Unb sedia 14º Congresso Nacional de Pesquisadores Negros com foco em equidade
A Universidade de Brasília (UnB) prepara-se para receber, entre os dias 28 e 31 de julho, o 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as), o Copene. O evento é amplamente reconhecido como o maior encontro de intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros do Brasil, atraindo também pesquisadores de diversas nações da América Latina para o campus Darcy Ribeiro.
Um espaço estratégico para a ciência e a equidade
O Copene se consolidou como um ambiente fundamental para a circulação de conhecimento científico e o fortalecimento de redes de colaboração acadêmica. Segundo a organização, o congresso vai além da exposição de teses, atuando como um catalisador para a valorização dos saberes afrodiaspóricos e a construção de políticas públicas voltadas à equidade racial e à justiça social no país.
A programação oficial inclui uma vasta agenda de minicursos, oficinas, painéis de debate e mesas redondas. Além disso, o evento será palco para o lançamento de dezenas de obras literárias e científicas, reafirmando a importância da produção intelectual negra na construção do pensamento brasileiro contemporâneo.
Organização e legado institucional
A realização desta edição é fruto de uma articulação entre o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (NEAB/UnB), a Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e o Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS). A escolha da UnB como sede não é casual, dado o histórico da instituição como pioneira na implementação de políticas de ações afirmativas.
Em 2003, a UnB foi a primeira universidade federal a adotar um programa de acesso acadêmico por meio de cotas raciais. Esse marco histórico pavimentou o caminho para que, hoje, todas as 69 universidades federais brasileiras operem sob a égide da Lei de Cotas (Lei 12.711/2012), garantindo maior diversidade no ensino superior público.
Desafios na representatividade acadêmica
Apesar dos avanços registrados nas últimas duas décadas, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a desigualdade ainda é um desafio persistente. Entre 2000 e 2022, a proporção de pessoas pardas com graduação saltou de 2,4% para 12,3%, enquanto a de pessoas pretas subiu de 2,1% para 11,7%. Contudo, esses números permanecem distantes dos 25,3% registrados entre a população branca.
No campo da pesquisa científica, o cenário apresenta uma trajetória de crescimento, mas ainda carece de maior representatividade. O percentual de doutores negros liderando grupos certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) subiu de 8,1% para 22,6%. Considerando que pretos e pardos compõem 55,5% da população brasileira, a presença de cerca de 15 mil pesquisadores negros no país reforça a necessidade de espaços como o Copene para fomentar a inclusão e o protagonismo científico.
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