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Operação Cátaros: candidato preso com ligação ao PCC em Cotia

Operação Cátaros: candidato preso com ligação ao PCC em Cotia

Operação Cátaros: candidato preso com ligação ao PCC em Cotia

Uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu na manhã desta quinta-feira (20) o candidato a deputado estadual Emerson Dias Rocha (Podemos), conhecido como “Felipinho”, em Cotia, na Grande São Paulo. A investigação aponta ligação do político com um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Operação Cátaros: candidato preso com ligação ao PCC em Cotia

Batizada de Operação Cátaros, a investigação de 90 dias do MPSP, conduzida pela Promotoria de Cotia, revelou um esquema de lavagem de dinheiro do PCC com o suposto envolvimento de políticos da região. Além do candidato, três vereadores foram alvos de mandados de busca e apreensão em seus gabinetes na Câmara Municipal de Cotia e em suas residências: Eduardo Nascimento (PSB), Sergio Luiz de Freitas, conhecido como “Serginho Luiz” (PSB), e Yago Bezerra Neres (União Brasil).

Candidato já havia sido condenado por tentativa de homicídio

Emerson Dias Rocha não é novato no sistema de Justiça. Ele já respondeu e foi condenado por tentativa de homicídio em 2008, por um crime ocorrido em 8 de novembro de 1998. Após o crime, ele só se tornou réu em 2003, quando a denúncia do Ministério Público foi recebida pela Justiça. A condenação foi de 4 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. A defesa recorreu, mas a condenação foi mantida em 2013, com trânsito em julgado definitivo em setembro de 2015.

No entanto, Emerson nunca chegou a cumprir pena. A Justiça reconheceu a prescrição da pretensão executória em novembro de 2023, já que teriam se passado 12 anos desde o trânsito em julgado para a acusação sem que houvesse início do cumprimento da pena. Em 2026, a defesa passou a buscar o reconhecimento de uma segunda modalidade de prescrição, a da pretensão punitiva, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) não reconheceu esse pedido.

Segundo apuração da reportagem, “Felipinho” estaria envolvido no mundo do crime há mais de 20 anos, desde a década de 1990. Investigação aponta que ele já teria atuado como assaltante de agências bancárias e de carros-forte. Em 2002, ele esteve preso preventivamente na Casa de Custódia de Taubaté, berço do PCC e de onde historicamente saíam ordens da cúpula da facção.

Esposa foragida e veículos de luxo apreendidos

Além de Emerson, a esposa dele também foi alvo de mandado de prisão, mas não foi localizada. A CNN Brasil apurou que ela está nos Estados Unidos, mas deve retornar ao Brasil em breve. A investigação aponta que a mulher seria responsável pela lavagem dos recursos ilícitos obtidos pelo marido, e que essa atividade criminosa ocorre desde o início dos anos 2000.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos seis veículos, entre eles carros de luxo como Jeep Commander, Jeep Compass, Volkswagen Taos, Volkswagen Polo, Mitsubishi L200 Triton e Chevrolet Onix. Também foram recolhidos aparelhos celulares, computadores, notebooks, pen drives, cartões de memória e livros com anotações que poderão contribuir para o avanço das investigações.

Operação mobilizou quase 180 policiais

Ao todo, foram cumpridas ordens judiciais em 21 endereços nos municípios de Cotia, São Paulo, Jandira e São Lourenço da Serra, além de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A operação mobilizou 96 policiais militares do 5º BAEP e 80 policiais civis, totalizando 176 agentes.

A maior parte das apreensões ocorreu em imóveis localizados em Cotia. Em uma empresa na mesma cidade, foram encontrados um notebook, um computador, três cartões de memória e livros com anotações que serão analisados pelos investigadores.

O que dizem Podemos e Câmara de Cotia

Em nota, o Podemos informou que aguarda as informações oficiais da investigação para avaliar quais medidas internas serão tomadas em relação ao candidato à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O partido afirmou que acompanha atentamente o caso e respeita os trâmites legais e os direitos individuais de defesa.

A Câmara Municipal de Cotia confirmou que os gabinetes dos vereadores foram alvos de cumprimento de ordens judiciais e esclareceu que as diligências não envolvem os departamentos administrativos do Poder Legislativo Municipal. Todos os investigados negam as acusações.

O caso levanta questionamentos sobre o processo de seleção de candidatos e a capacidade dos partidos de fiscalizarem os antecedentes de seus filiados. Com a proximidade das eleições, a operação acende um alerta sobre a infiltração do crime organizado na política paulista.

Com informações da CNN Brasil

RedeBrasil

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