×

O ‘desapontamento’ mútuo de EUA e Brasil na negociação do tarifaço, segundo embaixador

O ‘desapontamento’ mútuo de EUA e Brasil na negociação do tarifaço, segundo embaixador

O ‘desapontamento’ mútuo de EUA e Brasil na negociação do tarifaço, segundo embaixador

As negociações entre Brasil e Estados Unidos para tentar reduzir os efeitos do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros atravessam um momento de impasse. A avaliação é do embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que afirmou haver frustração dos dois lados com a condução das tratativas. Em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o diplomata disse que o cenário dificulta o avanço de um acordo, embora as conversas entre os governos continuem.

Segundo Azevêdo, o governo brasileiro sinaliza que as negociações estão em curso, percepção que também encontra respaldo nas informações que recebe nos Estados Unidos. Ainda assim, ele afirma perceber um sentimento de insatisfação recíproca quanto ao ritmo e ao formato das conversas. “Os dois lados estão desapontados com o outro.”

Na avaliação do diplomata, autoridades americanas esperavam do Brasil movimentos semelhantes aos adotados por outros parceiros comerciais, como propostas de abertura de mercado, promessas de investimentos e outras concessões. Já o governo brasileiro, afirmou, considera que Washington não apresentou uma pauta concreta de reivindicações capaz de sustentar uma negociação comercial nos moldes tradicionais.

“Do ponto de vista de negociação comercial, eles não têm se engajado no formato de uma negociação comercial tradicional”, afirmou, ao comparar o processo atual com negociações conduzidas ao longo dos últimos anos.

A audiência pública abre espaço para exceções?

Apesar do impasse diplomático, o ex-diretor-geral da OMC vê um fator que pode amenizar os efeitos do tarifaço. Segundo ele, a audiência pública realizada nesta semana nos Estados Unidos mostrou um nível de aprofundamento técnico superior ao observado na primeira rodada de discussões sobre a medida.

Continua após a publicidade

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Azevêdo afirmou que os integrantes do comitê concentraram as perguntas nos impactos da tarifa sobre empresas, consumidores e cadeias produtivas americanas. “Foram perguntas mais objetivas, mais focadas.”

Segundo ele, diversos depoimentos destacaram que determinados produtos brasileiros não possuem fornecedores alternativos capazes de atender o mercado americano com a mesma qualidade ou volume. Na avaliação do diplomata, essa preocupação pode levar as autoridades dos Estados Unidos a ampliar a lista de exceções ao tarifaço.

Ainda assim, fez questão de ponderar que essa percepção não se baseia em informações privilegiadas. “Esse é um sentimento. Não tenho nenhuma informação concreta, nenhuma informação de bastidor que me leve a acreditar que isso vai acontecer.”

Continua após a publicidade

Por que a iniciativa privada pode pesar mais?

Enquanto as negociações oficiais seguem sem avanços visíveis, Azevêdo defendeu uma atuação mais intensa do setor privado brasileiro junto a empresas e entidades americanas. Segundo ele, a chamada diplomacia empresarial tem demonstrado maior capacidade de influenciar as decisões em Washington do que as tratativas entre os governos.

O diplomata afirmou que todas as exceções concedidas até agora surgiram a partir da mobilização de empresas e organizações dos próprios Estados Unidos, que alertaram a Casa Branca para os impactos negativos das tarifas sobre suas cadeias de produção. Para ele, fortalecer essas alianças continua sendo o caminho mais promissor para reduzir os efeitos da medida sobre produtos brasileiros.

Continua após a publicidade

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

Créditos