Resultado das escolhas – Semanário ZN
Em suas reflexões, o filósofo francês Jean-Paul Sartre concluiu que não há nada que possa eximir o homem da sua condição de ser livre e, em contrapartida, de sua responsabilidade diante de seus atos. Decorrência dessa afirmação talvez seja outra assertiva, que diz que “somos o reflexo das nossas escolhas”, ou seja, toda escolha gera uma consequência. Sendo assim, somos o resultado do exercício do livre-arbítrio que cada indivíduo possui para trilhar o seu caminho.
Sobre esse tema, o pensador Léon Denis, no livro O problema do Ser, do destino e da dor, afirma que a responsabilidade molda a dignidade e a moralidade do homem, porquanto advém da consciência que aprova ou censura os nossos atos. Afinal, a vida é feita de escolhas.
Além disso, pontua O Livro dos Espíritos (questões 861 e 843): “Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la ou não”. Porque somos livres para agir como bem quisermos, pois “se tem a liberdade de pensar, tem a de agir (…) e, consequentemente, somos responsáveis pelo bem ou mal que plantarmos”. Escolhas acertadas ou equivocadas refletem o grau de consonância que as criaturas têm quanto à Lei de Amor. Elas são os resultados do que cada indivíduo compreendeu e absorveu dessa lei e, pelos atos praticados, revelam-se os tesouros morais.
É possível relacionar, portanto, liberdade e responsabilidade com a elevação moral das pessoas, que fica evidente em suas escolhas. Isso é decorrente do desenvolvimento do livre-arbítrio que, ao acompanhar o da inteligência, acaba por aumentar a responsabilidade sobre os atos praticados.
Sobre isso, no livro Momentos de Alegria, Joanna de Ângelis, revela a necessidade de fazermos “uma avaliação honesta da nossa existência, sem consciência de culpa, sem pieguismo desculpista. Avaliemos se nossos atos, nossas escolhas de agora, serão motivos de sofrimento ou de ventura mais adiante. Vejamos como estamos nos comportando perante o mundo e perante nós mesmos, sob o pretexto de alcançarmos a felicidade.
Ser feliz, ou não, também é uma opção que nos é dada diariamente. Resta-nos, apenas, analisarmos objetiva e sinceramente se nossas escolhas são legítimas e justas. Afinal, não há como ser feliz às custas de dores e de angústias alheias. Pois, por certo, mais dia, menos dia, esse tipo de situação ensejará, inevitavelmente, nosso próprio sofrimento. Somos livres para semearmos o que bem nos aprouver, conscientes, no entanto, de que estaremos obrigatória e inafastavelmente vinculados à colheita de seus frutos.”.
Daí a importância do alerta feito por Saulo de Tarso, o apóstolo Paulo, quando disse que “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Enfim, é preciso que sempre estejamos alerta, lembrando do ensinamento de que é preciso orar e vigiar, bem como interrogar a consciência antes de fazermos nossas escolhas, mesmo aquelas que consideramos pequenas.
Assim, antes de tomar qualquer decisão, pense e reflita, lembrando que, a partir dos nossos pensamentos, sempre poderemos mudar nossa postura e nossos atos futuros. Afinal, como ensinou Chico Xavier: “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International

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