Novo vazamento de gás em obra da Sabesp reacende críticas à gestão Tarcísio e à privatização da companhia
Menos de um mês após a explosão que matou duas pessoas no Jaguaré e apenas três dias depois do anúncio de um novo pacote de segurança, uma obra da Sabesp voltou a provocar um vazamento de gás na capital paulista. O incidente ocorreu na noite de quinta-feira (4), na Rua Doutor Teodoro Baima, na região da República, no Centro de São Paulo, e reforçou questionamentos sobre a capacidade operacional da companhia após sua privatização.
Segundo informações divulgadas pela Comgás e pelo Corpo de Bombeiros, uma equipe da Sabesp realizava uma manutenção emergencial quando atingiu uma tubulação de gás. A área precisou ser isolada e moradores, comerciantes e frequentadores de estabelecimentos da região tiveram que deixar os imóveis por precaução. Apesar do susto, não houve vítimas.
O novo episódio ocorre em um momento delicado para a companhia. Em 11 de maio, uma obra da Sabesp no Jaguaré atingiu uma rede de gás e culminou em uma explosão que deixou dois mortos, feridos e dezenas de imóveis destruídos. O caso gerou forte repercussão e colocou em xeque os protocolos de segurança adotados pela concessionária.
Desde então, a empresa já esteve envolvida em outros incidentes semelhantes. Em meados de maio, uma intervenção em Itaquera também perfurou uma tubulação de gás, provocando um novo vazamento e obrigando a Sabesp a anunciar a suspensão temporária de obras com potencial de interferência nas redes subterrâneas.
O que chama atenção agora é que o novo vazamento aconteceu apenas três dias após a companhia divulgar um conjunto de medidas para reforçar a segurança das escavações, incluindo ampliação da fiscalização, monitoramento permanente das obras e integração de dados sobre redes subterrâneas. A repetição do problema em tão pouco tempo levanta dúvidas sobre a efetividade das ações anunciadas e sobre a rapidez com que essas mudanças estão sendo implementadas.
A sucessão de ocorrências também intensificou as críticas ao governador Tarcísio de Freitas e ao processo de privatização da Sabesp. Parlamentares da oposição, movimentos sociais e entidades ligadas ao setor de saneamento vêm argumentando que a busca por metas financeiras e expansão acelerada de obras não pode ocorrer em detrimento da segurança da população e dos trabalhadores. Para esses grupos, os recentes acidentes evidenciam falhas de planejamento, fiscalização e coordenação entre concessionárias que operam a infraestrutura subterrânea da cidade.
Críticos da privatização afirmam ainda que os episódios reforçam a necessidade de maior transparência sobre a gestão dos serviços após a mudança de controle da companhia. O argumento é que uma empresa responsável por um serviço essencial precisa ser cobrada não apenas por metas de investimento, mas também por indicadores rigorosos de segurança operacional e prevenção de acidentes.
Em nota, a Sabesp informou que interrompeu imediatamente os trabalhos após atingir a tubulação de gás, acionou os protocolos de emergência e comunicou a concessionária responsável pela rede. A empresa sustenta que vem aprimorando seus procedimentos e reforçando treinamentos para reduzir riscos em futuras intervenções.
Enquanto as investigações sobre a explosão do Jaguaré continuam e moradores afetados ainda aguardam reparações definitivas, o novo incidente amplia a pressão sobre a companhia e sobre o governo estadual. Para especialistas e representantes da sociedade civil, a sequência de vazamentos em um intervalo tão curto demonstra que as explicações apresentadas até agora ainda não foram suficientes para restaurar a confiança da população na segurança das obras realizadas pela Sabesp.
Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.
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