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São Paulo sobe para 2º lugar no Pisa em ano eleitoral e impulsiona campanha de Tarcísio

São Paulo sobe para 2º lugar no Pisa em ano eleitoral e impulsiona campanha de Tarcísio

São Paulo sobe para 2º lugar no Pisa em ano eleitoral e impulsiona campanha de Tarcísio

O Estado de São Paulo alcançou a segunda posição no ranking nacional do Pisa 2025, avaliação internacional de educação coordenada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O resultado, divulgado nesta terça-feira (8), coloca São Paulo atrás apenas do Paraná, com 427 pontos na média geral contra 436 do estado vizinho. A marca representa a melhor posição histórica do estado na avaliação.

Os dados são da edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que envolveu cerca de 760 mil alunos de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 estudantes, sendo 72,4% de escolas estaduais e 84,7% matriculados na primeira ou segunda série do ensino médio. São Paulo ficou em segundo lugar nas três áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências. Santa Catarina aparece em terceiro em todas as classificações, consolidando a região Sul como destaque educacional do país.

O desempenho paulista representa uma trajetória de melhoria consistente ao longo das últimas duas décadas. Em 2006, o estado ocupava a 11ª posição entre as 27 unidades da federação. Subiu para 7º em 2009, manteve-se nela em 2012, avançou para 6º em 2015 e agora, em 2025, alcançou o segundo lugar. O período inclui governos do PSDB, PFL e, desde 2023, do Republicanos com Tarcísio de Freitas. A evolução reflete políticas educacionais que atravessaram diferentes administrações.

Peso eleitoral

A divulgação do resultado ocorre em meio à campanha eleitoral para o governo de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputa a reeleição contra Fernando Haddad (PT), que foi ministro da Educação entre 2005 e 2012, durante os governos Lula e Dilma Rousseff. A educação tornou-se um dos principais campos de disputa entre os dois candidatos, com cada um tentando capitalizar sua experiência na área.

O governador pode usar o indicador como vitrine de sua gestão. Pesquisas recentes mostram Tarcísio à frente na corrida eleitoral. Levantamento Quaest divulgado em agosto apontou o atual governador com 42% das intenções de voto contra 27% de Haddad e 31% entre brancos, nulos e indecisos. Pesquisa Futura/100% Cidades, realizada entre 2 e 4 de setembro com 1.600 eleitores e margem de erro de 2,4 pontos percentuais, indicou que Tarcísio venceria no primeiro turno.

Especialistas ponderam, no entanto, que o resultado do Pisa não pode ser atribuído exclusivamente ao governo Tarcísio. O avanço paulista ocorreu ao longo de diferentes administrações e o exame avalia estudantes de 15 anos, cuja trajetória escolar começou antes da posse do republicano em janeiro de 2023. O Brasil como um todo também melhorou seu desempenho desde 2006, embora continue abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas. Ainda assim, o dado oferece ao governador um argumento concreto para apresentar ao eleitorado em busca da reeleição.

Haddad, por sua vez, tem utilizado sua passagem pelo Ministério da Educação como trunfo. O ex-ministro costuma lembrar em seus discursos de campanha que, sob sua gestão, foram criados o Enem como porta de entrada para universidades federais, o Fies e o Prouni. A pergunta que o petista tenta colocar ao eleitor é se os números do Pisa refletem uma política continuada ou se o atual governador está apenas colhendo frutos plantados por gestões anteriores.

Debates cancelados

Enquanto as pesquisas dominam o noticiário, o panorama dos debates eleitorais em São Paulo sofreu um revés. O consórcio de veículos O Momento da Decisão, formado por diferentes empresas de comunicação, cancelou os debates programados após o presidente Lula, o candidato ao Senado Flávio Dino e o próprio Tarcísio não confirmarem presença. O pool havia estabelecido o dia 7 de setembro como prazo final para que os candidatos definissem participação.

A ausência de debates reduz o espaço para confronto de propostas entre os postulantes ao Palácio dos Bandeirantes. Para Haddad, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, a falta de debates ao vivo dificulta a tentativa de reverter a vantagem de Tarcísio. Para o governador, a estratégia de evitar confrontos diretos pode ser interpretada como sinal de confiança na dianteira eleitoral que as pesquisas apontam.

7 de Setembro na campanha

O feriado da Independência também refletiu a dinâmica da disputa. Tarcísio não participou do desfile cívico-militar de 7 de Setembro no Anhembi, sendo representado pelo vice. Em vez disso, o governador cumpriu agenda na Igreja Mundial e participou de um ato político na Avenida Paulista ao lado de outras lideranças conservadoras, incluindo o senador Flávio Dino.

No ano passado, durante o mesmo feriado, Tarcísio havia usado palavras como “tirania” e “ditadura” para se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Desta vez, o tom foi visivelmente mais moderado, em uma tentativa calculada de ampliar seu diálogo com o eleitorado de centro durante a campanha eleitoral. A mudança de discurso reflete a preocupação da equipe de campanha em não afugentar eleitores moderados em uma eleição que pode ser decidida nos detalhes.

Cenário do Senado

Além da disputa pelo governo, a eleição para o Senado por São Paulo também movimenta o tabuleiro político. Pesquisas Datafolha devem testar novos nomes na corrida senatorial nas próximas semanas. O estado elege duas vagas para o Senado em 2026, e a composição das chapas pode influenciar o desempenho dos candidatos a governador, especialmente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com mais de 33 milhões de eleitores.

A definição dos nomes que disputarão o Senado também impacta o cenário nacional. Os partidos buscam alianças que fortaleçam seus palanques estaduais e projetem influência no Congresso. Em São Paulo, a força eleitoral dos candidatos ao Senado pode tanto alavancar quanto drenar votos dos postulantes ao Palácio dos Bandeirantes, dependendo do alinhamento das campanhas.

O que esperar

Com a aproximação do primeiro turno em outubro, a campanha paulista promete se intensificar. O resultado do Pisa 2025 deu munição para Tarcísio na área de educação, mas o governador enfrenta desafios em outras áreas, como segurança pública e infraestrutura. Resta saber se Haddad conseguirá usar sua experiência como ex-ministro para contrapor os números e reverter a desvantagem nas pesquisas.

O debate de propostas, infelizmente, fica prejudicado pela ausência de confrontos diretos em debates televisionados. O eleitor paulista terá que buscar informações por outros meios para decidir seu voto nas eleições que definirão os rumos do estado mais populoso do Brasil para os próximos quatro anos.

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