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Review: Star Fox volta a voar alto, mas não pode viver apenas de nostalgia

Review: Star Fox volta a voar alto, mas não pode viver apenas de nostalgia

Review: Star Fox volta a voar alto, mas não pode viver apenas de nostalgia

Há algo imediatamente familiar em cruzar Corneria com o Arwing, carregar o laser antes que uma formação inimiga apareça e executar um barrel roll para escapar de uma sequência de disparos. Star Fox recupera essas sensações com enorme competência no Nintendo Switch 2. Os controles estão mais ágeis, o elenco recebeu espaço para desenvolver suas relações e as antigas rotas pelo sistema Lylat escondem novos motivos para serem exploradas.

Essa reconstrução acerta justamente porque compreende que Star Fox nunca dependeu de uma campanha longa para funcionar. Uma rota pode ser concluída em uma ou duas horas, mas alcançar Andross representa apenas uma fração da experiência. As fases possuem condições alternativas, passagens escondidas, variações internas e conexões diferentes entre os planetas. Terminar uma vez significa descobrir quanto conteúdo ainda ficou fora daquele percurso.

O formato continua incomum diante das campanhas extensas que dominam os lançamentos modernos. Quem avaliar o jogo apenas pela duração da primeira tentativa provavelmente encontrará pouco conteúdo. Quando passei a observar cada estágio como uma peça reutilizável dentro de várias trajetórias, a estrutura mostrou sua força. Star Fox é menos uma viagem única pelo espaço e mais uma coleção de rotas para dominar, desmontar e reconstruir.

A repetição deixa de ser problema quando muda o destino

As missões levam a lugares conhecidos, entre eles Corneria, Fichina, Solar, Zoness, Venom, Meteo e Sector Y. Muitos cenários seguem composições próximas das versões anteriores, assim como o posicionamento de diferentes grupos inimigos. Essa fidelidade permite que veteranos usem lembranças das edições de Nintendo 64 e Nintendo 3DS para antecipar ataques, proteger companheiros e preparar disparos antes mesmo de os alvos entrarem completamente na tela.

O conhecimento prévio não resolve tudo. Uma decisão tomada durante a missão pode revelar outro trecho da fase ou deslocar a equipe para um destino que não apareceria na rota convencional. Encontrar essas bifurcações exige mais do que aumentar a pontuação. É necessário prestar atenção às comunicações, explorar oportunidades e abandonar ocasionalmente o caminho mais evidente, mesmo quando ele parece ser a opção segura.

O mérito dessa construção está na maneira como uma área familiar consegue produzir consequências diferentes. A primeira passagem ensina onde estão os perigos; a seguinte permite testar uma abordagem mais eficiente; outra tentativa pode finalmente revelar o desvio procurado. Cada repetição acrescenta conhecimento prático e reduz o espaço para movimentos improvisados, transformando uma sequência inicialmente caótica em uma execução planejada.

Nem todos aproveitarão esse ciclo da mesma maneira. O jogo pede disposição para retornar às mesmas missões, repetir partes conhecidas e procurar condições que nem sempre estarão evidentes. Para quem prefere avançar constantemente por áreas inéditas, a campanha pode soar pequena e excessivamente dependente de conteúdo reciclado. Para quem gosta de pontuação, domínio mecânico e segredos, a estrutura possui uma longevidade que a duração de uma rota não consegue medir.

Pilotar o Arwing ainda é a melhor justificativa para retornar

A resposta do Arwing sustenta toda essa proposta. A nave acelera rapidamente, reduz a velocidade com precisão e muda de direção sem transmitir peso excessivo. Essa agilidade é indispensável quando a tela reúne meteoros, esquadrões inimigos, estruturas e disparos vindos de vários lados. O controle acompanha a velocidade da ação, permitindo atacar enquanto procuro uma linha segura para atravessar o cenário.

O sistema ofensivo conserva uma simplicidade eficiente. Posso carregar o laser para acertar vários inimigos, disparar rapidamente contra alvos restantes e lançar bombas quando uma formação se torna numerosa demais. Não existem complicações desnecessárias entre a identificação de uma ameaça e a reação. O desafio vem de escolher o recurso correto no momento certo, não de memorizar combinações extensas.

A preservação das asas acrescenta outra preocupação aos combates. Um movimento mal calculado pode causar dano à nave e reduzir sua capacidade justamente quando a missão começa a exigir maior precisão. Isso obriga a equilibrar agressividade e posicionamento: perseguir cada inimigo produz pontuações melhores, mas atravessar uma área perigosa sem calcular o espaço pode comprometer o restante do estágio.

Há situações nas quais essa quantidade de tarefas ultrapassa o limite da boa leitura. Disparos, naves, mensagens dos aliados e obstáculos ocupam a tela simultaneamente, criando combates capazes de desorientar. Jogadores novos podem ter dificuldade para identificar qual ameaça merece atenção imediata. A precisão dos comandos reduz a frustração, mas não impede que algumas sequências pareçam mais confusas do que desafiadoras.

O tutorial prepara o básico dentro de uma simulação de realidade virtual usada por Fox e seus companheiros. Curvas fechadas, movimentação defensiva, ataques contra grupos e barrel rolls são apresentados sem separar o aprendizado da narrativa. A solução permite praticar os comandos antes da primeira missão real e evita longas explicações. Entender como voar é rápido; aprender a controlar o caos e encontrar rotas especiais exige várias passagens.

Fox McCloud ganha uma equipe, não apenas vozes no rádio

A maior transformação do remake não está exclusivamente nos gráficos, mas na forma como os personagens ocupam a aventura. Cada missão recebe uma introdução cinematográfica, e os diálogos durante o voo passam a complementar cenas que já estabeleceram objetivos, conflitos e relações. A história permanece direta, porém o elenco deixa de funcionar somente como um conjunto de vozes distribuindo avisos em meio aos disparos.

O prólogo apresenta James McCloud, pai de Fox e antigo líder da equipe. A traição de Pigma conduz o grupo a uma missão desastrosa e prepara o conflito pessoal que será herdado pelo protagonista. Anos depois, Fox lidera Falco, Peppy e Slippy em trabalhos contratados, enquanto Andross ameaça novamente o sistema Lylat com suas experiências biotecnológicas.

A relação com General Pepper também se torna mais clara. A Star Fox não aparece como um esquadrão subordinado diretamente às forças armadas, mas como uma unidade independente contratada para enfrentar ameaças. Essa informação reorganiza a leitura das missões e dá uma identidade mais definida à equipe. Eles trabalham ao lado da defesa de Corneria, mas possuem sua própria hierarquia, história e dinâmica interna.

Falco aproveita especialmente bem o espaço adicional. Ele contesta as decisões de Fox, disputa eliminações e tenta demonstrar superioridade sempre que encontra uma oportunidade. A rivalidade não impede o respeito entre os dois, mas cria uma tensão importante para que o protagonista não pareça liderar um grupo sem conflitos. Peppy carrega a experiência da formação anterior, enquanto Slippy mantém o comportamento atrapalhado que frequentemente o coloca em perigo.

As interpretações dão personalidade a essas diferenças sem transformar cada intervalo em uma exposição longa. A conversa foi distribuída de maneira mais concentrada, com as cenas assumindo informações que antes precisavam ser transmitidas por telas estáticas ou durante as batalhas. Isso reduz parte da sobrecarga narrativa dentro das missões e permite observar a química da equipe em momentos nos quais não estou tentando sobreviver.

A aparência mais realista encontra coerência nas cenas

Os novos modelos dos personagens podem causar estranhamento em imagens isoladas. Slippy possui um olhar mais rígido, Falco ganhou pés que lembram diretamente as garras de uma ave e Fox aparece com pelos, roupas e feições muito mais detalhados. A direção abandona parte da simplicidade cartunesca das versões anteriores para aproximar o grupo de uma produção cinematográfica.

Essa escolha funciona melhor quando todos estão em movimento. Expressões, gestos e enquadramentos dão propósito ao nível elevado de detalhes, enquanto as interações impedem que os personagens pareçam apenas versões realistas de designs antigos. A adaptação visual não é instantânea, mas as cenas constroem uma unidade que as primeiras imagens promocionais dificilmente conseguiriam demonstrar.

Os ambientes seguem a mesma lógica de atualização sem substituição. Corneria, Solar, Meteo e os demais destinos continuam reconhecíveis, agora com maior densidade visual e acabamento moderno. O remake preserva estruturas e trajetórias importantes para que a memória dos veteranos continue útil. A atualização gráfica embeleza o percurso, mas evita redesenhar cada local a ponto de eliminar sua função original.

Essa fidelidade produz tanto conforto quanto limitação. É prazeroso reconhecer um cenário antigo com outra escala de detalhes, sobretudo quando a nave responde melhor e os efeitos tornam a batalha mais intensa. Ao mesmo tempo, a familiaridade constante impede a sensação de descoberta que uma aventura totalmente inédita poderia proporcionar. O novo acabamento mostra quanto potencial a franquia ainda possui, mas também lembra que a equipe continua lutando a mesma guerra.

Diferentes formas de controle mudam a divisão das tarefas

Joy-Con e Pro Controller oferecem uma pilotagem responsiva, acompanhada por vibrações que dão presença às manobras e aos impactos. O suporte a mouse acrescenta uma alternativa mais precisa para a mira, sem tornar os controles tradicionais inadequados. A escolha depende principalmente de quanto o jogador deseja separar o movimento do Arwing do posicionamento dos disparos.

Essa divisão se torna literal no modo cooperativo. Um jogador assume o voo e outro controla a mira, obrigando a dupla a coordenar direção, velocidade e seleção dos alvos. O formato altera uma experiência normalmente individual porque nenhum dos participantes possui controle completo da nave. O mouse encontra uma utilidade evidente nessa configuração ao permitir que o segundo jogador acompanhe inimigos com maior precisão.

As opções não alteram o desenho das missões, mas tornam o remake mais flexível. Veteranos podem manter o controle convencional e confiar na memória construída pelas versões anteriores. Novos jogadores têm alternativas para encontrar uma configuração mais confortável, enquanto o cooperativo oferece uma forma diferente de compartilhar a campanha sem duplicar naves ou modificar a composição dos estágios.

Challenge Mode e Battle Mode respeitam o ritmo arcade

Challenge Mode reorganiza fases conhecidas em torno de novos objetivos e dificuldades selecionáveis. As tarefas funcionam bem em sessões curtas porque não exigem percorrer toda a campanha antes de entregar um desafio relevante. É uma opção adequada para testar domínio dos controles, enfrentar condições mais exigentes e retornar a um estágio com uma meta mais direta do que simplesmente alcançar a maior pontuação.

Battle Mode leva o conflito para partidas de quatro contra quatro entre Star Fox e Star Wolf. Cada equipe precisa cumprir tarefas para vencer, e as batalhas personalizadas permitem ajustar regras. A modalidade pode ser jogada localmente ou por GameShare, ampliando um pacote que tradicionalmente encontra sua maior força na campanha individual e na competição por desempenho.

Nenhum desses modos muda a escala do conteúdo principal, mas ambos entendem o formato do jogo. Star Fox funciona melhor em sessões concentradas, com objetivos claros e oportunidades constantes de aprimorar a execução. Os desafios e confrontos multiplayer aproveitam essa característica em vez de tentar transformar o remake em uma experiência interminável baseada em progressão artificial.

O sistema Lylat merece ser um começo, não uma prisão

Star Fox entrega uma reconstrução segura e muito bem executada de uma aventura que continua relevante. A pilotagem precisa do Arwing, as rotas alternativas e o elenco mais desenvolvido justificam o retorno, enquanto Challenge Mode, multiplayer e cooperação aumentam as opções fora da trajetória principal. O conjunto respeita o original sem parecer limitado a uma simples atualização gráfica.

A curta duração de uma rota exige que o jogador compreenda e aceite a repetição como parte central do projeto. Algumas batalhas também acumulam informações demais, e a constante presença de cenários conhecidos reduz o impacto da descoberta. São limitações importantes para quem busca uma campanha linear, extensa e formada inteiramente por conteúdo inédito.

Eu recomendo Star Fox tanto como introdução para uma nova geração quanto como reencontro para quem já conhece Corneria e Venom. O remake recupera a equipe em excelente forma e demonstra que essa fórmula ainda possui espaço no cenário atual. Sua maior responsabilidade agora é abrir caminho para uma continuação que abandone a segurança das Lylat Wars e permita que Fox McCloud finalmente pilote em direção ao desconhecido.

NOTA: 9/10

Jogo analisado no Nintendo Switch 2. Uma cópia foi fornecida pela publicadora para fins de avaliação.

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