SAF do Vasco: sócios aprovam venda de 90% em AGE
Os sócios do Vasco aprovaram nesta sexta-feira (23) a venda de 90% das ações da SAF do clube para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa controlada pelo empresário Marcos Lamacchia. A decisão saiu de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) na Sede Náutica, no Rio de Janeiro, com votação presencial e por meio digital. O negócio gira em torno de R$ 4 bilhões.
Como foi a votação da SAF do Vasco
A assembleia dividiu a decisão em duas partes. Na primeira, os sócios avaliaram a mudança do estatuto, que reduz de 20% para 10% a fatia de ações que o clube associativo mantém na SAF. Na segunda, votaram a proposta do grupo de Lamacchia.
O resultado confirmou o que o Conselho Deliberativo já havia aprovado em 6 de outubro. Naquela data, o colegiado deu aval à mudança estatutária e à venda para a Almirante. A assembleia desta sexta foi o último rito interno do clube antes do repasse do futebol à empresa.
A sexta-feira chuvosa no Rio esvaziou a sede presencial. Até as 15h, apenas 106 sócios haviam comparecido, e a Sede Náutica chegou a ficar alguns minutos sem luz. No ambiente online, mais de 2,5 mil sócios votaram nas duas primeiras horas. Ao todo, 7.195 estão aptos a votar.
“Momento histórico. Tem que comemorar”, disse o médico Fabio Espíndola, de 51 anos, que votou acompanhado dos filhos Beatriz Lopes, de 15, e Pedro Espíndola, de 11.
Quanto vale a venda da SAF do Vasco
O negócio gira em torno de R$ 4 bilhões, conforme as condições fixadas no processo judicial. O valor soma o pagamento pela aquisição das ações, os aportes financeiros previstos para a SAF e outras obrigações assumidas pela compradora.
A operação foi estruturada pela alienação judicial da UPI Equity, mecanismo previsto no plano de recuperação judicial apresentado pelo clube à Justiça. O modelo viabiliza a transferência do controle acionário da Nova SAF sem leilão tradicional. A proposta de Marcos Lamacchia foi apresentada ainda em junho e venceu o processo competitivo em setembro.
Com a aprovação, o clube associativo fica com 10% das ações. Antes da mudança estatutária, essa fatia era de 20%. A redução era uma exigência do grupo comprador para assumir o comando do futebol.
O que falta para o negócio sair do papel
Clube e empresa agora aguardam a análise dos órgãos reguladores. A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) avalia mudanças societárias nas SAFs do país e, no caso do Vasco, ainda investiga um possível conflito de interesses na negociação.
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) também instaurou um procedimento administrativo, que corre em sigilo. A autarquia apura uma possível troca de controle sem análise prévia, além de indícios de que o grupo do empresário já teria interferido na gestão do clube antes da aprovação.
Em caso de sinal verde, restam apenas os ritos processuais e burocráticos ligados à arrematação e à transferência dos ativos da antiga para a nova SAF.
Quem comanda a Almirante
Marcos Lamacchia é o principal investidor e o responsável financeiro do projeto. A Almirante tem como presidente Mário Junqueira Franco Junior, sócio de Lamacchia na empresa.
Os sócios não receberam o contrato completo antes da votação. A diretoria alegou cláusulas de confidencialidade e pontos comerciais estratégicos. “A gente não tem como abrir o contrato para os sócios, porque o contrato tem muitas cláusulas de confidencialidade”, afirmou um dirigente. Segundo ele, o sócio tinha informação suficiente para decidir.
O que esperar daqui para frente
Com a aprovação, o Vasco avança para a fase final de um processo que se arrasta desde o ano passado. O clube passa a depender apenas do aval dos órgãos de regulação e de antitruste para concluir a venda. A expectativa é de que a nova estrutura societária mude o comando do futebol profissional.
O modelo de SAF já virou padrão entre os grandes clubes brasileiros. Cruzeiro, Botafogo, Bahia e Fortaleza trilharam caminhos parecidos, com investidores assumindo o controle do departamento de futebol em troca de aportes financeiros. O Vasco agora entra nessa lista, mas com um detalhe incomum: a operação nasce dentro de uma recuperação judicial.
Dentro de campo, o time vive um bom momento. A vitória sobre o Boca na Bombonera deixou o clube perto da final da Sul-Americana. A diretoria espera que a venda da SAF dê estabilidade financeira para segurar o elenco e reforçar o time na próxima temporada.
O mercado, porém, ainda olha com cautela. Enquanto Anresf e Cade não baterem o martelo, a negociação segue em suspense. A torcida aprovou a mudança nas urnas, mas o desfecho real da história depende de instâncias que não passam pelo voto do sócio.
Com informações de SuperVasco. Foto: reprodução/SuperVasco
RedeBrasil



Publicar comentário