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O barril sobe e a conta do atraso climático chega

O barril sobe e a conta do atraso climático chega

O barril sobe e a conta do atraso climático chega

NESTA EDIÇÃO. Estudo relaciona crise no Oriente Médio à necessidade de acelerar renováveis e eletrificação.

Think tank avalia que países mais avançados na transição sofrem menos com choques no petróleo e gás.

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Se os governos já estivessem caminhando em direção aos compromissos assumidos nas últimas conferências do clima — triplicar a capacidade de renováveis, dobrar a eficiência energética e reduzir as emissões de metano até 2030 —, estariam bem encaminhados para lidar com o choque energético causado pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, aponta um estudo do Climate Action Tracker (CAT).
 
O otimismo com a retomada, esta semana, nas exportações de petróleo pelo Estreito de Omuz com o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã durou pouco. 
 
Na quinta-feira (25/6), navios que transitavam pela rota precisaram dar meia volta após um ataque a um navio de carga. As tensões ocorrem no dia seguinte a um marco para a recuperação das atividades na região: 78 navios atravessaram o Estreito de Ormuz na quarta (24/6), segundo dados da S&P Global Commodities.
 
Com isso, o preço do barril de petróleo voltou a subir, depois de retornar a níveis próximos ao pré-guerra esta semana.
 
Sem um horizonte claro para o fim do conflito e restabelecimento do comércio de petróleo a gás pelo estreito, governos seguem acompanhando as negociações e traçando rotas para garantir segurança energética, algo que poderia ser menos dramático em um cenário mais alinhado com o clima.
 
Um relatório (.pdf) divulgado há pouco mais de uma semana, em Bonn, na Alemanha, o CAT observa que argumentos a favor de um sistema energético mais limpo, seguro e confiável, baseado em energias renováveis ​​e eletrificação, nunca foram tão fortes.
 
“Países como a China e o Paquistão estão em melhor situação, pois investiram fortemente em energias renováveis ​​e eletrificação; agora, eles são mais resilientes a choques de preços e de oferta, embora o Paquistão ainda enfrente problemas de rede/transmissão”, analisa o think tank.
 
No entanto, as respostas de curto prazo à crise parecem, em geral, seguir na direção oposta. 
 
“Subsídios generalizados aos combustíveis, cortes de impostos e tetos de preços aliviam a pressão social, mas enfraquecem os sinais de preço, consolidam a dependência dos combustíveis fósseis e aumentam os custos fiscais”, critica o CAT.

Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá e Noruega estão entre os países que adotaram subsídios de curto prazo para lidar com o aumento do preço do petróleo que prejudicam a descarbonização.
 
A lista do CAT também inclui Estados Unidos, União Europeia e Japão, entre os que flexibilizaram temporariamente os incentivos à transição, como impostos sobre carbono, incentivos do mercado regulado (ETS) e prazos para a eliminação do carvão.
 
“O apoio direcionado a famílias vulneráveis ​​e setores críticos, combinado com a manutenção de preços elevados dos combustíveis fósseis e a redução do custo da energia limpa, foi a opção escolhida até agora por uma minoria de governos”, alerta o relatório.
 
Entre os exemplos positivos, estão Bélgica, Bulgária, França, Paquistão e Reino Unido, que mantiveram os preços elevados, mas compensaram os cidadãos e as indústrias mais vulneráveis.
 
Já a Espanha, reduziu impostos sobre a eletricidade, enquanto Áustria, República Tcheca, Grécia, Índia e Polônia limitaram margens de lucro dos varejistas e taxaram ganhos inesperados no setor de O&G.
 
Incentivos à mudanças comportamentais também são apontados como aliados da descarbonização.
 
O CAT traz os exemplos das Filipinas, Tailândia e Vietnã, que incentivaram o trabalho remoto e/ou limitaram as viagens corporativas. E de Chile, Lituânia, Paquistão e Filipinas, que incentivaram o uso de transporte público reduzindo as tarifas.
 
“A reforma estrutural é o que mais importa. O alívio a curto prazo é necessário, mas a resiliência a longo prazo depende de reformas mais profundas. Países como o Chile e a Espanha mostram como as respostas estruturais reduzem a exposição futura a choques”, avalia.

Onda de calor na Europa. O calor extremo está afetando as atividades econômicas, a infraestrutura, a agricultura e os ecossistemas, informou a agência meteorológica da ONU na quinta (25/6), ao apresentar um panorama da situação. A França registrou seu dia mais quente da história em 24 de junho, com uma temperatura média nacional de 30,0°C. 
 
Enquanto isso… a Alemanha, maior mercado de gás da Europa, juntou-se nesta sexta-feira à crescente resistência contra as regras planejadas pela UE sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, alertando que a política poderia interromper o fornecimento de combustível de aviação, já pressionado pelo choque energético da guerra com o Irã. (Reuters)
 
Já o Brasil, resolveu aderir ao Programa de Regulação de Combustíveis Fósseis (FFRP, na sigla em inglês), iniciativa internacional que apoia governos no fortalecimento de marcos regulatórios para reduzir as emissões de metano no setor de energia.
 
Reduzindo a ‘curva do pato’. A instalação de sistemas de armazenamento de energia diretamente em usinas solares remotas pode ampliar em mais de 60% os créditos obtidos pelos consumidores, estima a TR Soluções. Segundo o estudo, a estratégia pode ainda aliviar o SIN nos horários de pico.
 
Carvão nos EUA. Um tribunal federal de apelações dos EUA rejeitou na sexta-feira a tentativa da Agência de Proteção Ambiental (EPA) de revogar os limites da era Biden sobre a poluição por fuligem proveniente de usinas termelétricas a carvão e fábricas, em um revés para os esforços de desregulamentação do governo Trump. (Reuters)

Convergência energética. A energia pode ser um dos principais “elementos de convergência” entre Brasil e Estados Unidos, mesmo em um momento de tensões tarifárias entre os dois países. A avaliação é do diretor de Políticas Públicas da Amcham, Fabrízio Sardelli Panzini, em entrevista ao estúdio eixos. 
 
Cooperação industrial. A Alemanha não busca uma parceria de exportação de matérias-primas com o Brasil, mas uma cooperação industrial que agregue valor local aos minerais críticos, com a instalação de cadeias produtivas no país, afirma o cônsul-geral adjunto da Alemanha no Rio de Janeiro, Jan Freigang.
 
Corredores a gás e biometano. A Ultragaz vê, hoje, um “limbo regulatório” para o desenvolvimento dos corredores verdes e pede uma resposta rápida da ANP na regulamentação de pontos de abastecimento de biometano. O gerente Regulatório, Gustavo Gomes, conta que o biometano já é uma opção competitiva para deslocar diesel, mas a regulação ainda é um gargalo. 
 
Aversão ao risco. A decisão do CMSE de manter o critério de aversão ao risco (Cvar) atual para 2027 foi mal calibrada, na visão da Delta Energia. Para o vice-presidente Institucional, Luiz Fernando Leone Vianna, os parâmetros atuais inibem a comercialização de energia no mercado livre. 
 
Ferro e lítio verdes. A New Wave está construindo a primeira planta do mundo que transforma resíduo de bauxita em ferro verde com tecnologia de micro-ondas, em Barcarena (PA), dentro da refinaria Alunorte. O projeto, que deve iniciar operação em novembro.

  • Segundo o fundador e CEO, Gustavo Emina, a empresa também desenvolve tecnologia para refinar lítio no Brasil, com uma planta de 20 mil toneladas prevista. Confira os detalhes

A reestruturação e a nova governança do setor nuclear brasileiro Reestruturação busca modernizar marco regulatório, fortalecer estatais e separar regulação de promoção. Brasil se prepara para novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares, escreve o ministro Alexandre Silveira
 
Minerais críticos com sustentabilidade ambiental e social Marco Legal exige salvaguardas ambientais e sociais, como contratação de mão de obra local, diálogo com comunidades e melhores práticas de segurança de barragens, escreve o deputado Arnaldo Jardim
 
Data centers: quando a atração de investimentos depende da correta tomada de decisão Inclusão de fontes firmes como gás, biometano e nuclear entre as opções incentivadas é condição essencial para atrair data centers e garantir segurança digital, escreve José Mauro Coelho
 
O caminho brasileiro para longe dos combustíveis fósseis Cenários de transição que privilegiam a expansão do uso dos biocombustíveis convencionais subestimam injustificadamente a penetração futura da eletrificação nos transportes e na indústria, escreve Diogo A. Simões

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