Tarcísio critica vandalismo na Paulista e omite 8 de janeiro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a comentar os episódios de vandalismo na Paulista registrados durante a manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, dia 11. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador condenou pichações e atos de depredação. Disse também que manifestações da direita, no mesmo endereço, ocorreram sem problemas. A fala reacendeu uma comparação incômoda, com o 8 de janeiro de 2023.
A declaração ganhou espaço na imprensa regional e abriu um debate sobre critérios. Afinal, o rigor usado para medir atos de grupos diferentes deveria ser o mesmo. É o que sustenta a reportagem do SP Jornal, fonte desta matéria.
O que aconteceu na Avenida Paulista
Durante a dispersão do ato pró-Lula, imagens que circularam nas redes sociais mostraram pessoas sobre a cobertura de vidro de uma entrada da estação Trianon-Masp. Também apareceu uma pichação com a frase “Viva a Revolução”.
A Polícia Militar informou ter registrado ocorrências de tumulto, pichações e depredação em pontos da região. O Metrô de São Paulo, por sua vez, declarou ao UOL que, até o início da noite, não tinha registros internos de vandalismo ou danos nas estações da Paulista.
Segundo a apuração, não havia confirmação sobre quando a pichação foi feita nem quem foi o responsável. Os registros merecem investigação e eventual responsabilização. Isso, contudo, não elimina a necessidade de contextualizar a dimensão dos acontecimentos.
O que Tarcísio disse sobre as manifestações
Em vídeo, o governador afirmou que manifestações da direita no mesmo local ocorreram sem transtornos. “Quem precisa quebrar para ter razão, já perdeu o argumento”, declarou Tarcísio. Na sequência, associou a presença do PT a episódios de vandalismo e intolerância.
A declaração abre uma questão simples. Qual critério deve orientar a avaliação de manifestações políticas, independentemente do grupo ideológico envolvido?
8 de janeiro: o que os ataques custaram
Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto, em Brasília.
Os invasores quebraram vidraças, danificaram móveis, ocuparam plenários e comprometeram obras de arte e objetos históricos. Segundo o Ministério Público Federal, os prejuízos chegaram a aproximadamente R$ 12 milhões no STF, R$ 4,9 milhões no Congresso e R$ 4,3 milhões no Palácio do Planalto.
Os ataques provocaram uma série de investigações e processos judiciais. A comparação não significa equiparar automaticamente os episódios da Paulista aos ataques de Brasília. A escala dos danos, os locais atingidos e o contexto são bastante distintos.
O peso do discurso na segurança de SP
A Avenida Paulista concentrou atos políticos ao longo de todo o segundo turno. Nesse cenário, cada declaração de autoridade ganha peso extra. O tema da segurança pública segue no centro do noticiário paulista, como já mostrou a cobertura sobre a disputa entre Haddad e Tarcísio na área.
Comparar episódios exige cuidado. Uma pichação e a invasão de prédios públicos não têm a mesma gravidade. Por outro lado, ignorar qualquer dano ao patrimônio enfraquece o argumento de quem cobra rigor apenas dos adversários.
O governo de São Paulo não detalhou se abriu procedimento próprio para apurar as ocorrências. A Polícia Civil deve analisar as imagens que circulam nas redes.
O que esperar daqui para frente
A tendência é que o episódio vire munição política nos últimos dias antes da votação. A eleição presidencial está marcada para 25 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A manifestação na Paulista também foi tema de outros atos, inclusive um ato do segundo turno realizado no mesmo endereço. Isso mostra como o local segue como palco preferencial da política brasileira.
Até aqui, nenhum laudo oficial quantificou os danos na Paulista. Sem número fechado, a comparação com o 8 de janeiro continua no campo do discurso, não dos fatos.
Por que a comparação voltou ao debate
A Avenida Paulista virou endereço fixo de manifestações políticas nos últimos anos. De atos contra e a favor de governos à celebração de resultados eleitorais, a via concentra multidões e, com elas, o risco de dano ao patrimônio público e privado.
Quando ocorre depredação, a apuração costuma depender de imagens gravadas por testemunhas e por câmeras de segurança. Sem essas imagens, dificilmente se chega aos responsáveis. No caso do ato do dia 11, a própria reportagem aponta essa lacuna.
O Metrô informou ao UOL não ter registrado danos nas estações. A Polícia Militar falou em tumulto, pichações e depredação na região. As duas informações convivem e explicam por que os números variam conforme a fonte consultada.
Para o leitor, o ponto prático é outro. Cobrar apuração é justo. Usar o episódio para atacar apenas um lado, sem aplicar a mesma régua, é o que gera crítica.
Com informações do SP Jornal
RedeBrasil



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