mil crianças mortas por milhão de habitantes. “Na Segunda Guerra Mundial, foram cerca de 2.813 por milhão. Estados Unidos e Israel exterminam 3,66 vezes mais crianças palestinas por milhão do que o período hitlerista foi capaz”, afirmou.

Rabah também comparou os números com a guerra entre Rússia e Ucrânia. “São cerca de 2,5 crianças por milhão lá. Em Gaza, são 4,2 mil vezes mais. Isso não é guerra convencional, é guerra de extermínio.”

Ao abordar a dimensão da Faixa de Gaza, ele destacou que o território possui cerca de 365 quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 22% da cidade de São Paulo. Segundo o dirigente, a carga explosiva lançada sobre Gaza já supera a utilizada em Dresden, Hamburgo e Londres somadas durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto mais de 80% das construções teriam sido destruídas.

O dirigente também apontou impactos demográficos provocados pelo conflito. Conforme os dados apresentados, a expectativa de vida caiu de 75 anos para 44 anos entre as mulheres e para 36 anos entre os homens. Houve ainda uma redução de 41% nos nascimentos, que passaram de 29 mil para 17 mil em poucos meses.

“Há um déficit de 297 mil palestinos entre mortos, desaparecidos e os que não nasceram. Quando você mata mulheres, você mata os ventres. É um processo para colapsar a capacidade reprodutiva da sociedade.”

*Com informações de Opera Mundi e AFP

Créditos