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STF forma maioria para derrubar lei que proíbe cotas raciais em universidades de SC

STF forma maioria para derrubar lei que proíbe cotas raciais em universidades de SC

STF forma maioria para derrubar lei que proíbe cotas raciais em universidades de SC

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira (16) para derrubar a legislação de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades do estado.

O julgamento está ocorrendo em plenário virtual, onde os ministros depositam seus votos remotamente, desde a última sexta-feira (10) e continuará até a próxima sexta-feira (17). O relator do caso, Gilmar Mendes, votou pela inconstitucionalidade da lei.

O decano da corte argumentou que existe jurisprudência consolidada no tribunal em apoio à reserva de vagas e criticou a pressa do governo Jorginho Mello (PL) em aprovar a legislação sem análise adequada das consequências.

“Não houve consulta às instituições de ensino superior diretamente afetadas pela proposta legislativa”, afirmou.

A posição de Gilmar foi seguida pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Luiz Edson Fachin.

Gilmar fez um extenso discurso sobre os efeitos das ações afirmativas no país. “Quando utilizadas adequadamente, políticas desse tipo efetivamente promovem o princípio da igualdade, que consiste em respeitar as diferenças e combater as desigualdades materiais”, afirmou.

Em sua defesa enviada ao Supremo, o governo catarinense afirmou que a lei é constitucional e adequada às “singularidades demográficas” do estado, que tem a maior proporção de população branca do país.

Em sua manifestação ao ministro, a gestão Mello, por meio de sua Procuradoria-Geral, destacou que 81,5% da população catarinense se identifica como branca, enquanto pretos e pardos representam 18,1%, um percentual significativamente inferior à média nacional de 56,1%.

Os números apresentados diferem dos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo de 2022, o mais recente. De acordo com a pesquisa, 76,3% dos catarinenses se declararam brancos, e 23,3% se autodeclararam pretos ou pardos.

O Censo aponta que a maior proporção de brancos não está em Santa Catarina, mas sim no Rio Grande do Sul, com 78,4%.

A ação, relatada por Gilmar, foi movida pelo PSOL, UNE (União Nacional dos Estudantes) e Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), contestando a constitucionalidade da lei aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro e sancionada pelo governador em 22 de janeiro.

A legislação também está sendo questionada no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que já emitiu uma liminar suspendendo seus efeitos.