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os danos da privatização de serviços estratégicos em SP

os danos da privatização de serviços estratégicos em SP

os danos da privatização de serviços estratégicos em SP

O governador de SP Tarcísio de Freitas. Foto: Divulgação

Na tarde desta segunda-feira (11), uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação de gás no Jaguaré (zona oeste da capital paulista), causou uma explosão e deixou ao menos um morto. Para além da fatalidade, o acidente causado pela concessionária de água e esgoto guarda semelhança com o processo ocorrido com a Eletropaulo 28 anos atrás.

Privatizada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) em julho de 2024, a Sabesp começa a enfrentar problemas de gestão e de ordem técnica, assim como sua congênere do setor elétrico enfrenta há três décadas.

Numa oferta pública de R$ 14,8 bilhões, o governo do estado de São Paulo vendeu 32% das ações da Sabesp. A venda aconteceu acompanhada por promessas de melhorias e de universalização do serviço. A meta é atender 99% da população com água potável e ao menos 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Entretanto, dois anos depois da privatização – o governo agora detém apenas 18% do controle da empresa – abundam os relatos de obras mal-feitas pela Sabesp, com destruição do asfalto nas cidades e acidentes como o ocorrido no Jaguaré nesta semana.

Outra promessa foi a redução do custo das tarifas por meio do dinheiro obtido na oferta pública das ações da empresa. Na prática, a empresa aumentou o pagamento de dividendos aos acionistas. A Sabesp divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão entre janeiro e março de 2026, alta de 32,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Aumentaram ainda as reclamações do serviço por parte dos consumidores. A média mensal de queixas cresceu 70% entre janeiro e março de 2026, na comparação com 2025, passando de 1.041 para 1.770, segundo a agência reguladora responsável pelo setor.

Subestação da Enel no Cambuci, em São Paulo. Foto: Divulgação

Enel

Se o passado serve de alerta, não é um aviso de bom agouro. Em 1998, ainda na gestão Mário Covas, a Eletropaulo foi vendida por apenas R$ 2 bilhões (cerca de R$ 8 a 10 bilhões em valores atuais).

Já em 2018, a italiana Enel assumiu 73,38% da empresa, referentes apenas à distribuição na região metropolitana por R$ 5,55 bilhões. Ou seja, a totalidade da empresa (R$7,75 bilhões) foi vendida por menos do que o valor de 1998 atualizado. Basicamente, os tucanos venderam patrimônio público abaixo do valor de mercado.

Nos anos de 2024 e 2025, explodiram as reclamações sobre a qualidade do serviço e aumentou sobremaneira a ocorrência de apagões na capital paulista em situações de forte temporal.

Com a ineficiência do serviço, a Aneel votou unanimemente pela instauração do processo para romper o contrato com a empresa italiana. Ironicamente, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes (MDB), ardorosos defensores da privatização, pediram a rescisão do contrato e a intervenção do governo federal na concessão de energia elétrica em São Paulo.

Para se ter ideia da piora no serviço, o tempo médio de atendimento a ocorrências emergenciais da Enel aumentou de 9,13 horas em 2019 para 12,21 horas em 2024. Relatos de substituição de equipes experientes por pessoal menos qualificado, além do pouco investimento em manutenção preventiva são outras das reclamações contra a empresa.

A Enel causou problemas até no acordo União Europeia-Mercosul, em 2025: a empresa italiana pressionou a premiê Giorgia Meloni a não assinar o acordo com o Mercosul caso a Prefeitura de São Paulo rescindisse o contrato com a Enel. Felizmente, a mandatária italiana ignorou os apelos e manteve o acordo com o Brasil.

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