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PT aponta culpados por derrota de Lula no 1º turno

PT aponta culpados por derrota de Lula no 1º turno

PT aponta culpados por derrota de Lula no 1º turno

A derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno reacendeu o fogo amigo dentro do PT e do governo. Segundo a revista Veja, petistas, aliados e assessores do Palácio do Planalto passaram a apontar culpados pelo resultado das urnas, sem responsabilizar diretamente o próprio presidente.

Três nomes concentram as críticas: o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. O movimento ocorre a poucos dias do segundo turno, marcado para o fim de outubro.

Quem são os alvos do fogo amigo no PT

Edinho Silva comandou o partido e coordenou a campanha à reeleição. Nos bastidores, a reclamação é que ele centralizou demais as decisões. Essa concentração, na avaliação de aliados, dificultou a busca de votos em regiões com perfis diferentes.

O desgaste chegou ao próprio Lula. Em reunião após a votação de domingo, o presidente externou insatisfação com o desempenho da coordenação, segundo a reportagem. O petista é padrinho da ascensão de Edinho ao comando da legenda.

A campanha menos organizada, na avaliação de Lula

A revista registra uma fala dura do presidente sobre o trabalho feito no primeiro turno. “Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada de que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, afirmou Lula.

Os números ajudam a explicar o desconforto. No primeiro turno, Lula teve 3,38 milhões de votos a menos do que na rodada inicial de 2022. Nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste, região estratégica para a campanha, a perda passou de 230 mil votos.

Diante do cenário, o presidente decidiu reforçar a coordenação com o senador e ex-governador do Ceará Camilo Santana, o ex-governador e senador eleito pela Bahia Rui Costa e o governador reeleito do Piauí Rafael Fonteles. A aposta é recuperar terreno nas regiões onde a votação caiu.

Sidônio Palmeira e a troca de marqueteiros

Sidônio Palmeira permaneceu no ministério e não se afastou para atuar na eleição. Ele colocou o sócio Raul Rabelo como marqueteiro da campanha, o que não agradou ao presidente nem a nomes de peso do partido.

Circulou ainda o boato de que Lula poderia recontratar João Santana, responsável pelas campanhas vitoriosas de 2006 e pelas disputas de Dilma Rousseff. A recontratação não ocorreu. Em vez disso, a campanha ganhou reforços indicados por políticos com boa votação neste ano.

Com os novos colaboradores, o presidente mudou a estratégia nas redes sociais. Ele deixou o formalismo de lado e passou a falar menos da própria biografia e de temas como democracia e soberania. Agora, concentra a artilharia na desconstrução da imagem de Flávio Bolsonaro, com um estilo mais direto.

Numa das postagens, Lula afirma que a promessa de “tesouraço” do adversário vai cortar programas sociais, moradias e até a merenda escolar. Em outra, diz que o opositor, ao prometer continuidade ao legado do pai, entregaria desemprego, mais pobreza e falta de vacinas.

Janja e o pedido de espaço para Alckmin

Na busca por culpados, a primeira-dama também virou alvo. Críticos afirmam que Rosângela da Silva supostamente busca protagonismo e teria imagem desgastada junto ao eleitorado. Nessa leitura, a exposição dela não somaria votos e ainda pesaria contra a campanha.

A ex-senadora Kátia Abreu defendeu “menos Janja e mais Alckmin” no segundo turno. O argumento é que o presidente precisa conquistar votos fora da bolha da esquerda e que o vice, Geraldo Alckmin, ajudaria nessa tarefa.

A reportagem observa que a crítica tem limite. O desempenho do próprio Lula no primeiro turno não aparece na lista de responsabilidades, mesmo diante dos números. A leitura de Veja é que, no PT, o presidente raramente é apontado como responsável pelos reveses.

O que esperar daqui para frente

A tendência é que o segundo turno seja de campanha mais centralizada nas redes e com foco no adversário. A entrada de novos coordenadores indica uma tentativa de corrigir a rota apontada como falha na primeira etapa.

Resta saber se a troca de estratégia chega a tempo de reverter a desvantagem. Em 8 de outubro, a campanha de Lula no segundo turno ganhou o trio do Nordeste justamente para tentar ampliar a votação nas regiões onde o presidente perdeu espaço.

A leitura do fogo amigo no Planalto

A reportagem afirma que assessores palacianos também entraram na lista de cobranças internas. Nesse grupo, a reclamação é que a comunicação do governo e a de campanha atuaram em ritmos diferentes ao longo do primeiro turno.

O reflexo aparece no conteúdo publicado pelo presidente nas redes. As peças passaram a mirar a promessa de cortes do adversário e a ligar Flávio Bolsonaro ao governo do pai, Jair Bolsonaro. A ideia é resgatar o eleitor que rejeita o bolsonarismo radical.

Aliados avaliam que a mudança de estilo pode ajudar a reconectar o presidente com parte do eleitorado que se afastou. A dúvida é se o tempo restante até a votação do segundo turno será suficiente para consolidar a nova estratégia.

Com informações de Veja.

RedeBrasil

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