Tarcísio cancela campanha e foca em chuvas em SP
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou todos os compromissos de campanha neste sábado (12) para acompanhar pessoalmente as ações de emergência provocadas pelas fortes chuvas que atingem o estado. A decisão foi comunicada no início da manhã, quando ele já estava no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), onde funciona o Gabinete de Crise montado pela Defesa Civil.
Tarcísio tinha ao menos três agendas de campanha programadas em Olímpia, no interior paulista, mas optou por permanecer na capital. “Estamos acompanhando o volume dos rios aqui na capital e no interior, a recuperação da subestação da CPTM atingida por uma descarga atmosférica, o resgate de feridos e a busca pelos desaparecidos do desabamento”, afirmou o governador.
A situação é crítica em várias regiões. Na zona leste de São Paulo, um prédio desabou no bairro da Penha, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros para buscas entre os escombros. A Defesa Civil também monitora o nível dos rios Tietê e Pinheiros, que subiram significativamente nas últimas horas. Até o momento, não há um balanço oficial de feridos ou desabrigados, mas a prefeitura da capital montou abrigos emergenciais em escolas e ginásios nos bairros mais afetados.
Estrutura de emergência mobilizada com chuvas em SP
O Gabinete de Crise no CGE reúne órgãos estaduais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e concessionárias de serviços essenciais. A estrutura funciona 24 horas para coordenar o atendimento às ocorrências e o apoio às cidades e famílias atingidas. A Defesa Civil informou que equipes de resgate foram enviadas para as regiões com maiores índices pluviométricos, incluindo bairros da zona norte e leste da capital.
“Hoje vamos ficar em contato com os municípios, vamos dar suporte às famílias atingidas, aos prefeitos dos municípios e acompanhar todas as medidas de restabelecimento dos serviços”, disse Tarcísio, ao justificar a ausência nos compromissos de campanha.
As chuvas dos últimos dias também causaram transtornos na infraestrutura de transporte. Um incêndio em uma subestação da CPTM afetou as linhas 11-Coral e 12-Safira, além de suspender o Expresso Aeroporto. A Marginal Tietê chegou a ser totalmente bloqueada no sentido Castello Branco por causa de alagamentos, uma cena que se tornou recorrente nos últimos temporais que atingem a capital paulista.
A CPTM informou que equipes técnicas trabalham na recuperação da subestação danificada por descarga atmosférica. A previsão é de normalização gradual ao longo do fim de semana, mas a orientação aos passageiros é de buscar alternativas de transporte. Além disso, a companhia recomendou que os usuários consultem os canais oficiais antes de sair de casa, pois as linhas podem operar com intervalos maiores ou trechos suspensos.
Campanha em segundo plano
A decisão de Tarcísio de priorizar a gestão da crise em vez da agenda eleitoral ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta semana, o governador aparece com 49% das intenções de voto na disputa pela reeleição, contra 29% do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). Os números colocam Tarcísio em vantagem expressiva, mas ainda distante dos 50% mais um votos válidos necessários para vitória em primeiro turno.
Com os números, Tarcísio tecnicamente se aproxima de uma vitória já no primeiro turno. No entanto, a campanha do governador tem evitado declarações de confiança excessiva, mantendo o tom de cautela e foco na entrega de resultados à população. A estratégia da coordenação de campanha tem sido projetar a imagem de um gestor que coloca o interesse público acima das ambições eleitorais.
O petista Fernando Haddad, por sua vez, intensificou a agenda de campanha neste sábado, com eventos na zona sul da capital e no ABC paulista. Em discursos, Haddad tem criticado a gestão estadual, especialmente nas áreas de transporte público e habitação. “Enquanto o governador faz o trabalho dele, nós estamos na rua ouvindo o povo”, declarou Haddad em um dos eventos, em uma tentativa de capitalizar politicamente a ausência do adversário nas ruas.
Contraste e visibilidade na reta final
Analistas políticos apontam que a postura de Tarcísio de abandonar a agenda eleitoral para comandar a crise pode ter efeito ambíguo na reta final da campanha. Por um lado, projeta uma imagem de governante comprometido com a gestão pública acima dos interesses eleitorais. Por outro, tira o candidato das ruas em um momento decisivo da disputa.
O cientista político Paulo Baía, da USP, avalia que a decisão pode beneficiar o governador. “Em uma situação de calamidade, o eleitor espera ver o governante à frente do problema. Se ele estivesse fazendo campanha enquanto chove forte e há desabamentos, a imagem seria muito negativa. Agora, ele transforma uma crise em oportunidade de demonstrar liderança.”
A campanha de Tarcísio não informou se as agendas canceladas serão remarcadas para a próxima semana. A previsão meteorológica indica que as chuvas devem continuar nos próximos dias, o que pode impactar ainda mais o calendário eleitoral do candidato à reeleição.
O que esperar dos próximos dias
A Defesa Civil mantém alerta para novas tempestades no estado até segunda-feira (14). As regiões mais críticas são a Grande São Paulo, o Vale do Paraíba e a Baixada Santista. O governador afirmou que permanecerá à disposição do gabinete de crise enquanto a situação exigir. Nas redes sociais, Tarcísio pediu que a população evite áreas de risco e acompanhe os boletins oficiais da Defesa Civil.
Para os eleitores, o episódio coloca em evidência um dilema comum em períodos eleitorais: até que ponto a campanha deve ceder espaço à administração pública? No caso de Tarcísio, pelo menos neste sábado, a resposta foi clara: a emergência veio primeiro. A decisão, no entanto, ainda será testada nas urnas daqui a três semanas.
Com informações da CNN Brasil e G1
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