Ebola: Nigéria confirma primeiro caso e acende alerta
A Nigéria confirmou o primeiro caso de Ebola no país e acendeu o alerta sanitário em toda a África. O anúncio foi feito na terça-feira (20) e levou ministros da Saúde do continente a uma reunião de emergência.
A paciente está isolada e recebe cuidados médicos. Seus contatos, entre eles o marido, de nacionalidade suíça, seguem sob vigilância das autoridades nigerianas.
Primeiro caso de Ebola na Nigéria veio do Uganda
Segundo o Centro Nigeriano de Controle de Doenças, o doente entrou no país em 5 de outubro, vindo do Uganda. Ele foi tratado inicialmente para malária, mas não se recuperou, o que levantou a suspeita dos médicos.
Odianosen Ehiakhamen, diretor-adjunto do centro, informou que a maioria dos contatos são profissionais de saúde. O cônjuge do paciente é estrangeiro e também está sendo acompanhado.
O Uganda reagiu à informação. Em nota publicada na rede X, o ministério da Saúde do país afirmou que viajar pelo território não prova que a infecção aconteceu ali e disse não ter casos ativos confirmados.
África CDC cobra resposta coordenada
O surto começou na República Democrática do Congo e já alcançou Quênia e Uganda. A dispersão pela África Central, Oriental e Ocidental motivou a convocação de emergência.
“O Ebola está a atravessar fronteiras. A nossa resposta tem de ser mais rápida, com uma coordenação mais forte, maior solidariedade e liderança política decisiva”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC.
“Este continente tem a experiência e a capacidade necessárias. Temos de as mobilizar em conjunto para travar este surto e salvar vidas”, acrescentou.
Surto na RDC é o mais letal já registrado
A República Democrática do Congo enfrenta o surto mais mortal de sua história. São pelo menos 4.000 mortes desde maio e 9.552 casos confirmados.
A doença é causada pelo vírus Bundibugyo. Para esse tipo não existe vacina autorizada nem tratamento específico, embora ensaios clínicos estejam em curso no país.
O Ebola é altamente contagioso. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada, como sangue e vômito, ou com superfícies contaminadas, incluindo roupa de cama e vestuário.
Risco para a Europa segue baixo
O Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças avalia como muito baixo o risco de importação para a Europa. O órgão não descarta casos isolados, mas considera improvável um número alto de entradas independentes.
A vigilância se concentra em aeroportos e nos países vizinhos das áreas afetadas. A OMS acompanha o avanço do surto e pede reforço na testagem e no rastreamento de contatos.
O que esperar daqui para frente
A tendência é de reforço no monitoramento nas fronteiras africanas nas próximas semanas. Países com voos diretos para as áreas afetadas devem ampliar os protocolos de entrada.
Para o Brasil, o risco imediato é considerado baixo pelas autoridades sanitárias. Ainda assim, a Anvisa mantém rotina de alerta para passageiros vindos de regiões com surto ativo.
O que é o Ebola e como a doença se espalha
O Ebola é uma doença viral grave, com taxa de letalidade que pode passar de 50% em alguns surtos. O vírus foi identificado em 1976, na região do rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.
A transmissão acontece por contato direto com sangue, vômito, fezes ou outros fluidos de uma pessoa infectada. Objetos contaminados, como roupas de cama e agulhas, também transmitem o vírus.
Não há transmissão pelo ar. Por isso, o isolamento da paciente e o rastreamento dos contatos são as medidas mais eficazes para conter um surto nos primeiros dias.
Vacinas e tratamento disponíveis
Existe vacina licenciada para o tipo Zaire do vírus, o mais comum em surtos anteriores. São duas vacinas autorizadas pela Organização Mundial da Saúde.
O problema atual é outro. O surto que começou na República Democrática do Congo é causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico.
Por isso, os ensaios clínicos em curso no país africano ganharam peso. Eles testam candidatas a vacina e tratamentos com anticorpos monoclonais.
A Nigéria já conteve um surto em 2014
A Nigéria não é estreante no combate ao Ebola. Em 2014, o país registrou 20 casos e 8 mortes depois da chegada de um viajante infectado, e conseguiu conter a transmissão em poucos meses.
A OMS declarou a Nigéria livre do Ebola em outubro daquele ano. O episódio ficou conhecido como um exemplo de resposta rápida, com rastreamento eficiente de contatos.
Desta vez, o desafio é maior em razão da circulação simultânea em três países africanos. O rastreamento de contatos precisa funcionar ao mesmo tempo em cada um deles.
A experiência anterior explica a reação imediata das autoridades nigerianas. O isolamento da paciente e a vigilância do marido e dos profissionais de saúde seguem o mesmo protocolo aplicado em 2014.
Com informações da Euronews. Leia também nossa matéria sobre saúde mental e bem-estar.
RedeBrasil



Publicar comentário