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Netanyahu chama Brasil de “pequeno país” e cogita ir à posse de Flávio

Netanyahu chama Brasil de “pequeno país” e cogita ir à posse de Flávio

Netanyahu chama Brasil de “pequeno país” e cogita ir à posse de Flávio

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de “pequeno país” e afirmou que pode comparecer à posse de Flávio Bolsonaro (PL) caso o senador seja eleito presidente no segundo turno, marcado para 25 de outubro. As declarações foram feitas na quarta-feira (14), durante discurso na inauguração da Embaixada da Colômbia em Jerusalém.

Ao relembrar viagens que fez com a esposa, Sara, a países da América Latina, o premiê citou a visita ao Brasil em 2019, quando prestigiou a posse do então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. “Um ano depois, creio que fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez voltemos lá”, disse.

Reaproximação com a América Latina

Netanyahu apresentou a nova embaixada colombiana como símbolo de reaproximação entre Israel e a América Latina, relação que, segundo ele, “acabou se perdendo” pela influência da cultura “woke”. O premiê afirmou que existiam conexões profundas entre os países, desviadas de seu curso pela ascensão de novas lideranças.

“Na Argentina, no México, no Brasil e, lamento dizer, na Colômbia, surgiram novos ‘faraós’, faraós que não conheciam José, nem Gideão, nem Benjamin. E tudo desmoronou por causa da aliança global woke. Foi só ladeira abaixo”, declarou.

Segundo Netanyahu, a nova aproximação com a Colômbia se apoia na herança judaico-cristã e em valores compartilhados, além de propor cooperação estratégica em áreas como segurança, inteligência artificial, gestão de água e agricultura.

Relação construída ao longo dos anos

Netanyahu tem histórico de proximidade com a família Bolsonaro. Em janeiro deste ano, Flávio se encontrou com o premiê durante uma conferência internacional de combate ao antissemitismo realizada em Jerusalém.

Na ocasião, o senador disse ter tratado com Netanyahu de “compromissos concretos” em caso de vitória na eleição presidencial. “Me comprometi a retomar integralmente as relações comerciais com Israel a partir de 2027, já que praticamente todas foram suspensas por questões ideológicas pelo governo brasileiro”, afirmou Flávio à época.

O primeiro-ministro também enviou um vídeo de apoio à candidatura de Flávio, exibido durante a convenção nacional do PL, em 25 de julho. Na gravação, disse ter confiança de que o senador “levará o Brasil a patamares cada vez maiores”.

“Você é um grande campeão do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre os nossos povos”, afirmou Netanyahu, em inglês.

O que está em jogo no segundo turno

A fala do premiê israelense entra na reta final da disputa entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e a política externa virou tema de campanha, com o senador prometendo reverter o que chama de isolamento diplomático do país.

O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que a posição sobre o conflito no Oriente Médio segue o direito internacional e a defesa dos direitos humanos. O Planalto não se pronunciou oficialmente sobre a declaração até a publicação desta matéria.

Repercussão

A referência ao Brasil como “pequeno país” repercutiu nas redes sociais e entre aliados dos dois campos. A proximidade entre Netanyahu e a família Bolsonaro é antiga e inclui a presença do premiê na posse de Jair Bolsonaro, em 2019, e a articulação pública do vídeo de apoio a Flávio neste ano.

Não há confirmação de que Netanyahu virá ao Brasil. A eventual presença dele na posse depende do resultado das urnas e de uma decisão diplomática que, até aqui, não foi formalizada.

O histórico da relação entre Brasil e Israel

A aproximação entre os dois países ganhou força no governo de Jair Bolsonaro, quando o Brasil passou a alinhar-se de forma pública a Tel Aviv. Em 2019, Netanyahu veio ao Brasil para a posse presidencial, e o então presidente chegou a anunciar a intenção de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, o que nunca se concretizou.

Com a volta de Lula ao poder, em 2023, o Brasil retomou a posição tradicional de apoio à solução de dois Estados e critérios da ONU para o conflito com os palestinos. Essa mudança esfriou a relação bilateral e abriu espaço para que a campanha de Flávio transformasse o tema em bandeira eleitoral.

Diplomacia como tema de campanha

O senador promete reverter o que chama de isolamento do Brasil no cenário internacional e restabelecer acordos que considera prejudicados por decisões ideológicas. Aliados do PL têm usado o gesto de Netanyahu como sinal de prestígio externo da candidatura.

Do outro lado, integrantes da campanha de Lula afirmam que a política externa brasileira se baseia em princípios consolidados, como a defesa do direito internacional, e que o país não deve definir sua diplomacia por conveniência eleitoral. Até o momento, não há registro de resposta oficial do Itamaraty à fala do premiê israelense.

Com informações do Poder360

RedeBrasil

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