PF divulga resultado da investigação criminal sobre acidente da Voepass nesta quinta, 6
A Polícia Federal (PF) vai apresentar nesta quinta-feira, 6, o resultado da investigação criminal referente à queda do avião da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, interior de São Paulo, que resultou na morte de 62 pessoas.
O foco da investigação da PF difere do relatório divulgado em 23 de julho pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), pois busca identificar responsabilidades criminais e possíveis indiciamentos individuais.
Descobertas a partir da caixa-preta
A análise dos diálogos registrados na caixa-preta da aeronave da Voepass revelou falhas recorrentes que não foram reportadas pelas tripulações.
O laudo da Polícia Federal, divulgado pelo programa Fantástico da TV Globo em 5 de agosto e confirmado pelo jornal Estadão, inclui a transcrição dos áudios que indicam a presença de gelo na aeronave, falhas no sistema de degelo, e a falta de execução adequada de procedimentos críticos em situações de emergência.
De acordo com a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo devido ao acúmulo de gelo na aeronave, falhas no sistema de degelo e a não adoção oportuna dos procedimentos necessários diante de falhas no sistema de degelo, o que resultou em degradação de performance, condições severas de gelo e estol (perda de sustentação).
O relatório revela que os pilotos estavam cientes das falhas no sistema de degelo, uma vez que, durante o voo anterior entre Guarulhos e Cascavel, o alerta AIRFRAME FAULT (sinalizando falhas no sistema de degelo) foi acionado oito vezes, e a tripulação reiniciou o dispositivo pelo menos cinco vezes.
Relatório do Cenipa
O relatório final divulgado pela FAB em 23 de julho apontou que a queda do avião da Voepass foi resultado de uma combinação de falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Anac declarou que irá analisar o relatório e destacou que o trabalho do Cenipa não atribui culpa. Já a Voepass defendeu suas práticas de segurança, capacitação e orientação de tripulação ao longo de três décadas.
A investigação identificou 19 fatores que contribuíram para o acidente, sendo 15 deles diretamente ligados à queda da aeronave, enquanto os demais foram classificados como de contribuição indeterminada.



